Por Laiz Soares: O que importa é parecer ser, seja em Brasilia ou em Divinópolis


Acho difícil algum município do Brasil ter a sua própria versão local da família Bolsonaro, mas Divinópolis tem. E qualquer semelhança, para o bem ou para o mal, depende do ponto de vista, não é mera coincidência. Ambas famílias fazem parte de um fenômeno recente na política brasileira: a de políticos que exercem práticas das mais antigas, mas que conseguiram e seguem conseguindo dar a isso a cara de novo, de mudança, de renovação. Não tem nada mais antigo do que a “política velha” no Brasil, do carreirismo de famílias que vão usando da sua força política e   influência para eleger seus parentes (filhos, irmãos, esposas), através do uso do sobrenome, da estrutura de poder que um mandato traz, para colocar mais gente próxima na política.

Tudo isso via voto, de forma legal, claro que não tem crime nenhum, apesar de ser imoral e corroer a democracia, impedindo de fato uma alternância de poder  e renovação dos quadros. Não é nada de “arrumar um cargo” como dizem para justificar que não fazem nepotismo. “Foi o povo que escolheu, não coloquei ninguém lá”.  Mas sempre foi o povo que escolheu políticos das tradicionais famílias brasileiras donas do país: famílias Calheiros, em Alagoas; família Neves e Andradas em Minas; Sarney, no Maranhão; Barbalho no Pará; e os Gomes (Cid e Ciro), no Ceará, enfim todos os membros sempre foram eleitos pelo povo.

O povo sempre escolhia, na verdade era induzido a escolher, e o que era decisivo para essa escolha era justamente usar da boa relação, da confiança, da tradição e conhecimento que as pessoas tinham sobre aquela família para induzir e iludir as pessoas a votar nos seus candidatos de confiança. É como se aquele político fosse se multiplicando em vários para ir aumentando cada vez mais sua influência e seu comando, para que naquele território ele tivesse o poder máximo de decidir os rumos da política, é o famoso “coronelismo”.

A política brasileira sempre teve “monopólio de sobrenomes”. Isso faz parte do fenômeno histórico do patrimonialismo, que é a apropriação das mais diversas formas para interesses privados de tudo aquilo que é público, algo que explica o Brasil de hoje e que vem se modernizando e atualmente encontra na família Bolsonaro seu exemplo mais perfeito.

O presidente passou mais de 20 anos encostado nos porões do submundo da política no Congresso Nacional sem ter feito muita coisa que preste, tendo aprovado quase nenhum projeto relevante para o país ao longo de décadas. Porém, mesmo assim, Bolsonaro conseguiu convencer as pessoas de que ele representava o novo, a mudança e o fim da velha forma de se fazer política. Ele se tornou o representante da moral  e do combate à corrupção. Ele se apresentou como a nova política, sendo que era o símbolo da mais velha política possível, e o povo, exausto de ser enganado e desesperado por mudança, adivinha: mordeu a isca e se enganou mais uma vez!

Bolsonaro e seus filhos sempre fizeram da política um meio de vida e tudo indica que um meio de enriquecimento ilícito (haja vista a mansão de 6 milhões de reais comprada por Flávio Bolsonaro em Brasilia recentemente e que está sob investigação já que ele não teria renda comprovada compatível para isso, dentre outras investigações em curso como montagem de organização criminosa). É o famoso carreirismo na política, que vê nela uma forma fácil de ganhar a vida, trabalhar quando e como quiser e ganhar muito (ás vezes tirando mais por for a além do salário oficial, que já é alto).

Mas isso tudo é detalhe. O que importa mesmo é se vestir e falar de forma simples, usar caneta bic, falar errado, gravar vídeo comendo marmita. O povo cai que nem um pato, morde a isca.

O Jair deu um jeito de gastar milhões no cartão corporativo, ter férias caríssimas e ainda conseguir aumentar o teto do funcionalismo para subir o próprio salário. Mas quem liga? Ele é um homem do povo, gente como a gente, um homem iluminado por Deus que faz piada com a pandemia enquanto a população morre. Um líder que fala que a pandemia é só uma gripezinha, põe medo nas pessoas para que elas não se vacinem (sendo que essa é a única forma das pessoas se salvarem e não morrerem).

Um homem muito cristão e que vive na prática o cristianismo quando diz “e daí que tá morrendo gente, não sou coveiro”.  O homem honesto e trabalhador, homem de bem, correto, íntegro e inebriado, um exemplo para nossas crianças e para os homens de família desta nação. Este honesto cidadão de bem também já confessou que não quis denunciar para a Polícia Federal o esquema de propina que contaram pra ele com provas de que estava rolando superfaturamento na compra de vacinas feito pelo seu amigo deputado, líder do seu  governo na Câmara.

Ainda bem que eu sei que as instituições brasileiras são mais fortes do que isso, que a urna eletrônica é segura e é nela que Jair vai colher os frutos do seu ótimo trabalho e sua grande preocupação com o povo brasileiro. Isso claro, se ele não fizer essa colheita de todo bem que plantou  antes, sofrendo um impeachment. A esperança nunca morre e o impedimento ainda pode ocorrer, já que os crimes de responsabilidade só aumentam.  O castelo de areia já começou a ruir. Isso sim é bíblico: “quem constrói a casa em cima da areia é derrubado no primeiro vento, quem constrói sobre a rocha firme, nunca será abalado”. A rocha aqui é a verdade (que sim, liberta e está nos libertando) , a honestidade e o caráter.  Pobre Jair, um homem tão bom e honesto, tão injustiçado. Ainda bem que Deus é justo e irá julgá-lo como ele merece, já que a justiça na terra ele comprou, e o Procurador Geral da República Augusto Aras está calado fingindo que nada vê enquanto a investigação acontece. Ainda bem que eu creio em um Deus justo e onipresente, que tudo vê e para quem nenhuma falsidade e crueldade escapa.

Em Divinópolis vemos o mesmo fenômeno emergir (só que sem rachadinha e a roubalheira, pois ainda acredito que a honestidade é um grande diferencial positivo e de destaque da nossa versão mineira da família Bolsonaro). Tirando a parte da corrupção, ou seja, considerando que a nossa versão é honesta, de resto, o deslumbre pelo poder é o mesmo. O populismo, a truculência, a forma violenta de tratar as pessoas e os problemas, os ataques à imprensa, a impulsividade, a arrogância, a ignorância, o desequilíbrio emocional, o despreparo e a insegurança.

Temos a nossa versão de uma família onde, milagrosamente, por coincidência, a maioria dos membros nasceram com um chamado divino de servir com muito amor, devoção, abnegação e simplicidade ao povo. Pobrezinhos, tão simples, tão humildes, tão homens de bem, eles sim são gente como a gente, estão fazendo um sacrifício enorme para servir.

Abriram mão de uma carreira promissora e brilhante, repleta de grandes feitos, abriram mão de ganhar menos do que ganhavam anteriormente ou do que poderiam alcançar na vida com seu potencial e talento só para ajudar as pessoas, porque amam a cidade e o povo.

Que lindo! Isso sim, me dá esperança no Brasil!

12 comentários em “Por Laiz Soares: O que importa é parecer ser, seja em Brasilia ou em Divinópolis

  • 15 de julho de 2021 em 14:31
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    Muito bom o texto porque diz a verdade.
    São três exemplos do que não devemos querer para nos representar.
    O tal do vereador outro dia fez uma postagem mentirosa que envolvia o nome do Vereador de São Paulo Eduardo Suplicy, colocando-o quase como um pedófilo. Foi questionado por um internauta se havia lido o Projeto de Lei, que na verdade se referia a Economia Solidária. O arremedo de vereador nada respondeu. Depois o post foi denunciado como fake news e retirado do instagran. Se fosse honesto teria usado a mesma rede social para se retratar e pedir desculpas. Gente má educada! E fica posando de defensor da família. Eu é que não quero alguém com esse caráter na família.

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  • 14 de julho de 2021 em 08:13
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    Vou te apresentar essa laiz e uma perdedora de eleição que não aceita e fica com dor de Curvelo Azevedo no poder e fazendo um ótimo trabalho aceita que foi menos

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  • 14 de julho de 2021 em 06:26
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    Dor de cotovelo de candidata derrotada. Af!

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  • 13 de julho de 2021 em 20:38
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    Familia honesta essa. Hahaha. Quero ver é quando vai ser a próxima carreata do ” eu autorizo” aqui em Divinópolis! Quero ir la dar risada do gado.

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  • 13 de julho de 2021 em 14:31
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    Laís falou e disse tudo como é. E ponto final

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  • 13 de julho de 2021 em 09:36
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    Parabéns, excelente, só não enxerga quem não quer ver.

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  • 13 de julho de 2021 em 01:39
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    Gente inteligente é outro nível! Parabéns!

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  • 12 de julho de 2021 em 22:57
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    Não sei quem é essa Laiz Soares mas ela falou tudo. A família Azevedo diz que não é política mas é, diz que não é populista, mas é, diz que jogam pedra neles, mas é eles que jogam nos outros. Estão acostumados com shows, a origem deles é Brotos do Samba, são excelentes atores na arte de interpretar na política. O povo bobo cai. É a familia bolsonarinha de Divi

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Comentários

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