Comitiva com prefeitos e secretários enfrenta cenário de guerra após ataques entre Israel e Irã. Grupo aguarda retorno ao Brasil, que depende da reabertura do espaço aéreo.
Tel Aviv vive uma nova madrugada de tensão. Sirenes cortaram o silêncio da cidade e empurraram políticos brasileiros para abrigos antiaéreos, em meio ao agravamento do conflito entre Israel e Irã. Prefeitos, vice-prefeitos e secretários de estados como Minas Gerais, Goiás, Paraíba, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal estão no país em viagem oficial e agora aguardam em hotéis ou bunkers pela retomada dos voos comerciais.
A escalada teve início após o lançamento de um bombardeio israelense contra alvos iranianos, justificado como resposta à ameaça nuclear do Irã. Em pronunciamento gravado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o país está em um “momento decisivo” e prometeu manter os ataques “por quantos dias forem necessários”.
Com o espaço aéreo fechado, inclusive para voos civis, os brasileiros aguardam instruções do Itamaraty. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), acionou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pediu apoio para o retorno seguro do grupo. Segundo a Embaixada do Brasil em Tel Aviv, os primeiros contatos com os integrantes das comitivas já foram realizados.
“Falei há pouco com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que está em Israel, e com o chanceler Mauro Vieira. A Câmara está atenta para garantir a segurança e o retorno de todos que estão em Israel”, escreveu Motta em uma rede social.
Noite em bunkers e incertezas
Diversos líderes brasileiros compartilharam relatos sobre a noite de apreensão. Em entrevista à GloboNews, o prefeito de Nova Friburgo (RJ), Johnny Maycon, contou que precisou correr para um bunker na cidade de Kfar Saba: “A gente acorda assustado. Uma situação de alta tensão”.
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), afirmou que está em Israel para conhecer modelos de segurança pública e tecnologia. Ele também buscou abrigo em Kfar Saba. “Ainda não sabemos como voltaremos ao Brasil”, declarou à Rádio Itatiaia.
A vice-prefeita de Divinópolis (MG), Janete Aparecida, participa de um curso na cidade de Haifa. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela contou que foi acordada por sirenes e correu para um abrigo no meio da madrugada. “Estamos bem. Vamos aguardar as próximas orientações”, disse.
Missões interrompidas
As viagens tinham como foco o fortalecimento institucional e o intercâmbio tecnológico. Vanderlei Pelizer, vice-prefeito de Uberlândia (MG), está no Oriente Médio desde 8 de junho. Em nota, sua assessoria afirmou que o retorno está programado para o dia 22, mas depende da normalização do tráfego aéreo. Ele também relatou susto ao ser acordado por gritos durante o toque de recolher.
De Florianópolis (SC), a vice-prefeita Maryanne Mattos (PL) também relatou idas a abrigos. “Aqui eles avisam com antecedência, tem tempo de todo mundo ir para o bunker”, disse.
A vice-prefeita de Goiânia (GO), Cláudia Lira, e o secretário estadual de Saúde, Rasível Santos, estão no país para um congresso de lideranças. Ambos estavam em um instituto quando o alarme tocou.
Do Distrito Federal, quatro secretários enfrentaram a madrugada em abrigos: Marco Antônio Costa (Ciência e Tecnologia), Ana Paula Marra (Desenvolvimento Social), Rafael Bueno (Agricultura) e José Eduardo Pereira Filho (Consórcio Brasil Central).
Do Mato Grosso do Sul, também estão no país os secretários Christinne Maymone, Marcos Espíndola e Ricardo Senna. Todos aguardam o desfecho do conflito para planejar a volta ao Brasil.
O conflito
O ataque israelense ao Irã ocorre em meio a uma nova crise geopolítica. Israel acusa Teerã de desenvolver armas nucleares em segredo. De acordo com autoridades israelenses, o Irã teria capacidade de construir ogivas nucleares em poucos dias.
Além disso, em resposta ao bombardeio, o regime iraniano lançou 100 drones contra Israel. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu retaliação. “Israel receberá um destino amargo”, afirmou. O governo iraniano também advertiu os Estados Unidos: “vão pagar caro”.
Portanto, a embaixada de Israel no Brasil classificou o Irã como “o principal patrocinador do terrorismo global”.
Riscos diplomáticos e medidas de segurança
Além disso, a tensão gerou alerta nas embaixadas de vários países. Os Estados Unidos negaram envolvimento direto, mas o ex-presidente Donald Trump pressionou o Irã por um novo acordo nuclear “antes que não sobre mais nada”.
No Brasil, cresce a pressão para que o governo federal tome medidas rápidas. Até o momento, o Itamaraty não divulgou uma nota oficial sobre a situação.
Portanto, parlamentares e autoridades locais pedem apoio urgente para garantir que os brasileiros em missão oficial sejam retirados com segurança.
Enquanto isso, prefeitos, vice-prefeitos e secretários brasileiros continuam em abrigos, tentando manter a calma. Além disso, Sem previsão de retorno e com o céu fechado por mísseis e incertezas, o grupo aguarda que as negociações diplomáticas tragam uma solução para sair de uma zona de guerra.






