O vice-presidente do SINTRAM (Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste de Minas), Darly Salvador, foi advertido pela PM nesta última segunda-feira (15), e posteriormente se encaminhou até o quartel da unidade militar para fazer um BO, isso após protagonizar uma cena de tumulto e gritaria durante sessão da Câmara Municipal de Bambuí, na noite desta segunda-feira (15/07). O episódio, que envolveu bate-boca, gritos e voz de prisão por parte de um vereador dentro do plenário, expôs mais uma vez o despreparo da entidade sindical para dialogar institucionalmente — e elevou o tom da crise entre o sindicato e o poder público municipal.
Segundo vereadores presentes na sessão, o SINTRAM só resolveu se manifestar tardiamente, depois que o projeto de lei de interesse da categoria já havia sido aprovado em dois turnos, sancionado pelo prefeito Firmino Júnior, e promulgado como lei em vigor. Mesmo assim, dirigentes do sindicato insistiram em levar o protesto à Câmara, onde não havia mais margem legal para discussão da proposta.
“Eles querem fazer palanque para justificar a contribuição sindical. O momento de discutir era com o Executivo, antes da votação”, afirmou um dos vereadores, sob condição de anonimato.
Confusão e prisão em plenário
Durante a sessão, conforme áudios e documentos analisados pelo Divinews, Darly se exaltou, interrompeu falas e desrespeitou normas regimentais, sendo advertido por parlamentares para que se retirasse ou mantivesse o decoro. A insistência em provocar e a resistência ao controle da sessão levaram um dos vereadores a dar voz de prisão ao sindicalista, ato confirmado pela própria presidência da casa.
“O senhor está passando dos limites. Volte ao seu lugar para a questão de ordem. Respeite esta casa!”, se revoltou o vereador Anderson durante a sessão. Pouco depois, como Darly não parou, foi determinado: “O senhor está preso.”
O líder sindical então foi conduzido pela PM até ao quartel onde foi lavrado um Boletim de Ocorrência.
O vereador seguiu lamentando e criticando a postura repetitiva do vice-presidente do SINTRAM. “Não entendo que eles estejam totalmente errados, o que não pode é fazer bagunça e baderna nas dependências do Poder Legislativo. Já é a terceira vez que esse senhor [Darly Salvador] vem aqui e cria uma enorme confusão”, afirmou. O parlamentar ainda relembrou que, na reunião do último dia 7 de julho, sindicalistas ligados ao SINTRAM chegaram ao absurdo de colocar um caixão e um boneco do Chapolin Colorado sobre a mesa da presidência, numa tentativa de teatralizar o protesto. “E nesta segunda-feira, ontem, foi o ápice, ele invadiu o recinto do plenário e, com o dedo em riste na minha direção, cometeu o crime de desacato”, denunciou.
Anderson também rechaçou a alegação publicada, segundo ele, por “um blog de Divinópolis chamado Gerais”, de que ele desconheceria o significado da palavra ‘edil’, reafirmando que a publicação distorceu intencionalmente sua fala para tentar desmoralizá-lo.
Sindicalistas em protesto ou em happy hour?
Além da confusão institucional, a atuação do SINTRAM em Bambuí tem sido criticada por vereadores. Um deles relatou que, apesar dos discursos inflamados, dirigentes sindicais vêm sendo vistos com frequência em bares da cidade, como o Toro Steak House, onde estiveram na semana anterior “tomando cerveja”, segundo o relato.
“Fazem plantão na cidade de dia e à noite estão todos nos bares. Isso é defesa de trabalhador?”, questionou um parlamentar.
Prefeito: “Não há mais o que fazer”
O prefeito Firmino Júnior, por sua vez, reafirmou que a matéria contestada pelo SINTRAM já está legalmente em vigor. “A lei foi aprovada pela Câmara, sancionada por mim, e já teve inclusive manifestação da Justiça quanto à sua legalidade. O sindicato está fora de tempo e fora de contexto.”
A atuação errática do SINTRAM no episódio reforça os questionamentos já feitos em decisões judiciais recentes. Conforme mostrou o Divinews em 27 de junho, a Prefeitura rompeu negociações salariais com o sindicato após alegar que a entidade não possui legitimidade sindical reconhecida pelo Ministério do Trabalho. (Leia mais: Prefeitura de Bambuí rompe negociação com SINTRAM).
Na sequência, em 30 de junho, a Justiça determinou a suspensão da greve dos professores de Bambuí e expôs falhas graves do SINTRAM, reconhecendo que a paralisação era irregular. (Veja também: Justiça manda suspender greve e expõe falhas do SINTRAM).
Crise de imagem se aprofunda
Com mais esse episódio, o SINTRAM aprofunda sua crise de imagem e legitimidade. O que deveria ser um espaço de representação sindical virou palco de escândalos, improvisos e uso político da causa trabalhista. Enquanto isso, os servidores de Bambuí seguem à margem de negociações concretas, e o sindicato acumula derrotas — nas ruas, nas câmaras, nos tribunais e agora, até mesmo nos bares da cidade.
* “Inês é morta” é uma expressão portuguesa que se originou da trágica história de Inês de Castro, amante do príncipe Pedro de Portugal, que foi assassinada. A frase tornou-se um ditado popular para expressar que algo é irreversível ou que é tarde demais para fazer qualquer coisa – Ou seja, depois que o projeto foi aprovado, sancionado e virou lei, o SINTRAM tardiamente resolveu justificar o desconto em folha dos servidores municipais para os cofres do sindicato.






