Policiais que mataram Jean Charles devem depor em inquérito

Publicado por: suporte

O inquérito começa na capital britânica nesta segunda-feira (22). Jean Charles de Menezes, de 27 anos, foi baleado sete vezes, em 22 de julho, um dia depois de uma série de tentativas fracassadas de atentados suicidas no sistema de transporte de Londres.

Cerca de 75 testemunhas serão ouvidas nos próximos três meses, inclusive 40 policiais na ativa a quem foi garantido anonimato, e usuários do metrô.
 
Os depoimentos serão ouvidos por um júri, que anunciará um veredicto determinando as circunstâncias da morte.
 
Parentes de Jean Charles de Menezes, que realizaram uma campanha para que os policiais envolvidos no caso sejam processados, vão realizar uma manifestação no local onde se realizará o inquérito. A família do brasileiro criticou o anonimato concedido a policiais em posição-chave no caso e a possível ocultação de documentos confidenciais por motivo de segurança nacional.
 
A mãe de Menezes, Maria, e o irmão dele, Giovani, viajam do Brasil para a Grã-Bretanha, e devem acompanhar os trabalhos do inquérito por um mês, à partir de 3 de outubro.
 
INVESTIGAÇÕES – No total, já são quatro as investigações sobre a morte do brasileiro, que resultou ainda em um julgamento criminal.
 
A primeira examinou as circunstâncias em que o brasileiro foi baleado e resultou em processo contra a polícia metropolitana, que foi considerada, em 2007, culpada de violar normas de procedimento, colocando a segurança pública em risco no episódio que resultou na morte do eletricista brasileiro, mas não pela sua morte.
 
Equipes de policiais à paisana seguiram Jean Charles de Menezes do momento em que ele deixou um conjunto habitacional onde, acreditava-se, também estaria um suposto militante suicida, Hussain Osman, e seguiu para a estação de Stockwell.
 
O brasileiro foi morto à queima-roupa dentro de um vagão do trem que havia parado na plataforma.
 
Uma outra investigação examinou as ações dos oficiais no comando horas depois que Menezes foi morto. Supostamente eles haviam divulgado informações imprecisas sobre a identidade da vítima. Este inquérito concluiu que eles não haviam planejado enganar o público deliberadamente, mas foram criticados pela forma como lidaram com as informações.
 
Um último inquérito foi estabelecido para analisar uma queixa da família Menezes sobre a forma como foi tratada após a morte de Jean Charles. Mas a queixa foi rejeitada.
 
A investigação que começa nesta segunda-feira é parte das leis de Inglaterra e País de Gales, que determinam que todas as mortes violentas devem ser apuradas. Este tipo de inquérito conta com um júri e é presidido por um juiz, mas é diferente de um tribunal criminal porque o juiz decide quem deve apresentar evidências para que toda a estória seja revelada para o júri.
 
Já os casos criminais ocorrem em torno de advogados que apresentam evidências e testemunhas que reforçam a sua versão dos acontecimentos.
 
ATIRAR PARA MATAR – Segundo a imprensa britânica, o caso deve selar o destino do chefe da polícia metropolitana, Ian Blair, muito criticado na época e hoje sob pressão por alegações de racismo na polícia e favorecimento de um amigo.
 
A polícia deve se defender procurando explicar a pressão que enfrentava após os ataques de 21 de julho de 2005. Também vai procurar defender a tática de atirar para matar que, alega, era a única forma de defesa contra um homem-bomba nas ruas de uma cidade britânica.
 
Neste sentido, o veredicto do inquérito iniciado nesta segunda-feira pode, em parte, ditar a forma que a ação de combate ao terror pode adotar futuramente no país.
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