O dirigente contestou os critérios adotados no Engenhão e concluiu a entrevista coletiva com uma defesa da profissionalização da arbitragem no Brasil.
O presidente iniciou sua entrevista lembrando que ele e o diretor de futebol do Cruzeiro, Eduardo Maluf, estiveram na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) horas antes da partida, em reunião com Sérgio Corrêa Correia, presidente da comissão de arbitragem. O intuito foi apresentar um protesto contra a arbitragem dos dois últimos jogos do Clube.
“É lamentável. Hoje (quarta-feira) o (Eduardo) Maluf ficou praticamente a tarde inteira na CBF conversando com o Sérgio Correia, mostrando os erros dos jogos contra Portuguesa e Vitória. O que a gente esperava de um juiz experiente como o Giulliano Bozzano era uma boa arbitragem. Mas o que nós vimos aqui foi um juiz que errou demais. O Camilo estava disputando uma bola, foi injusta a expulsão. E foram seis cartões amarelos para o Cruzeiro e um vermelho, e dois cartões para o Botafogo", protestou.
Alvimar reclamou veementemente contra a marcação do pênalti que, aos 33 min do segundo tempo, garantiu o resultado de 1 x 0 para o time carioca. O lance foi entre o zagueiro Thiago Heleno e o atacante Wellington Paulista na área.
“O pênalti foi absurdo. O Thiago Heleno contou no vestiário que disse para ele (o árbitro) que não havia encostado no jogador (Wellington Paulista). E ele (o árbitro) respondeu com toda a convicção: ‘se isso não for pênalti, eu paro de apitar’. Eu quero ver se ele é homem e vai parar de apitar”, bradou Alvimar.
O presidente afirmou que, assim como os jogadores, os árbitros deveriam ter uma preparação física adequada. Segundo ele, a má colocação teve papel preponderante na marcação de certas infrações. O exemplo mais questionado foi a falta marcada com a justificativa de que o goleiro Fábio teria saído da grande área com a bola nas mãos.
“Vejam vocês o quanto que é importante a condição física do árbitro. Na jogada do Fábio, ele estava muito mal colocado, praticamente próximo o grande círculo, e marcou aquela falta. Aquilo é lance do bandeira, que ficou quieto. Se ele marcou a falta fora da área, como tinha condição de ver aquilo, nem a televisão conseguiu mostrar”, afirmou.
Alvimar lembra que o futebol tem ganhado em credibilidade com clubes tradicionais disputando a Série B nos últimos anos. Ele lembrou que as famosas “viradas de mesa” para livrar os grandes do rebaixamento são coisa do passado.
“Claro que o futebol, hoje, ganhou muito em credibilidade com a queda do Botafogo, do Palmeiras, do Atlético recentemente com a queda do Corinthians. Mas a gente lamenta, porque futebol hoje é um produto extremamente caro, que mexe com a emoção de milhares e milhares de pessoas”, disse.
O presidente do Cruzeiro concluiu defendendo a profissionalização da arbitragem no país. Por se tratar o futebol de um produto caro e sério. Alvimar defende a participação dos clubes na remuneração dos juizes, para melhorar o nível da função no Brasil.
“Acho que a arbitragem no Brasil precisa ser profissionalizada urgentemente. Acho que nós dos clubes de futebol temos um pouco de culpa nisso. Temos que nos mobilizar, os Clubes e os presidentes dos Clubes, na próxima reunião do Clube dos 13”, afirmou.
“Estamos em fase de negociação final dos direitos de transmissão e captação (das partidas) com a detentora dos direitos. E recolher determinado percentual desse bolo que a TV paga para os Clubes e destinar para a arbitragem para ver se melhora o nível, porque dessa forma fica difícil de fazer futebol”, completou.
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