Caso Aline: crime sem solução

Publicado por: suporte

O arremate final veio após longos oito anos. Alívio para Camila Dolabella Silveira, Cassiano Inácio Garcia, Edson Poloni Lobo Aguiar e Maicon Fernandes Lopes. Os quatro foram absolvidos ontem da acusação de homicídio triplamente qualificado de Aline Silveira Soares. Desolação para a família da vítima, que dificilmente verá o crime solucionado, já que o Ministério Público optou por considerar o caso como encerrado. Contado como se tivesse ocorrido por influência do jogo Role Playing Game (RPG), o assassinato da estudante, que na época tinha 18 anos, deve ficar na história com um eterno ponto de interrogação.

As últimas dezesseis horas de debate entre acusação e defesa dos réus, com direito a réplica e tréplica, foram imprescindíveis para a decisão do conselho de sentença. Os três advogados dos acusados evidenciaram a falta de provas que vinculassem seus clientes ao assassinato. Até a promotora criminal Luíza Helena Fonseca admitiu em plenário haver falha na investigação do crime.

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Em um dos momentos de destaque dos trabalhos desse fim de semana, que exemplifica problemas na apuração, ela mostrou uma blusa da vítima que estava suja de sêmen e sangue. Esses vestígios poderiam levar ao suspeito, mas não foram coletados em tempo hábil. Três anos depois do crime, a promotora encontrou a veste guardada em um saco. “Tenho a mais absoluta certeza que essas falhas foram preponderantes para a sentença. Tentar recuperar provas depois de muito tempo é difícil. Os autos tem que ser feitos na época certa, as provas também”, afirmou.

Os sete jurados que compunham o conselho de sentença deliberaram pela inocência em pouco mais de uma hora. Quando o resultado estava para ser anunciado, o salão do Tribunal do Júri ficou aberto para os familiares e a imprensa. Às 5h15, a juíza Lúcia Albuquerque Silva pediu que todos ficassem de pé para a leitura da decisão. Depois de declarada a absolvição, os quatro considerados suspeitos rezaram um Pai Nosso e uma Ave Maria acompanhados dos parentes.

A mãe da vítima, Maria José Silveira Soares, se resignou diante do resultado. Ela não pretende recorrer da decisão e nem continuar as buscas pelo culpado do crime. “Pedi muito a Deus que me desse serenidade para aceitar o que viesse. Estou cansada, exaurida mesmo. Não vou continuar as buscas pelo assassino”, afirmou.

A promotora Luíza Helena também ressaltou que considera o caso encerrado. “A decisão dos jurados é soberana e não pretendo recorrer da decisão. Também não devo pedir a abertura de novo inquérito por não haver um fato novo. Pelo menos por enquanto, o caso está encerrado”, admitiu a promotora Luíza Helena.

Apesar de reconhecer alguns problemas para sustentar sua tese, a promotora afirmou que não havia pensado em pedir absolvição dos suspeitos. “Também não tinha elementos para isso. Sei que era difícil para o Ministério Público, mas não pensei em contrariar todo um trabalho. Respeito a decisão do júri.”

Tese. O Ministério Público defendia a tese de que Aline Silveira Soares havia sido morta em um ritual de magia negra, influenciado pelo RPG. O corpo desnudo da vítima estava no cemitério da Igreja Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, em posição de crucificação. A forma como ela havia sido deixada no local levantou a hipótese de práticas satânicas. Porém, a acusação não explicou a dinâmica do crime nem quem teria desferido as 17 facadas contra a estudante. Apesar de fazer associação com o RPG, devido aos materiais recolhidos na república Sonata, onde os três rapazes moravam, a promotoria não confirmou que os quatro suspeitos e a vítima teriam jogado durante os dias em que Aline esteve em Ouro Preto.

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