Durante entrevista concedida à Jovem Pan, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, demonstrou um alinhamento quase automático aos interesses norte-americanos, ao comentar a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre as exportações de aço e alumínio brasileiros.
Ao ser questionado sobre as possíveis reações do governo brasileiro, Roscoe minimizou o impacto da medida e afirmou:
“A solução está em fazer concessões para manter o diálogo aberto. É natural que, em algum momento, os EUA reajam a suas próprias demandas internas. Não podemos encarar isso como uma agressão direta.”
A fala, vista como passiva por especialistas e empresários do setor, contrastou fortemente com a reação da FIESP, que emitiu nota oficial contundente defendendo a soberania brasileira frente ao que considerou uma violação do regramento internacional de comércio.
Eduardo Bolsonaro e a chantagem de bastidores com Trump
Enquanto Roscoe se exime de críticas aos EUA, a taxação foi articulada como instrumento de pressão do presidente Donald Trump para interferir na política interna brasileira. Eduardo Bolsonaro intercedeu diretamente junto a aliados de Trump, pedindo ajuda para condicionar a taxação à obtenção de um gesto político que beneficiasse juridicamente Jair Bolsonaro, investigado por tentativa de golpe, espionagem ilegal via Abin paralela, entre outros crimes.
A chantagem busca forçar o governo brasileiro a se posicionar a favor da anistia do ex-presidente em troca da revisão das tarifas. Nenhuma menção a essa grave articulação foi feita por Roscoe na Jovem Pan. Para analistas, o silêncio do presidente da FIEMG revela mais que neutralidade: trata-se de cálculo político visando 2026, onde Roscoe articula uma vaga como vice, de qualquer um dos candidatos da direita.
Impacto direto em Minas: prejuízo bilionário e risco de demissões
A taxação de 50% nos produtos siderúrgicos brasileiros atinge em cheio as principais regiões industriais de Minas Gerais. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Indústrias do Aço (Aço Brasil), cerca de 42% das exportações nacionais de aço aos EUA têm origem no estado, especialmente das usinas de Ipatinga, Ouro Branco e João Monlevade.
Com a nova tarifa, os produtos mineiros perdem competitividade e podem ser preteridos por fornecedores do México e Canadá. O prejuízo estimado pode superar R$ 3 bilhões por ano, além de gerar impacto negativo na geração de empregos.
Empresários mineiros desaprovam postura de Roscoe
Alguns industriais, em condição de anonimato, demonstraram desconforto com a postura adotada por Roscoe. Um empresário do setor metalúrgico afirmou:
“A FIEMG não nos representa quando evita o embate em um momento como esse. A indústria precisa de defesa firme, não de subserviência.”
Outro executivo completou:
“O que está em jogo é nossa competitividade. Esperávamos da FIEMG um posicionamento parecido com o da FIESP.”
FIESP reage e defende soberania do Brasil
Em nota assinada por seu presidente, Josué Gomes da Silva, a FIESP publicou um duro posicionamento institucional. O texto, sem citar diretamente Trump ou Bolsonaro, critica com clareza o uso de razões “não econômicas” para justificar a medida dos EUA, e reafirma a soberania do Brasil como princípio inegociável.
Posicionamento da FIESP:
“O Brasil, assim como os Estados Unidos, é uma nação soberana em que prevalece o estado democrático de direito assentado sobre um sistema de tripartição de poderes independentes (o Executivo, o Legislativo e o Judiciário) e, vale enfatizar, muito inspirado nos princípios instituídos pelos Founding Fathers da América.
Pode parecer desnecessária essa afirmação, mas, quando razões não econômicas são usadas para justificar a quebra de todo o regramento comercial e do direito internacional, é importante reafirmar esses princípios.
Apesar do impacto negativo para a indústria brasileira da elevação de tarifas unilateralmente pelos EUA, entendemos que a soberania nacional é inegociável. Este é um princípio balizador.
Negociar com serenidade, a partir de fatos e estatísticas verdadeiras, é de interesse comum às empresas brasileiras e americanas, que sempre foram bem-vindas ao Brasil. A livre atuação das empresas americanas, como de qualquer empresa nacional ou de outro país, deverá ser assegurada nos termos da legislação brasileira.
É importante lembrar que os EUA têm relevante superávit com o Brasil não só na balança comercial, mas, ainda maior, também na balança de serviços. Desconhecer mais de 200 anos de excelentes relações internacionais e comerciais não atende a nenhum dos dois países.
São muitas as oportunidades de mais e maiores negócios entre Brasil e EUA em benefício de nossas populações. Da exploração de terras raras ao desenvolvimento de padrões mundiais para os biocombustíveis, inclusive o SAF; do desenvolvimento de medicamentos à integração energética (como etanol e gás natural); dos investimentos conjuntos para a digitalização da economia ao uso da abundante geração de energia elétrica de fontes renováveis e baratas para o processamento de dados de ambos os países são apenas algumas das oportunidades em que empresas e governos deveriam focar.
Esperamos que a diplomacia e as negociações equilibradas prevaleçam, a despeito de ideologias e preferências pessoais, e que o bom senso volte a nortear a relação entre essas duas grandes nações soberanas.
Josué Gomes da Silva
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP
Nos bastidores políticos, comenta-se e é quase que cristalino que, Flávio Roscoe com ambições eleitorais para 2026, sendo citado como possível vice em diferentes chapas mais incisivamente ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira, ou até mesmo em uma improvável (mas em política tudo é possivel) composição com Mateus Simões, e por último com o senador Cleitinho. Porém, esse já o colocou como a última opção, atrás de Tadeu Leite (ALMG) e até nomes como o deputado federal Newton Cardoso Junior, e o presidente da AMM, prefeito de Patos de Minas. Para alguns analistas, a postura “suavizada” de Roscoe diante de Trump e o silêncio estratégico sobre a ação do filho de Bolsonaro seriam tentativas de agradar diferentes espectros do bolsonarismo e do empresariado liberal mineiro.
A impressão que fica, cometada nos bastidores da politica, é a de que Roscoe ao querer ser “vice de qualquer um nome da direita”, evita qualquer crítica que possa desagradá-los. O problema é que esse pragmatismo eleitoral parece ter atropelado o seu papel institucional como líder empresarial como presidente da FIEMG, que deveria defender a soberania nacional e não subliminarmente os interesses os interesses não legitimo e tão pouco republicano, do “republicano” presidente dos EUA, Donald Trump






