No reino da mentirinha foram chegando os conglomerados industriais de ponta. A imprensa glorificou, os semi-aculturados aplaudiram e o Midas escondeu as garras, fazendo-se de égua. Chamou-se o projeto de “Cidade Tecnológica”.
Industriais vieram da Índia, potestades da Coréia, da China, presentes estiveram os representantes de Adis Abeba e até os sauditas chegaram com seus fabulosos investimentos. Nossos técnicos estão para lá de convictos de que vocação se cria.
Ninguém os viu, mas vieram. Não houve coletiva de imprensa, nenhum sinal audível ou palpável, necas de Learjets, qualquer protocolo assinado, garantia alguma. Nenhum hotel os hospedou. Os garçons da Cervejaria não se lembram de ter servido sequer um Filé à Parmegiana naqueles dias. As comandas marcaram só Mexidão e porções de torresmo – eram eles, os investidores, astronautas?
“Oh! Que beleza!” – exclamaram os ardorosos.”
“OOOhhh!” rugiu a claque de carteira assinada.”
As autoridades foram entrando em formação por acreditarem nas finas vestes do líder, que no final das contas, como na fábula, não existiam. Mas estavam para ser adquiridas com o meu, com o seu dinheiro, porque afinal de contas o BNDES é nosso quando se trata de contribuir, mas é deles quando é para malbaratar.
Faz-nos lembrar a historinha de Luiz Fernando Veríssimo, na qual ele conta o caso dos dois espertalhões que ofereceram a um rei crédulo a única ave que ele não possuía na sua coleção, sem no entanto, identificá-las.
– Ela pia? – perguntava o rei.
– Rodopia! respondiam os dois malandros.
Como recompensa eles pediram a mão das duas filhas do rei e uma esquadra para procurar a ave que sempre estava do outro lado do oceano. Ele termina o conto dizendo: “E a todas essas o povo pagando!” A tal “Cidade Tecnológica” ainda vai dar pano para manga.

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