A ditadura tem variadas faces. Ela pode não ser explícita, como se fazia nos tempos da Redentora, mas pode ser absorvida pela censura econômica, pela subversão e criação de estereótipos espertamente conduzidos por “boquistas profissionais”, grupos econômicos, e principalmente por gestores públicos. Mas a ditadura branca chega quase invisível; dissimulada, velada.
Uma imprensa independente e que não se verga pode ser a maior desgraça para os poderes oficiais. O implacável Hélio Fernandes foi o maior especialista em contrariar os militares com sua Tribuna da Imprensa. Enquanto durou, o regime militar carregou aquele calo na planta dos pés. Não havia acordo possível: oposição que perde a vergonha vira melado ou comida de gavião.
Os profissionais da comunicação de Divinópolis não descobriram ainda que a criação de um Sindicato de classe seria a salvação do jornalismo local. Sitiados, espremidos entre a necessidade de sobreviver e a consciência profissional, são escravos das editorias, a maioria delas plasmada ao governo, com todas as benesses decorrentes. Não podem escrever e nem falar “essa boca é minha”. Um Sindicato seria a redenção da classe, posto que dificultaria aos patrões as demissões sem justa causa, especialmente as movidas pela censura interna, a que o público não vê. Mas chegará o dia em que isto virá a acontecer. É natural. E poderá ser o fim da ditadura branca, a que impede a população de receber informações confiáveis, verdadeiras e consistentes.






