Nasceu Ravi, o primeiro bebê fruto dos tratamentos realizados no Ambulatório de Infertilidade do Hospital Júlia Kubitschek (HJK) após a retomada das cirurgias eletivas no pós-pandemia. O nascimento, ocorrido no último 28 de maio, marca a realização do sonho de Talita Stefânia Araújo Mendonça, 36 anos, e seu marido Carlos Henrique Mendonça, 37 anos, que buscaram tratamento após um aborto espontâneo em 2020. A criança chegou ao mundo saudável, pesando 3,265 quilos e medindo 46 centímetros, no dia 28/5, após uma cesárea em uma maternidade na cidade de Divinópolis, onde vivem os pais. Talita, professora, foi a primeira paciente operada no ambulatório após a suspensão das cirurgias devido à pandemia de COVID-19. A mãe descreve o momento como “um misto de emoções, principalmente felicidade.” Carlos, seu marido, também estava presente e compartilhou da mesmo sentimento.
Após quase quatro anos tentando reverter o diagnóstico de infertilidade causado por alterações nas tubas uterinas, Talita foi encaminhada ao Ambulatório de Infertilidade do HJK no final de 2022. A cirurgia ocorreu em 12 de julho de 2023, e, surpreendentemente, Talita engravidou 40 dias depois. “Saí da cirurgia já acreditando que logo estaria grávida. O Hospital Júlia Kubitschek me trouxe esperança”, conta ela.
Segundo o ginecologista especialista em reprodução humana e coordenador do Ambulatório de Infertilidade do HJK, Fábio Costa Peixoto, o planejamento da professora Talita de dar um irmão ou irmã a Ravi é possível. “Resolvido o problema de infertilidade, os casais podem ter quantos filhos quiserem. Em alguns casos, mantemos o tratamento para novas gestações”, explica Peixoto.
De 2015 a 2019, o Ambulatório de Infertilidade do HJK, que faz parte do Complexo Hospitalar de Especialidades (CHE) da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), atendeu mais de 3,3 mil pessoas. “É fundamental analisar bem cada caso e realizar exames específicos, pois 40% das causas de infertilidade são masculinas, outros 40% são femininas e 20% são do casal”, esclarece Peixoto.
O ambulatório identifica as causas da infertilidade e realiza tratamentos e procedimentos para melhorar as taxas de gravidez, como alternativa à fertilização in vitro. São realizadas intervenções de baixa complexidade, inclusive cirurgias, e o serviço funciona duas vezes por semana, com um dia dedicado às cirurgias, atendendo pacientes encaminhados via SUS.
Conscientização Sobre Infertilidade
O mês de junho é dedicado à conscientização sobre a infertilidade humana, um tema de saúde pública, especialmente no contexto de declínio das taxas de fertilidade global. “É essencial disseminar informações sobre tratamentos disponíveis na rede pública e privada, além de formas de prevenção ou reversão da infertilidade em homens e mulheres”, destaca Peixoto.
A infertilidade, uma doença do sistema reprodutivo masculino ou feminino, é a incapacidade de conseguir uma gravidez após um ano ou mais de relações sexuais sem proteção. As principais causas estão relacionadas às tubas uterinas, ovários e produção de sêmen, responsáveis por 75% dos casos, enquanto miomas, septo uterino, endometriose e fatores genéticos representam 15%. Consultar um médico ao iniciar a vida adulta é recomendado para investigar fatores que podem afetar a fertilidade.






