O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) confirmou de forma taxativa, em entrevista concedida ao Divinews na noite desta última sexta-feira (04), que manterá sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026, ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem declara fidelidade, opte por apoiar outro nome. Cleitinho fez questão de afirmar que só abrirá mão do projeto se a população mineira deixar claro que não o deseja no cargo. “Pode apoiar outra chapa, eu venho com a minha chapa aqui, vou respeitar, nunca vou agredir ninguém e vou seguir o jogo. Se o povo quiser, eu vou”, afirmou, sem rodeios.
Durante quase duas horas de conversa, o senador fez questão de pontuar que, acima de qualquer liderança partidária, seu maior compromisso é com o povo mineiro. “Minha maior ideologia é Jesus Cristo, depois meu pai, e depois o povo. Eu sou grato ao Bolsonaro, mas meu projeto é servir o povo de Minas”, frisou. Cleitinho também disse não ter qualquer mágoa por ter se ausentado de eventos recentes do ex-presidente, atribuindo as faltas a choques de agenda, e negou que haja qualquer fissura na relação entre os dois.
Nikolas Ferreira e Matheus Simões
Ao tratar das disputas dentro da direita mineira, Cleitinho reconheceu que Nikolas Ferreira, deputado federal do PL, tem força imensa entre o público jovem, principalmente pela popularidade nas redes sociais, e que o vice-governador Matheus Simões também tem espaço legítimo no grupo. Contudo, deixou claro que não se sente pressionado por ninguém e reafirmou que só recua se perceber rejeição popular. “Eu sou movido pela vontade popular. Se o povo disser que quer que eu continue senador, continuo. Se quiser que eu vá para o governo, vou”, enfatizou.
Cleitinho ainda revelou que, até agora, não houve qualquer reunião entre ele, Nikolas e Matheus para tratar de eventual composição. Disse que respeita as pré-candidaturas de ambos, mas espera diálogo para evitar fragmentação que possa favorecer a esquerda em Minas. “A direita tem que conversar, mas cada um tem o direito de se colocar como candidato”, avaliou, ao citar que Nikolas chegou a se declarar disposto a disputar o governo em entrevista recente na Rádio Itatiaia.
Flávio Roscoe, FIEMG e a questão trabalhista
Durante a entrevista, Cleitinho comentou ainda sobre o distanciamento de Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, atribuindo o afastamento a divergências sobre pautas trabalhistas, como o fim da escala 6×1, e a outros posicionamentos políticos que, segundo ele, não agradaram ao empresário. O senador afirmou que ouviu de aliados que Roscoe teria ficado “ressabiado” com suas ideias e, por isso, teria se aproximado mais de Nikolas Ferreira. “Isso foi deputados que me contaram, tá, Geraldo? Não foi ele que falou isso comigo e eu não escutei ele publicamente falando isso”,
O senador relatou que defende mudanças no regime de trabalho para garantir folgas mais dignas aos trabalhadores, e que não abre mão desta pauta, mesmo diante de pressões do setor patronal. O senador chegou a falar em 5 x 2, que alguns segmentos já adotam. “Eu convivi a vida inteira com meu pai trabalhando de domingo a domingo, sem descanso. Eu sei o que é isso, e vou lutar para melhorar a vida de quem trabalha”, declarou.
Tadeu Leite – ALMG; Newton Cardoso Junior e Falcão – AMM
Cleitinho também disse que não descarta retomar conversas com Roscoe, mas deixou no ar que o industrial passou a apoiar Nikolas Ferreira, em razão de maior alinhamento às pautas patronais. “Eu não mudo minha convicção para agradar ninguém”, reforçou. Entre outros nomes cogitados para vice, citou Newton Cardoso Jr., Tadeu Leite, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com base eleitoral no Norte de Minas, região estratégica para o senador, e ainda Luis Eduardo Falcão, prefeito de Patos de Minas, e presidente da AMM – Associação Mineira dos Municípios, como bons nomes a compor com ele.
Críticas ao governo Zema
Cleitinho foi especialmente duro ao analisar a gestão de Romeu Zema na área de segurança pública, relembrando episódios que, segundo ele, abalaram de forma irreversível a confiança dos profissionais do setor. O senador recordou que, ainda no período em que atuava como deputado estadual, participou da aprovação de reajustes salariais para policiais civis, militares e bombeiros, mas que, em seguida, Zema vetou a proposta e orientou sua base parlamentar a manter o veto, frustrando toda a categoria. Em tom contundente, Cleitinho afirmou: “A segurança pública não confia no governo Zema porque ele deu a palavra para a segurança, e depois que a Assembleia aprovou, ele vetou. E mandou a base votar para manter o veto.”
Ele destacou que, para muitos profissionais da segurança, essa quebra de palavra criou um clima de desconfiança que permanece até hoje, e que, por isso, não acredita em qualquer recomposição de apoio entre a tropa e o atual governador. O senador também apontou que, se for eleito, pretende restabelecer o diálogo com a classe e garantir previsibilidade salarial, além de respeito aos acordos firmados: “Quem dá a palavra tem que cumprir, principalmente para a segurança pública, que arrisca a vida todo dia.”
O senador também criticou o encaminhamento do projeto PROPAG, que renegocia a dívida bilionária de Minas com a União, defendendo que jamais se comprometa a estrutura da UEMG no acordo. “Educação é patrimônio do estado, não se mexe”, declarou, ao mesmo tempo em que admitiu ser favorável a negociar ativos como Cemig e Copasa para destravar investimentos. “É um mal necessário. A dívida que Minas tem hoje é impagável”, justificou.
Pautas nacionais: Centrão, Congresso e Judiciário
Ao abordar o cenário nacional, Cleitinho não poupou críticas ao centrão e à forma como os acordos políticos acontecem em Brasília. Segundo o senador, a lógica das negociações parlamentares se transformou em um verdadeiro “ninho de prostituição política”, onde quem paga mais leva. Ele deixou claro que, mesmo disposto a dialogar para viabilizar projetos em prol de Minas, não pretende se render a barganhas ou ceder a trocas de favores que, em sua visão, prejudicam a confiança do eleitor. “Se eu tiver que conversar, vou conversar, mas não vou vender minha alma”, cravou, numa tentativa de se diferenciar do jogo fisiológico do Congresso.
Outro ponto forte da fala do senador Cleitinho Azevedo foi a crítica ao Judiciário brasileiro, especialmente em relação aos chamados “penduricalhos” salariais pagos a juízes e promotores. O parlamentar classificou como absurdo o acúmulo de benefícios que, segundo ele, fazem alguns magistrados chegarem a receber valores milionários ao longo do ano, à revelia do interesse público. Cleitinho revelou que já colheu assinaturas para protocolar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado, visando limitar esses supersalários e dar mais transparência à remuneração da magistratura. Ele ainda apontou a dificuldade de fiscalização sobre esse poder, afirmando: “O Judiciário hoje ninguém tem coragem de mexer. Mas eu vou mexer.”
Apoio ao povo e recado final
Em vários momentos, Cleitinho fez questão de se posicionar como político popular e próximo do cidadão comum. Disse que não pretende se afastar de suas origens e que continuará atento às demandas de Divinópolis e região, mesmo sendo senador, citando como exemplo cobranças que faz diretamente ao irmão, Gleidson Azevedo, atual prefeito de Divinópolis, para atender as famílias atípicas, destacando o que aconteceu nesta sexta-feira, quando um grupo de mães atipicas foram impedidas inicialmente de usarem o plenário.
Ao final, reforçou a mensagem de que não existe “político perfeito” e alertou o público para não idolatrar autoridades. “Eu erro, todos erram. Só Jesus Cristo foi perfeito. O político ideal não existe. É por isso que as pessoas precisam apoiar quando a gente acerta e cobrar quando a gente erra”, concluiu.






