Júri dá veredicto ‘inconclusivo’ para caso Jean Charles; assista

Publicado por: suporte

Em entrevista coletiva após o anúncio do veredicto, na capital britânica, Patrícia da Silva Armani, prima de Jean Charles, disse que “a luta da família vai continuar”, apesar de os familiares ainda não terem decidido se vão seguir com outros processos judiciais.

“Não há dúvidas de que um veredicto de ‘homicídio injustificável’ (‘unlawful killing’) era o que nós queríamos”, afirmou Patrícia. “Mas vamos consultar nossos advogados e a campanha (Justice for Jean) para ver o que será feito.”

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Um advogado da família diz que o veredicto foi o melhor que eles podiam esperar, depois das limitações impostas pelo juiz-legista, que determinou que o júri só poderia optar por um veredicto de “lawful killing” (que a morte ocorreu como decorrência de ações que não feriram a lei; morte não-criminosa) ou um veredicto inconclusivo.

CLIQUE AQUI e assista reportagem da BBC Brasil sobre os últimos passos de Jean Charles

RENASCIDA – Através de representantes da família em Londres, a mãe de Jean Charles, Maria Otone de Menezes, disse em uma mensagem que está “muito contente” com a decisão do júri. “Quando soube, na semana passada, que o veredicto de ‘homicídio injustificável’ não poderia ser adotado, fiquei muito triste”, afirma a mensagem. “Mas agora me sinto renascida.”

Os jurados deveriam responder com “sim” ou “não” a 12 afirmações específicas sobre uma série de eventos ocorridos do dia 22 de julho de 2005, para decidir se eles contribuíram ou não para a morte do brasileiro.

A maioria do júri disse duvidar que o policial conhecido como C12 tivesse gritado “polícia armada” para advertir Jean Charles antes de abrir fogo.

Os jurados também discordaram da alegação feita por C12 durante o inquérito de que o brasileiro teria se levantado e se dirigido a ele, mesmo com uma arma apontada para sua cabeça.

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Eles ainda rejeitaram a afirmação de que o comportamento de Menezes havia levantado suspeitas.

ERRO TERRÍVEL – Após o anúncio do veredicto, o chefe-em-exercício da Polícia Metropolitana de Londres, Paul Stephenson, disse que a morte de Menezes foi “um erro terrível” que ele “lamenta profundamente”.  “Ele era inocente, e nós precisamos assumir total responsabilidade por sua morte”, afirmou. Segundo Stephenson, a polícia agora “aprendeu a diminuir a chance de algo parecido ocorrer novamente”.

Este foi o quinto inquérito sobre a morte de Jean Charles realizado na Grã-Bretanha. O júri ouviu o depoimento de cem testemunhas desde que o inquérito começou, em setembro, em Londres.

Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia de Londres em uma estação de metrô da capital britânica, em julho de 2005, ao ser confundido com um suspeito de tentativas de atentado ocorridas no dia anterior.

Em julgamentos anteriores, a polícia recebeu uma multa de 175 mil libras, mas nenhum envolvido foi considerado culpado.

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