Associados se revoltam contra regras de “associados dependentes” no ‘Divinópolis Clube’

Publicado por: Geraldo Passos

A tensão entre associados e a administração do Divinópolis Clube vem se intensificando nas últimas semanas. O estopim do descontentamento generalizado? As regras consideradas ultrapassadas e excludentes sobre quem pode ou não ser considerado dependente do sócio titular. As críticas circulam nas assembleias, nos corredores, nos grupos de WhatsApp e nas redes sociais – O Divinews tentou contato com a diretoria, porém os números que constam na internet não funcionam. Contudo, o espaço segue aberto ao contraditório dos fatos.  

Na prática, filhos maiores de 24 anos, netos, genros, noras, sogros e até pais dos associados são impedidos de acessar o clube como dependentes, mesmo morando na mesma casa, dividindo despesas e participando do cotidiano familiar.

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“É surreal. Meu filho tem 26 anos, faz faculdade à noite e trabalha o dia inteiro para ajudar em casa. Mas, segundo o clube, ele não pode entrar como meu dependente porque passou da idade. Tem que pagar uma associação completa como se fosse um estranho. Um absurdo”, desabafa uma associada que frequenta o local há mais de 15 anos.

A revolta se repete em outros relatos.  Uma  aposentada, afirma que se sente humilhada por ter que deixar o marido do lado de fora. “Minha nora é como filha para mim. A gente viaja junto, passa Natal e Ano Novo junto, mas aqui no clube ela é tratada como uma intrusa. Eu pago tudo em dia, mas vivo constrangida”, relatou.

Outro associado, que preferiu não se identificar, fez um desabafo direto: “Me sinto desrespeitado. Me cobram pontualidade com as mensalidades, mas quando preciso incluir meu pai idoso, que mora comigo e depende de mim, a resposta é um seco ‘não pode’. Isso não é um clube, é uma repartição pública dos anos 70”.

As críticas não são novas, mas ganharam força com o aumento no número de casos em que os associados se viram impedidos de usufruir do espaço com seus familiares. A rigidez estatutária que limita a dependência a filhos menores de 24 anos e cônjuges oficialmente registrados  tem sido alvo de pedidos formais de revisão.

“Essas regras foram feitas em outra época. Hoje as famílias são diversas, compostas por avós, netos, agregados, companheiros. Ignorar isso é falta de humanidade e também de inteligência”, criticou F.P, outro associado insatisfeito, que tentou sem sucesso incluir o companheiro com quem vive há mais de 10 anos.

Em um grupo de sócios no WhatsApp, a revolta foi resumida por uma frase compartilhada dezenas de vezes: “O clube é nosso, mas as regras são de poucos.”

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Muitos cobram da diretoria uma postura mais transparente, especialmente por conta do silêncio diante da pressão crescente. “Já levamos esse tema a reuniões e nada muda. A impressão é que não querem ouvir. Só querem arrecadar”, pontua uma sócia que diz estar considerando judicializar a questão, caso a exclusão dos dependentes se mantenha.

Apesar do descontentamento crescente, a administração do clube segue sem se manifestar oficialmente. A reportagem do Divinews tentou contato com a diretoria, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Enquanto isso, o clima entre os associados vai ficando cada vez mais pesado. “Se isso não mudar, vou cancelar minha matrícula. Não vale a pena manter um vínculo com um lugar onde minha família não é bem-vinda”, conclui um associado.

O que era para ser um espaço de lazer e convivência, começa a se transformar, aos olhos de muitos, em uma instituição excludente e desatualizada, que não acompanha a realidade das famílias contemporâneas. E caso a diretoria insista no silêncio, corre o risco de enfrentar um movimento de debandada sem precedentes.

Uma associada relata o seu caso:

Boa noite!

Meu nome é XXXX. Minha filha e eu divulgamos o interesse de mover ação jurídica contra o Divinópolis Clube, devido a arbitrariedade com que a diretoria atual está conduzindo um procedimento de recadastramento.

Comprei minha conta em 2009, e nela entraram como dependentes meu marido, um filho solteiro, uma filha divorciada, um neto, e meus pais, conforme permissão do estatuto que vigorava na época. Toda a documentação solicitada foi apresentada, inclusive a certidão de divórcio da minha filha .
Sob circunstâncias que não sabemos, em 2021 o estatuto foi alterado, excluindo a cláusula que permite a entrada de filhos divorciados, netos e pais como dependentes.

Diga-se de passagem, aqui nesse grupo todos nós desconhecíamos a mudança de estatuto. Sequer recebemos convocação de assembleias (feita em agosto de 2021, em tempo de pandemia).

Após essa mudança, não sei precisar quando, várias associados foram comunicados que seus pais seriam excluídos do quadro de dependentes. E foram. Os que quiseram continuar usando as dependências do clube, tiveram que pagar uma mensalidade agregada.

Em maio, um informativo, contendo a nova classificação de dependentes, foi afixado na portaria do clube, solicitando um recadastramento, com prazo final até 26 de junho (depois esse prazo foi adiado).

Ao fazer o recadastramento, os associados foram surpreendidos com uma proposta verbal de não exclusão de seus dependentes, mediante o pagamento de uma “joia” e uma mensalidade (com valores a depender da “cara do freguês”).

Muitos associados, de anos, que fizeram o recadastramento e não têm condições de arcar com outra mensalidade, foram privados da presença de seus pais (a maioria acima de 60 anos).

Ao procurar informação sobre nossos direitos, fomos informados por um advogado cívil, que o clube esta sendo arbitrário e, inclusive, infringindo leis maiores.

Fomos orientados por ele a não fazer o recadastramento e aguardar até o dia 1 de agosto (data limite para o recadastramento). Se caso formos impedidos de entrar no clube, fazermos um boletim de ocorrência e em seguida entraremos com processo judicial.

Sabemos que quem fez o recadastramento, o fez por desconhecer seus direitos. Desejamos que a diretoria volte atrás nessa arbitrariedade e cancele todas as exclusões indevidas .

Estatuto do Clube

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  1. Rose disse:

    Resolvem do dia pra noite a cortar direitos q já possuímos agindo como se fossem donos do clube e sem pensar nos sócios hoje em dia o clube unilateral sócios sem voz ativa e cortes absurdos.

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