Mãe passa mal em seção da Câmara de Divinópolis e reafirma que filha foi enviada da UPA para Oliveira já morta

Publicado por: Redação

Na tarde desta terça (18), Ana lúcia Ferreira Duarte compareceu à tribuna da Câmara Municipal de Divinópolis para falar de mais um suposto caso de negligência médica na UPA Padre Roberto, o qual culminou na morte da filha Isabela Cristina Cordeiro há cerca de três meses, depois de ter tido pedra na vísicula e demais complicações de saúde. Visivelmente comovida e desestabilizada emocionalmente, a mãe afirmou que ninguém fez nada para ajudar. Em sua fala, ela alegou que o Deputado Eduardo Azevedo supostamente teria oferecido ajuda, porém não teria conseguido a tempo e, por isso, Ana também o responsabiliza pelo óbito. Neste instante inclusive foi interrompida e chamada atenção pelo presidente Israel da Farmácia, que ressaltou que ela não poderia citar nomes e só falar do assunto da inscrição. Ainda de acordo com a mãe, a filha morreu na frente dela e foi transferida para Oliveira, para não “manchar” a reputação dos gestores da unidade, gerida pela IBRAPP, para além do político que se comprometeu com ela. A reunião foi interrompida por cinco minutos e a mulher foi conduzida para uma sala atrás da plenária, onde foi auxiliada pelos funcionários do Legislativo e alguns parlamentares.

Ana Lúcia inicia sua fala.  “Boa tarde, meu nome é Ana Lúcia, eu sou a mãe da Isabela, que hoje está fazendo três meses que minha filha faleceu na UPA, por negligência, por falta de atendimento. Ela ficou internada, só que eles não fizeram nada. Minha filha ficou internada do dia 15 ao dia 18, com pedra na vesícula, pancreatite aguda. Ela morrendo lá aos poucos e ninguém fez nada. O Eduardo Azevedo, eu liguei para ele, mandei mensagem para ele, ele falou comigo que estava arrumando a vaga para ela, só que ele não fez nada.”, abriu a tribuna.

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Na sequência, o vereador Israel da Farmácia, presidente da Câmara a interrompe: “Senhora Ana Lúcia, não pode usar nome de político nesse momento, para falar da negligência da UPA, não atacar outros políticos, somente a negligência da UPA.”, interrompeu.

A mãe prossegue e para além de responsabilizar a UPA Padre Roberto, ressalta que tentaram transferir a responsabilidade da unidade e os citado, para que os mesmos fossem absolvidoss de culpa. “Estou falando porque ele me prometeu. E aí não fizeram nada, nada por ela. Ela morreu, morreu no dia 18, hoje está fazendo três meses, minha filha tinha 27 anos só. Ela morreu, eles encaminharam ela morta para a Oliveira. Eu sei que ela estava morta porque eu sou cuidadora, eu vi minha filha morrendo. Eu vi minha filha morrendo, ela morreu na minha frente. Para tirar a culpa da UPA, eles levaram ela para a Oliveira. Só que pura mentira, pura mentira, ela morreu na minha frente. No caminho, o médico não estava olhando ela, dentro da ambulância do SAMU, ele não estava olhando ela, ele estava olhando para mim.”, ressaltou.

Ana Lúcia complementa. “Ele me deixou na frente com o motorista, ele não olhava para ela. E foi conversando comigo, perguntando sobre ela. Eu escutei um barulho lá atrás, perguntei se lá era ela respirando, o motorista falou assim, que lá é só o aparelho. Eu falei, mas nada não, minha filha estava morta. Chegando lá, eles não fizeram nada. Ele entrou em uma sala, pôs ela perto do necrotério, tinha um vidro, uma porta de vidro, eu vendo ele, pôs ela lá e saiu para lá, ele não chegou perto dela, depois chegou perto de mim e falou que ela tinha falecido. Só que lá na UPA, na hora que ela morreu, a vaga saiu como se fosse um passo de mágica. Eu estava três dias esperando a vaga e não saiu. Na hora que ela morreu, a vaga saiu. Antes de eu sair da sala vermelha, a vaga saiu. Mentira de que povo! O prefeito não fez nada. Eu fiquei fazendo dança, ele foi lá na UPA, ficou cinco minutos lá dentro.”, complementou a mãe de Isabela.

A tribuna relembra a morte do pai do prefeito, do deputado e senador, Zé Maria, para que se colocassem no lugar dela no momento de aflição e luto. “O pai dele morreu, estava lá no hospital, num hospital particular. Por que ele não levou o pai dele para a UPA? Se a UPA é tão boa, por que não levou ele para lá? Não desejo mal para ele, não. Mas o dia, prefeito, que se um filho seu, uma mãe, um irmão, seis que for morrer, adoecer, leva para a UPA. Se a UPA é tão boa, leva para lá, então. Leva para lá. Porque se você está aí hoje, foi à custa dos pobres, não foi dos ricos, não. Foi aos pobres que te pôs a ser rico. E hoje, a gente precisa de vocês, a gente tem que implorar.”, relembrou.

Ana afirma entristecida que sua vida acabou e volta a desabafar com a unidade pelo falecimento da filha. “Eu beijo minha neta. Minha caçula, ela deixou uma menininha de quatro anos. Que a menina chora. A minha vida acabou. Dos meus filhos, acabou. E isso, na ambulância, quando foi levar, eles não deixaram nem o marido dela ver ela, não deixaram os meus filhos ver ela. O marido da minha filha não deixou. Por que não deixou se ela estava viva? Se ela estava tão ruim, eles tinham que estabilizar ela primeiro, para depois encaminhar. Por que não levou para São João, se ela estava tão mal? Por que teve que levar para Oliveira? Não ligaram a sirene, não foram correndo, trocaram de motorista no caminho. Tudo isso eu falei lá na UPA, lá no SAMU. Eu já fui no SAMU também. Só que eu quero a resposta. Por que levaram ela morta? Só isso que eu quero saber. Por quê? Se a gente já estava sofrendo tanto? Minha filha tinha 27 anos, era uma mãe de família, era uma menina trabalhadora, era uma menina alegre, bonita. Acabou com a minha vida, gente. Acabou com a minha vida.”, desabafou a mãe.


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