Na manhã desta sexta-feira (25/10), em Brasília, foi assinado o Novo Acordo de Mariana, o maior pacto socioambiental do mundo, com um valor impressionante de R$ 170 bilhões. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, destacou que este acordo representa um passo crucial para a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, que vitimou 19 pessoas e devastou a região, lançando lama em mais de 600 quilômetros do Rio Doce. Zema, junto com representantes do Governo do Espírito Santo, da União e das mineradoras envolvidas, Samarco, Vale e BHP, enfatizou que a reparação deve ser justa e significativa para os afetados.
Durante a coletiva de imprensa, Zema não hesitou em criticar a atuação da Fundação Renova, apontando que, ao longo de quase nove anos, mais de R$ 30 bilhões foram gastos em consultorias, mas com poucas realizações concretas em benefício das vítimas. Ele classificou a situação como uma “injustiça” e afirmou que, a partir da homologação do acordo, a fundação será extinta. O governador ressaltou que, com o novo pacto, espera-se uma ação mais efetiva e menos burocrática para promover a recuperação da bacia do Rio Doce, que tem sofrido até hoje com os efeitos do desastre.
Zema também lembrou as mais de 300 reuniões realizadas para alcançar esse novo entendimento, reiterando a importância da união entre os diversos entes federativos e a população afetada. O objetivo é agir de maneira conjunta, superando as diferenças, para que ações concretas finalmente cheguem àqueles que esperam por reparações há quase uma década. Ele mencionou o Acordo Judicial de Brumadinho como um exemplo positivo de como deve ser a reparação. A comparação entre os dois acordos evidenciou as falhas do acordo de Mariana, que até agora tinha apenas metade de suas 832 propostas de ação cumpridas.
Além disso, o novo acordo inclui a destinação de R$ 132 bilhões em novos recursos, sendo R$ 127 bilhões destinados à bacia do Rio Doce e R$ 5 bilhões a ações compensatórias em outras áreas. Zema anunciou que as mineradoras terão a obrigação de realizar investimentos significativos em recuperação ambiental e infraestrutura, além de finalizar os reassentamentos de comunidades afetadas, como Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. Os municípios impactados também serão beneficiados com investimentos diretos, que visam fortalecer a economia e melhorar a vida da população local.
Uma das inovações do novo acordo é o investimento em saúde, com a criação de um fundo perpétuo que terá cerca de R$ 8 bilhões disponíveis, além de R$ 12 bilhões para ações coletivas. O acordo também prevê melhorias na infraestrutura rodoviária da região e ações voltadas para a prevenção e resposta a enchentes. Com essas iniciativas, o governo espera iniciar um novo ciclo de desenvolvimento para a bacia do Rio Doce, promovendo não apenas a recuperação ambiental, mas também o fortalecimento econômico das comunidades afetadas.
O novo pacto representa um recomeço e a esperança de que a tragédia de Mariana, que impactou tantas vidas, finalmente comece a ser reparada de maneira justa e eficaz. A expectativa é que, após quase uma década de espera, a população da região veja mudanças reais e significativas em suas vidas, contribuindo para a construção de um futuro melhor e mais sustentável, e, principalmente, para que desastres como este não se repitam.






