| JOTHA LEE |
| [email protected] |
Andar pelas ruas da cidade, conversar com eleitores e entrar nas rodas de bate-papo político ainda não nos dão uma dimensão do que está acontecendo na campanha eleitoral em Divinópolis. Nos bastidores, o negócio anda pegando fogo.
| ELEIÇÕES 2008 | |
| Foto: Divinews.com | |
| O promotor Calixto Oliveira |
O incêndio foi provocado pelo Ministério Público Eleitoral, ao pedir a impugnação de nove candidaturas, duas a prefeito. Os dois candidatos a cargos majoritários cujas candidaturas estão sob risco, não são dois nomes comuns. São duas “estrelas” da política da cidade. Afinal Rinaldo Valério é deputado estadual e ex-vice-prefeito, enquanto Galileu Machado já foi chefe do Executivo por três vezes.
O pedido de impugnação, no caso específico de Rinaldo Valério, foi por descuido ou desorganização do candidato. Afinal, quem pretende concorrer a cargo eletivo, precisa ter boa assessoria para cobrar os compromissos que não podem ser adiados. Deixar uma continha de mil reais sem pagar foi coisa de vacilão. Se a juíza Andréia Barcelos, que está com os processos de impugnação, aceitar o pagamento após a data, Rinaldo ainda estará dentro. Por outro lado, se ela aceitar esta situação, vai abrir um caso de jurisprudência em todo o país, afinal, a lei é federal, e determina que quem não estiver quites com a Justiça Eleitoral, não pode ser candidato. Se houver um precedente aqui pode haver uma corrida à Justiça de uma boa turma em todo o país que não andou pagando as contas em dia.
Já no caso de Galileu, a situação é muito mais preta. O promotor Calixto Oliveira Souza me disse que o candidato do PMDB responde “a uns 30 processos”. Foi assim mesmo que o promotor disse. E foi mais além: “Um candidato com esta ficha não tem conduta adequada para ser prefeito de Divinópolis”, disse o promotor.
Na verdade, o que o Ministério Público está fazendo é tão somente cumprir uma regra do TSE que orientou aos promotores e juízes a rejeição de candidatos cuja ficha estiver mais suja que poleiro de pato. Pelas informações da promotoria, são processos criminais e várias ações civis que investigam situações graves na passagem de Galileu pela Prefeitura. Ações que apontam para improbidade administrativa, desvio de recursos, fraudes em licitação, coisas realmente graves.
Portanto, se há uma orientação do TSE nesse sentido, fica muito difícil de Galileu escapar da impugnação. Para Rinaldo, a situação também não é fácil. Embora sua situação não esteja ligada a processos judiciais, o candidato do PSB deixou de pagar uma conta à Justiça Eleitoral dentro do prazo estipulado por lei federal. Por isso, provavelmente sua impugnação também seja liquida e certa.
Transporte coletivo
Gostaria de recomendar aos nossos candidatos a prefeito que, vez por outra, deixem seus carros em casa e encarem um ônibus da Trancid no horário de pico. Entre 17 e 19h. Façam isso e vocês certamente encontrarão milhares de motivos para tomar medidas concretas relacionadas ao transporte coletivo, não se limitando tão somente a conceder salgados reajustes ao vale-transporte.
Ônibus lotados, motoristas mal-humorados, atrasos, veículos velhos, enfim, um transporte de quinta categoria. E o vale-transporte daqui é um dos mais caros de Minas.
Quebra-quebra
Há cerca de 30 dias um ônibus da Trancid que fazia a linha Campina Verde/Padre Eustáquio, quebrou pouco depois do CSU, no bairro Interlagos. Dois problemas geraram o quebra-quebra. O primeiro deles, sem dúvida, a lata velha que estava sendo usada naquela linha e, o segundo, o excesso de passageiros. Havia cerca de 80 pessoas dentro do ônibus, que não conseguiu subir uma ligeira elevação na rua. Transtorno para todos. Para o usuário, que quer chegar em casa rápido, já que paga caro pelo transporte. Para os funcionários da empresa, que são hostilizados pelos passageiros. Agora, para os donos da empresa, nada acontece, porque em Divinópolis, empresa de transporte coletivo manda e desmanda. Manda prender e manda soltar. E não há lei capaz de mudar isso.
Bancos
Agências bancárias em Divinópolis também deitam e rolam. Aqui não há lei para esta turma. Em Patos de Minas, o Ministério Público tomou frente da situação e obrigou as agências bancárias da cidade a cumprir lei municipal que estipula prazo para atendimento dos clientes. E não tem conversa. Já em Divinópolis, uma lei municipal já criou telha de aranha nas gavetas. A lei, se não me falha a memória, é do tempo em que Beto Cury era vereador e determina prazo de 15 minutos para atendimento do cliente. Nenhuma agência nunca cumpriu e ainda houve gerentes na ocasião que afirmaram não haver obrigação de se cumprir lei municipal. Ficou o dito pelo não dito. Como sempre.
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade





