Políticos brasileiros ignoraram Itamaraty sobre risco em viagem à Israel

Por decisão pessoal, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, o prefeito de BH, Álvaro Damião, a vice-prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida, dentre outros, recorreram a jato particular fretado pelo deputado federal Mersinho Lucena (PP-PB), filho de Cícero, para retornarem ao Brasil.

Publicado por: Redação

O Governo Federal intensificou os esforços diplomáticos para garantir a segurança e o retorno de brasileiros que se encontram em Israel, entre eles integrantes de duas comitivas oficiais que realizavam missão institucional no país a convite do governo israelense. Além das autoridades, há também cidadãos binacionais e turistas acompanhados pelas autoridades consulares.

Apesar do alerta emitido pela Embaixada do Brasil em Tel Aviv desde outubro de 2023, desaconselhando viagens não essenciais a Israel e recomendando que os brasileiros deixassem o país, dois grupos de gestores públicos embarcaram ao Oriente Médio neste mês de junho. A missão foi mantida mesmo com o agravamento da tensão na região, marcado pelos recentes ataques israelenses ao Irã, que levaram ao fechamento do espaço aéreo.

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Nesta segunda-feira (16), foi concluída com sucesso a retirada de um grupo de 12 autoridades federativas, entre elas dois prefeitos de capitais, por via terrestre até a Jordânia. De lá, seguiram para a Arábia Saudita, de onde contrataram um voo particular para retornar ao Brasil.

A operação foi articulada diretamente pelo chanceler Mauro Vieira, que manteve contato contínuo com o ministro das Relações Exteriores da Jordânia ao longo do fim de semana. As embaixadas brasileiras em Amã, Tel Aviv e Riade prestaram apoio logístico e diplomático à missão.

Outros 27 gestores públicos que permanecem em território israelense devem ser evacuados em operação semelhante nos próximos dias. Segundo o Itamaraty, as autoridades israelenses já apresentaram proposta de retirada por terra até a Jordânia, de onde os brasileiros poderão embarcar em voos comerciais operados por companhias locais.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores alertou ainda para golpes aplicados por criminosos que têm enviado mensagens oferecendo falsos lugares em aeronaves para deixar o país. A Embaixada do Brasil em Tel Aviv reiterou que o espaço aéreo segue interditado e que qualquer deslocamento deve seguir os canais oficiais e orientações consulares.

A recomendação da embaixada permanece a mesma: todos os brasileiros devem seguir rigorosamente as instruções do “Home Front Command” de Israel e permanecer próximos a abrigos reforçados, como bunkers, prontos para se protegerem ao menor sinal de alerta ou sirene.

O portal da Embaixada do Brasil em Tel Aviv segue sendo o principal canal de comunicação com os nacionais, especialmente a seção de “Alerta Consular”, que será atualizada à medida que novas informações forem confirmadas.

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LEIA A NOTA DO ITAMARATY

“O governo brasileiro acompanha com atenção a situação de seus nacionais que se encontram em Israel, incluídos, além de binacionais e turistas, autoridades integrantes de duas comitivas que cumpriam missão oficial àquele país, a convite do governo israelense.

A Embaixada do Brasil em Israel mantém, desde outubro de 2023, alerta consular que desaconselha toda viagem não essencial àquele país e recomenda, desde então, que os brasileiros e brasileiras que se encontravam em Israel considerassem deixar o país. Naquele mês, um total de 1.413 brasileiros foi evacuado de Israel em aeronaves da Força Aérea Brasileira.

Em junho corrente, duas comitivas de autoridades brasileiras viajaram a Israel a convite do governo israelense, a despeito do alerta consular da Embaixada do Brasil em Tel Aviv. Com o início dos ataques de Israel ao Irã e o consequente fechamento do espaço aéreo israelense, os dois grupos de autoridades convidadas aguardam informações e providências com relação a seu retorno ao Brasil.

Nesta segunda-feira, 16/6, foi realizada a retirada, por via terrestre em direção à Jordânia, de um primeiro grupo de doze autoridades federativas, incluídos dois prefeitos de capitais, que seguem rumo à Arábia Saudita, de onde contrataram voo particular para retorno ao Brasil. A operação foi viabilizada a partir de estreita coordenação mantida pessoalmente pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, junto a seu homólogo jordaniano ao longo do fim de semana. As Embaixadas do Brasil em Amã, em Tel Aviv e em Riade têm prestado apoio ao grupo.

Às demais 27 autoridades convidadas que permanecem em Israel, o governo israelense apresentou proposta similar de evacuação por terra até a Jordânia nos próximos dias, para que, conforme a disponibilidade, embarquem em voos comerciais jordanianos de retorno ao Brasil. A Embaixada do Brasil em Tel Aviv permanece em coordenação com as autoridades israelenses para possibilitar novas operações de retorno dos brasileiros. 

Ainda nesta segunda-feira, a Embaixada do Brasil em Tel Aviv tomou conhecimento de tentativas de golpes de parte de criminosos que, por mensagens de aplicativo, estariam oferecendo lugares em voos para deixar Israel. Recorda-se que o espaço aéreo israelense segue fechado, sem previsão de reabertura.

A Embaixada do Brasil em Tel Aviv insta todos os brasileiros e brasileiras em Israel a seguirem estritamente as recomendações do “Home Front Command” israelense e a permanecerem sempre nas proximidades de abrigo fortificado (“bunker” ou equivalente), para onde devem se dirigir imediatamente ao ouvir sirenes ou outros alertas. Recomenda-se a todos os brasileiros e brasileiras em Israel acompanharem com atenção a página da Embaixada do Brasil em Tel Aviv, em especial a seção de “Alerta Consular”, que será atualizada em caso de novos desdobramentos.”

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