A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), representada pelo presidente da entidade, Josue Gomes da Silva, divulgou nesta semana uma nota pública à imprensa em que reage com firmeza à decisão do governo dos Estados Unidos de elevar tarifas comerciais contra produtos brasileiros, medida classificada como “unilateral” e de motivação não econômica. A entidade, que representa parte significativa da indústria nacional, fez questão de reafirmar o compromisso do Brasil com os princípios democráticos e com a soberania nacional, além de destacar a importância histórica das relações bilaterais entre os dois países.
Segundo a Nota, embora as tarifas causem impacto negativo à indústria brasileira, a resposta deve ser firme, mas baseada em diálogo técnico e diplomático, sem abrir mão da defesa do país:
“Apesar do impacto negativo para a indústria brasileira da elevação de tarifas unilateralmente pelos EUA, entendemos que a soberania nacional é inegociável. Este é um princípio balizador”, afirma a Fiesp.
A nota ressalta que o Brasil, assim como os EUA, é uma nação soberana, fundada no estado democrático de direito e na independência entre os poderes uma referência aos princípios instituídos pelos Founding Fathers americanos, como forma de chamar os EUA à coerência institucional.
relação comercial com superávit para os eua
A Fiesp também lembrou que os Estados Unidos têm superávit nas relações com o Brasil, tanto na balança comercial quanto, ainda mais, na de serviços. Isso, segundo a entidade, evidencia que medidas protecionistas por parte dos EUA não se sustentam nos números:
“Desconhecer mais de 200 anos de excelentes relações internacionais e comerciais não atende a nenhum dos dois países”, criticou a federação.
cooperação como caminho
A Fiesp sugere que o foco das relações entre Brasil e EUA deveria estar em áreas de parceria estratégica, como:
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exploração de terras raras
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biocombustíveis e o desenvolvimento do SAF
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produção e pesquisa de medicamentos
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integração energética (etanol e gás natural)
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digitalização da economia
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uso de energia elétrica limpa e barata para processamento de dados
Esses, segundo a entidade, são exemplos claros de como a cooperação pode gerar resultados concretos para ambas as populações e não o confronto tarifário de cunho político. Resposta firme e racional
A manifestação da Fiesp marca uma postura mais firme da indústria brasileira diante do que considera medidas arbitrárias e injustificáveis por parte dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, mantém um tom de racionalidade e apelo ao diálogo:
“Negociar com serenidade, a partir de fatos e estatísticas verdadeiras, é de interesse comum às empresas brasileiras e americanas.”
NOTA À IMPRENSA
O Brasil, assim como os Estados Unidos, é uma nação soberana em que prevalece o estado democrático de direito assentado sobre um sistema de tripartição de poderes independentes (o Executivo, o Legislativo e o Judiciário) e, vale enfatizar, muito inspirado nos princípios instituídos pelos Founding Fathers da América.
Pode parecer desnecessária essa afirmação, mas, quando razões não econômicas são usadas para justificar a quebra de todo o regramento comercial e do direito internacional, é importante reafirmar esses princípios.
Apesar do impacto negativo para a indústria brasileira da elevação de tarifas unilateralmente pelos EUA, entendemos que a soberania nacional é inegociável. Este é um princípio balizador.
Negociar com serenidade, a partir de fatos e estatísticas verdadeiras, é de interesse comum às empresas brasileiras e americanas, que sempre foram bem-vindas ao Brasil. A livre atuação das empresas americanas, como de qualquer empresa nacional ou de outro país, deverá ser assegurada nos termos da legislação brasileira.
É importante lembrar que os EUA têm relevante superávit com o Brasil não só na balança comercial, mas, ainda maior, também na balança de serviços. Desconhecer mais de 200 anos de excelentes relações internacionais e comerciais não atende a nenhum dos dois países.
São muitas as oportunidades de mais e maiores negócios entre Brasil e EUA em benefício de nossas populações. Da exploração de terras raras ao desenvolvimento de padrões mundiais para os biocombustíveis, inclusive o SAF; do desenvolvimento de medicamentos à integração energética (como etanol e gás natural); dos investimentos conjuntos para a digitalização da economia ao uso da abundante geração de energia elétrica de fontes renováveis e baratas para o processamento de dados de ambos os países são apenas algumas das oportunidades em que empresas e governos deveriam focar.
Esperamos que a diplomacia e as negociações equilibradas prevaleçam, a despeito de ideologias e preferências pessoais, e que o bom senso volte a nortear a relação entre essas duas grandes nações soberanas.
Josué Gomes da Silva
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP






