O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, usou suas redes sociais, na última terça-feira (13/8), para expressar sua frustração com a queda de engajamento em seu perfil no Instagram, acusando adversários políticos de sabotagem. Ele afirmou que, desde que assumiu o cargo, tem sido alvo constante de fake news e mentiras, uma situação que, segundo ele, tem se intensificado com a proximidade das eleições.”Quem me acompanha sabe, desde quando me tornei prefeito, é só fake news e mentiras em cima de mim. E agora, pra piorar, que tá chegando aí as eleições, eles tiveram a capacidade de ficar me denunciando no Instagram, e agora meu engajamento chegou a zero”, desabafou o prefeito.
Gleidson argumenta que o Instagram é o principal meio de comunicação que ele utiliza para se conectar com a população, já que, conforme destaca, não usa fundo eleitoral nem investe em outras formas de divulgação. Ele demonstrou sua preocupação com a queda de alcance de seus vídeos e lives, o que, segundo ele, prejudica sua capacidade de comunicar sua gestão e promover sua pré-campanha.
O prefeito apelou diretamente à população, pedindo que seus seguidores ajudem a compartilhar seus conteúdos por meio de outras redes, como WhatsApp e stories, para compensar a queda de engajamento na plataforma. “Eu peço a todos vocês que, quando chegar um vídeo aí do Gleidson, que vocês possam multiplicar nos WhatsApp, mandar aviãozinho, stories pra família, porque é o único meio de comunicação que eu tenho e eu conto com todos vocês pra poder multiplicar pra mim, beleza? Tamo junto”, disse.
Em novo vídeo, publicado nesta quarta-feira (14/8), o prefeito reafirma que precisa das redes sociais para desmentir construções da oposição, sobre o lixão, Copasa e taxas abusivas.
Essa é a versão de perseguição relatada por Gleidson não não tem amparo técnico. Visto que, a Meta, dona do Instagram, Facebook entre outras plataformas, ainda em 2023, e reforçou em fevereiro de 2024, que seu algoritmo parasse de recomendar conteúdos políticos, principalmente para não seguidores no Instagram. Adam Mosseri, chefe do Instagram alertou que não seriam “encorajados” política e “Hard News” nas plataformas.
O impacto afetou drasticamente sites de notícias, páginas com conteúdo político e claro, a classe política. Para medir este impacto, um consultor de tecnologia de rede sociais, organizou um levantamento de dados de todos os deputados federais. Os resultados foram bastante interessantes, diz ele.
A metodologia utilizada foi separar os meses de março e abril de 2023 e compará-los com os de 2024. Os resultados chamam a atenção. Os deputados receberam 19% menos reações nos meses de 2024 em comparação com 2023, mesmo que tenham crescido em média 25% em número de seguidores entre os dois períodos.
Estamos falando de 45 milhões de engajamentos a menos apenas nos dois primeiros meses de impacto das novas regras da Meta. Em matéria recente, o The Washington Post apontou que os 25 maiores jornais americanos perderam mais de 70% dos engajamentos entre 2022 e 2024.
Vale destacar que estamos falando de reações (curtidas, comentários, compartilhamentos, salvamentos…), ou seja, o impacto é muito superior se pudéssemos analisar o número de impressões e reproduções de Reels, por exemplo.
Mesmo com a aproximação das eleições municipais, o contexto não é diferente para os prefeitos com redes mais engajadas do país. O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, saiu de 113 mil seguidores em abril de 2023 para 372 mil seguidores em 2024. Um crescimento de sua base de fãs de 229%, porém, quando olhamos para as reações, suas reações são apenas 23% superiores ao período analisado no ano passado.
A mesma desproporção acontece com JHC de Maceió e com Eduardo Paes do Rio de Janeiro. Paes cresceu 40%, enquanto suas reações cresceram apenas 19%.
Independente de mudanças e seus impactos, a Meta será em 2024 a principal plataforma de mídia social. Os gastos com publicidade política devem crescer em mais de 200% em 2024 em relação a 2020, destacando a importância da plataforma nas campanhas eleitorais.
A porta-voz da Meta argumenta que essas mudanças são em resposta ao feedback dos usuários, enfatizando o desejo de menos conteúdo político e mais controle sobre seus feeds. Essa mudança reflete uma tendência mais ampla de afastamento de notícias e política nas plataformas de mídia social, levantando questões sobre onde as pessoas buscarão informações no futuro.
Pesquisas sugerem que as mídias sociais desempenham um papel crucial em informar os usuários sobre eventos atuais e política, com a exposição não intencional a conteúdo político aumentando o conhecimento e a conscientização. No entanto, a diminuição do foco da Meta na política pode alterar essa dinâmica, exigindo uma reavaliação das estratégias de campanha.
Em resposta às políticas em evolução da Meta, as campanhas políticas estão explorando métodos alternativos para alcançar os eleitores online, como publicidade digital e mobilização popular. À medida que os usuários encontram menos notícias e conteúdo político em seus feeds, a importância dos anúncios de campanha pode se intensificar.
No entanto, as implicações mais amplas das mudanças da Meta em relação à política ainda estão por serem vistas, deixando políticos e eleitores navegando por um cenário digital em constante mudança para as próximas eleições.
- O algoritmo da Meta é um sistema que utiliza a inteligência artificial (IA) para escolher o conteúdo que é mostrado aos utilizadores nas redes sociais Facebook e Instagram. O algoritmo prioriza o conteúdo de círculos virtuais, como amigos, páginas que os utilizadores seguem e grupos que frequentam. O algoritmo também combina informações do histórico de interações dos utilizadores com os autores de determinados posts. Por exemplo, o algoritmo do Instagram olha para as postagens com as quais o utilizador interagiu no passado e descobre quais outras contas interagiram com essas postagens e em quais outras contas elas estão interessadas.
- O algoritmo também analisa como as pessoas interagem com contas específicas para conseguir recomendar conteúdos de interesse. Por exemplo, o algoritmo do Instagram pode punir contas que republicam conteúdos, como páginas agregadoras de memes, e não as recomendar na área de Explorar e no feed principal dos utilizadores.
- A Meta continua a aperfeiçoar os seus algoritmos e divulgou o que os algoritmos levam em conta na hora de decidir o que aparece ou não no Facebook e Instagram. A Meta divulgou estas informações não só por bondade, mas também para adiantar sobre a legislação da União Europeia, que a partir de 2024 exigirá que as empresas de tecnologia e serviços online atuem de modo mais transparente em relação aos seus algoritmos.






