O governo dos Estados Unidos deverá anunciar até quarta-feira (15) se aplicará novas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida integra uma investigação comercial conduzida pela administração norte-americana, que aponta supostas práticas adotadas pelo Brasil consideradas prejudiciais aos interesses de empresas dos EUA.
O processo é conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A proposta ainda depende da decisão final da Casa Branca.
Caso a recomendação seja confirmada, o Brasil passará a ocupar a segunda posição entre os países mais afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China.
A projeção é do Global Trade Alert (GTA), plataforma internacional de monitoramento de políticas comerciais mantida pelo centro de estudos suíço St. Gallen Endowment.
Atualmente, o Brasil ocupa a 13ª posição no ranking dos países submetidos às maiores tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos.
Pix está entre os pontos questionados
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, legislação norte-americana que permite apurar práticas comerciais consideradas desleais e aplicar medidas de retaliação.
No relatório, o USTR afirma que algumas políticas brasileiras criariam obstáculos às empresas dos Estados Unidos.
Entre os principais pontos citados está o Pix. Segundo o governo norte-americano, o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, o que poderia favorecer a plataforma em relação a empresas privadas que oferecem serviços semelhantes.
O documento também aborda decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, acordos tarifários firmados pelo Brasil, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.
Exportações brasileiras podem ser afetadas
Se a tarifa adicional de 25% for confirmada, parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos ficará mais cara no mercado norte-americano. O relatório prevê exceções para alguns itens específicos.
A decisão é acompanhada pelo governo brasileiro e pelo setor exportador, que avaliam os possíveis impactos sobre a competitividade dos produtos nacionais e sobre as futuras negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.






