Exclusivo: Moradores desalojados após deslizamento da Mina Turmalina, em Conceição do Pará correm risco de despejo de hotel, às vésperas do Natal

Publicado por: Redação

As famílias que moravam na comunidade Casquilho de Cima, em Conceição do Pará, seguem em meio a um cenário de incerteza, medo e muitos questionamentos. Desde o último dia 7, quando uma pilha de rejeitos desabou na Mina Turmalina e atingiu várias casas da comunidade, a vida das pessoas virou de cabeça pra baixo. Com a interdição de mais de 100 imóveis, os moradores tiveram que ser levados para abrigos temporários, incluindo hotéis em Conceição do Pará e em Pitangui. O problema é que agora, às vésperas do Natal, as famílias correm o risco de serem obrigadas a deixar um desses locais, mesmo sem terem para onde ir, somado ao fato da especulação dos aumentos abusivos dos alugueis nas duas cidades. 

O Divinews esteve em Conceição do Pará, ainda na última quinta-feira (12) em um Hotel Fazenda conversou um dos moradores que foram desalojados após o deslizamento na mina, que todos já foram comunicados pela direção do hotel que vão precisar deixar os quartos em breve, porque eles já estavam com reservas feitas por hóspedes a partir do dia 23 para o período de Natal e Ano Novo. Eles então, estão apreensivos quanto ao futuro.

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Para piorar, os moradores não estão encontrando imóveis para alugar por um preço justo. Sem empatia, mesmo diante da tragédia, as imobiliárias se aproveitaram da situação para inflacionar os preços. Casas que antes eram alugadas por no máximo R$ 1 mil, agora só estão disponíveis por cerca de R$ 2 a R$ 3 mil.

Nossa equipe tentou chegar até a comunidade para ver in loco os estragos causados pelo deslizamento, mas os acessos aos locais continuam fechados.

A área fica a poucos metros do Rio São João, e a preocupação é que além dos danos causados aos moradores da comunidade, o deslizamento na mina Turmalina pode se transformar em uma tragédia ambiental, caso os rejeitos cheguem ao rio. Enquanto isso, muitas informações estão sendo convenientemente escondidas pela empresa canadense Jaguar Mining, responsável pela mineração de ouro em Conceição do Pará.

Em 2019, a convite da própria Jaguar Mining, o Divinews esteve no local e participou de uma simulação na mina Turmalina. Na época, um engenheiro da empresa assegurou que a estrutura estava em plenas condições de estabilidade e segurança, fato que não se comprovou diante do que aconteceu este mês.

Em nossa ida até a comunidade após a tragédia, além de ouvir os moradores desabrigados, nós tentamos contato com a Jaguar Mining, mas ao saber da presença da nossa equipe, os técnicos da empresa simplesmente desapareceram do local, sem dar qualquer explicação aos vários questionamentos que precisam ser respondidos. Afinal, onde está a tal segurança que eles divulgaram em 2019?

A prefeitura, que ao longo dos últimos anos falhou na falta de fiscalização para acompanhar a real estabilidade e segurança da mina, também se mantém omissa diante da situação desesperadora das famílias. O prefeito José Cassimiro Rodrigues, que está se despedindo do mandato, está literalmente fugindo do problema, faltando pouco mais de 10 dias para o fim da gestão dele.

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O Divinews procurou o prefeito. Quando soube da intenção da nossa equipe em ouvi-lo, José Cassimiro fugiu para um velório, para se esquivar dos questionamentos. Diante da gravidade da situação e da necessidade de respostas por parte do município, fomos até o velório para encontra-lo, mas o prefeito fugiu do local, saiu correndo e entrou em um carro.

Em comunicados enviados à imprensa, a Jaguar Mining se limitou a dizer que está oferecendo suporte às famílias atingidas e trabalhando em medidas de contenção para evitar que os danos causados pelo deslizamento da mina se agravem. Mas não disse o que está sendo feito para garantir a estabilidade da estrutura, que registrou outros deslizamentos desde o primeiro dia da tragédia. E a prefeitura continua calada, mesmo diante de uma das situações mais críticas da história do município.

Enquanto isso, as centenas de moradores afetados pelo desmoronamento da mina seguem em um cenário de incerteza. Correndo o risco de serem despejados dos hotéis em que estão, e sem nenhuma previsão de poderem voltar para casa. E sem resposta por parte da prefeitura, nem uma ação efetiva para garantir a real segurança da mina, a tragédia pode só aumentar.

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