Jornalista e colunista de jornal impresso desconfia da pressão que está sendo feita para aprovar Cidade Tecnológica a toque de caixa

Publicado por: suporte

.

Por uma questão quase de elegância e estratégia vinha eu evitando abordar de
maneira mais direta o assunto Cidade Tecnológica vez que minha opinião sobre o assunto diverge da opinião deste Agora, apesar de sabê-lo extremamente liberal a tudo que tenho escrito.

Continua depois da publicidade

Porém, leio agora na edição da última sexta-feira, 31, página do colega Mercemiro O. Silva, onde ele pergunta: “— Que é isto de Cidade Tecnológica de que andam dizendo que uma será instalada nesta nossa Divinópolis? Sei muito pouco sobre a matéria, mas uma grande parte da população não sabe é nada.”

Acontece então, caro colega, que eu sei alguma coisa, por isso, quero compartilhar alguma coisa do que sei. Desde a primeira vez que ouvi falar sobre Cidade Tecnológica, me entusiasmei e fui atrás. Pesquisei, li, “guglei”, e fui à Câmara no dia em que o empresário propositor do projeto e seu filho faziam exposição do assunto para nossos digníssimos vereadores. Boa medida, pois depende deles, de alguma forma, aprovarem ou não novo zoneamento na zona rural — 5.000.000 de metros quadrados nas comunidades de Lopes, Branquinhos, Cachoeirinha e Choro — de propriedade do empresário, para se adequar à lei que exige somente ser plantada em solo urbano.

Ao fim da exposição Inácio Vasconcelos e eu quisemos usar da palavra para pedir algum esclarecimento, mas nos foi negada pelo presidente da Câmara que justificou a negativa para não quebrar o protocolo da casa, vez que sessão era para apresentar a novidade aos senhores vereadores que, por sinal, restaram apenas presente dois dos 17 Mas eu me entusiasmei com a Cidade Tecnológica. Fiquei sabendo que o trabalhador lá residirá, trabalhará em empresa não poluente, terá escolas, incluindo universidade, hotel de alto gabarito, esporte, entretenimento, tudo isto, sem ter que atravessar a cidade, dispensando acessibilidade. E a proposta ainda culminava com o aceno de 5.000 empregos. Resistir quem há de?

Mas dúvidas começaram a surgir: onde haveria antecedente exemplar no Brasil para a gente ir ver? E no exterior? Cidadão conceituado pediu empresa com CNPJ já compromissada de lá se instalar.

Não houve resposta. Falou-se apenas em parque tecnológico, tipo laboratório para faculdades, não mais; e surgindo novas preocupações quais sejam, a questão da infraestrutura hidráulica, viária, impacto de vizinhança, fontes e matas preservados por lei, e assemelhados.

Despertou mais desconfiança ainda o esforço, pressa e pressão, beirando à manipulação, verdadeiras correntes e campanhas para convencimento e aceite de projeto de si anunciado como tão alvissareiro.

Continua depois da publicidade

E a dúvida se instalou, principalmente, quando a argumentação cedeu lugar a acusações pessoais e desrespeito aos de opinião contrária que se chegou à desconfiança de que toda encenação sugeriria uma pesada especulação imobiliária e as consequências de um melancólico afavelamento como já visto em torno de grandes empresas, com benefício para poucos e malefício para muitos, mas, afinal o contraditório é saudável numa discussão que se quer democrática.

Espero ter, de alguma forma, contribuído com a divulgação e o conhecimento sobre a Cidade Tecnológica para o colega Mercemiro e outrem que, assim, terão mais oportunidade de um olhar crítico e comparativo sobre o assunto. O que aqui se pede é que deixem nossos vereadores trabalharem com calma, pensarem, comparar, estudar, pedir sobrestamento e tudo o mais que a lei faculta e concluir com segurança pelo sim ou pelo não. Que não decidam, como se diz vulgarmente, na base “goela abaixo”. Afinal, para isto vocês foram escolhidos por nós, povo, que lhe pagamos para nos representar e escolher sempre o melhor para a cidade, sem adesões interesseiras, com olhar crítico, segurança e responsabilidade.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados