O Tribunal do Júri de Divinópolis condenou João Vitor de Sousa, de 23 anos, a 14 anos de reclusão pelo assassinato da jovem Maria Vitória Lara Almeida, de 21. O julgamento aconteceu nesta terça-feira (8), quase dez meses após o crime, que chocou Carmópolis de Minas. O réu também responsabilizado por porte ilegal de arma de fogo.
O crime ocorreu dentro da casa onde o casal morava, em setembro de 2023. Segundo o Ministério Público, João Vitor disparou um revólver calibre .38 contra Maria Vitória. O tiro atingiu o queixo da vítima e se alojou na região cervical. A jovem chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
O acusado afirmou que o disparo aconteceu de forma acidental, enquanto ele manuseava a arma. No entanto, os jurados rejeitaram essa versão e reconheceram o homicídio qualificado, entendendo que Maria Vitória não teve chance de se defender.
Feminicídio não reconhecido
Apesar da brutalidade do crime e do relacionamento entre vítima e réu, o júri popular não reconheceu a qualificadora de feminicídio. Esse ponto impactou diretamente no tamanho da pena.
“O júri não entendeu a qualificadora do feminicídio. Por isso, a pena menor”, explicou a assistente de acusação do Ministério Público, contratada pela família da jovem.
A pena, que poderia chegar a 30 anos, acabou sendo fixada em 14. Mesmo assim, o sentimento de justiça expressado pelos familiares.
Protesto emocionante em frente ao fórum
Durante a manhã, amigos e familiares de Maria Vitória se reuniram em frente ao Fórum de Divinópolis com faixas, cartazes e mensagens exigindo justiça.
A manifestação foi organizada nas redes sociais por Marly Lara, irmã da vítima. Em uma das mensagens, ela escreveu, “Justiça será feita, irmã. Por você e por todas nós, mulheres.”
O ato ocorreu de forma pacífica, mas com forte comoção. Várias pessoas usaram camisetas com a foto de Maria Vitória e pediram penas mais duras para casos de violência contra a mulher.
Mudança do julgamento gerou revolta
O julgamento, que inicialmente ocorreria em Carmópolis de Minas, transferido para Divinópolis a pedido da defesa. A alegação foi de risco à ordem pública e à imparcialidade dos jurados locais. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais aceitou o pedido.
A família da vítima recebeu a mudança com indignação. Para eles, a transferência enfraqueceu a representatividade local e distanciou a comunidade da decisão judicial. “Queríamos a pena máxima, mas só dele ter saído daqui condenado, já sentimos que a justiça feita”, disse Marly após a sentença.
Apesar da condenação, a defesa de João Vitor já sinalizou que irá recorrer da decisão. Enquanto isso, ele permanece preso.






