Peça recria últimos momentos de Jean Charles em palco londrino

Publicado por: suporte

A peça, escrita por Kieron Barry, foi baseada em transcrições do inquérito sobre a morte de Jean Charles realizado no ano passado. “O que estamos realmente tentando fazer é recriar, momento a momento, o que aconteceu naquele dia – nos 33 minutos desde o instante em que ele saiu de casa até ser morto”, disse à BBC a diretora, Sophie Lifshutz.

Ela afirma que tentou adotar uma “abordagem reflexiva, balanceada e comedida”, e quer que a plateia chegue a suas próprias conclusões sobre o que aconteceu. “Estamos tentando passar uma ideia do caos e do medo, assim como das decisões que foram tomadas”.

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Brian Paddick, ex-subcomissário da Polícia Metropolitana de Londres, presente ao inquérito, assistiu a ensaios da peça e disse que ela é “razoavelmente equilibrada”. “Ela tenta mostrar todos os lados do argumento, tenta fazer com que as pessoas entendam a confusão que havia. Ela tenta mostrar a pressão que existia sobre os policiais”, disse Paddick.

Os fatos

É uma peça para os que têm estômago. A polícia londrina estava na caça de quatro homens que, no dia anterior, tinham tentado colocar bombas em trens do metrô e em um ônibus – replicando os atentados ocorridos no dia 7 de julho daquele ano.

As bombas tinham falhado, mas a polícia temia que os homens tivessem mais explosivos e pudessem tentar novamente ou que tentassem fazer ataques suicidas.

Os policiais seguiram um homem que eles acreditavam ser Hussain Osman – um dos envolvidos no atentado fracassado – até um trem do metrô na estação de Stockwell, no sul de Londres. O policial atirou nove vezes. A vítima morreu instantaneamente.

Mais tarde, revelou-se que o homem não era Osman e não tinha conexões com o terrorismo. Ele era Jean Charles de Menezes, um eletricista brasileiro de 27 anos que morava no mesmo prédio que Osman e se parecia vagamente com ele.

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Julgamento

Em dezembro passado, o júri no mais recente inquérito sobre a morte de Menezes rejeitou um veredito de homicídio justificado, optando por um resultado “inconclusivo”.

Ainda assim, Sophie Lifschutz disse que suspendeu seu próprio julgamento e espera que a peça fale por si. “É importante mostrar algum comedimento e leveza no toque, para que a história possa emergir e para que as palavras possam ressoar”, ela disse.

“Quero que a audiência seja confrontada e atraída. E quero que as pessoas sejam capazes de conhecer os fatos e tirar suas próprias conclusões”. A peça Stockwell está em cartaz no Landor Theatre, no sudoeste de Londres, até o dia 8 de agosto.

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