Por Laiz Soares: Um dado que só cresce, a violência política


Quando contei para meus pais que seguiria na política, vi a preocupação e o medo de minha mãe temendo pela minha segurança. Essa preocupação em momentos difíceis se tornou pedidos, para que eu deixasse de lado este meu sonho e também meus choros pelas coisas que ela me vê passar, principalmente através de ataques virtuais – A violência política sempre fez parte da história brasileira, no interior mineiro em muitas cidades ainda vemos ela de forma primitiva envolvendo “coronéis” da cidade e as famosas disputas familiares. Essa não é uma realidade distante, mas esse ano nos vemos cercados de medo desse cenário. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, 8 em cada 10 brasileiros acreditam que teremos mais casos de violência política em 2022.

Em Divinópolis, ainda este ano vimos ataques de apologia nazista ao Conselho da Igualdade Racial. Onde está a nossa segurança quando não temos nem mesmo o direito de exercer livremente a democracia?

Antes mesmo do ano começar, 2022 já indicava ser um ano de violência no âmbito político, mas ainda assim os números e a quantidade de casos que vemos todos os dias é assustador. A violência política cresceu 335% no Brasil em três anos. E em 2022, apenas em 2022, 45 lideranças políticas foram vítimas de homicídio.

De 2019 até junho deste ano, 1.209 ataques a políticos aconteceram no Brasil. Somente no primeiro semestre de 2022 foram identificados 214 registros de violência, enquanto o país teve 47 casos no mesmo período de 2019, ano em que o estudo começou.

Como podemos dizer que somos um país livre se a violência nos prende dessa forma? Um país democrático deve assegurar o diálogo entre iguais! Nossa Constituição promove, em seu artigo 4°, a defesa da paz, mas como não se preocupar quando essa é a realidade do país?

No começo de julho vimos mais um episódio terrível desta onda de violência, um homem foi morto em seu próprio aniversário simplesmente por escolher um dos candidatos à presidência como tema na festa. Um dia em que se comemoraria a vida foi marcado por um homicídio.

Em momentos como esse entendo a preocupação de minha mãe, no Brasil fazer política não é simples e envolve violência e ódio de todos os lados. Não podemos deixar a intolerância vencer, o diálogo entre diferentes precisa se tornar um valor em nossa política.

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