A Caixa Econômica Federal anunciou nesta sexta-feira (22), no Diário Oficial da União, a demissão por justa causa de Antônio Carlos Ferreira de Sousa, ex-vice-presidente do banco, após investigações comprovarem acusações de assédio sexual e moral. O desligamento, determinado pela Controladoria-Geral da União (CGU), ocorre mais de um ano após as denúncias serem levantadas durante a gestão do ex-presidente Pedro Guimarães.
Sousa, funcionário de carreira da Caixa, estava afastado de suas funções desde julho de 2022, quando as primeiras denúncias de assédio surgiram. Apesar de já não ocupar mais o cargo de vice-presidente de Estratégia de Pessoas e Logística e Operações, ele continuava trabalhando no banco até o momento da demissão.
As acusações contra Sousa foram investigadas pelo banco, que abriu um canal de denúncias interno, o “Contato Seguro”. A investigação seguiu as regras de governança e foi conduzida pela corregedoria da Caixa. A conclusão das apurações foi enviada à CGU em outubro de 2023, e, com base no relatório final, a decisão de demissão foi tomada.
Além de ser demitido, o ex-dirigente está proibido de ocupar cargos públicos ou funções de confiança no Governo Federal pelos próximos oito anos. A Caixa afirmou em nota que não tolera nenhum tipo de assédio em sua instituição e que tomou todas as medidas dentro dos parâmetros da administração pública para resolver a situação.
O Caso Guimarães: Contexto e Desdobramentos
Este não é o primeiro episódio envolvendo acusações graves de assédio na gestão de Pedro Guimarães na presidência da Caixa. Em junho de 2022, denúncias semelhantes surgiram contra o ex-presidente, levando à sua renúncia no dia seguinte à divulgação dos relatos. Além de Guimarães, outros vice-presidentes e diretores da instituição também foram acusados de assédio moral e sexual.
Guimarães, atualmente réu em um processo por assédio sexual e moral, tem negado as acusações. Em outro caso, ele foi condenado a pagar R$ 3,5 milhões por forçar funcionários a realizar flexões em um evento. No total, a Caixa já desembolsou cerca de R$ 14 milhões em indenizações relacionadas a esses casos, após fechar acordos com o Ministério Público do Trabalho, evitando multas que poderiam ultrapassar os R$ 300 milhões.
Investigações e Consequências Legais
Em relação ao ex-presidente da Caixa, além das ações civis, a Comissão de Ética da Presidência da República aplicou uma “censura ética” a Guimarães, penalidade considerada leve, que serve de advertência a autoridades que deixam o cargo. A ação judicial contra ele ainda está em fase de audiências na Justiça Federal.
A Caixa, por sua vez, tem seguido as orientações de órgãos responsáveis e afirmado que as medidas adotadas estão dentro de seus princípios de governança e compromisso com a ética.






