𝐀 deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT), de Divinópolis, estava por volta das 15h desta sexta-feira (9) na Superintendência da Polícia Federal, em Belo Horizonte, para denunciar uma nova sequência de ameaças de morte, estupro e ataques racistas que afirma estar sofrendo, segundo apuração exclusiva do Divinews. A informação repassada à reportagem é de que o volume e a intensidade dos ataques aumentaram depois que Ana Elisa assumiu publicamente uma participação ativa na campanha de Lula para o segundo turno presidencial. A jovem de 21 anos também está levando às autoridades a suspeita de que seu perfil no X, antigo Twitter, tenha sido invadido e utilizado para publicação de conteúdos falsos que passaram a circular intensamente pelo país.
A ida à Polícia Federal acontece em um momento de forte exposição nacional da deputada eleita. Ana Elisa deixou as urnas com 524.219 votos, transformou-se em um dos fenômenos eleitorais de Minas Gerais e, poucos dias depois, foi chamada para participar diretamente da reorganização da comunicação digital da campanha do presidente Lula. Sua capacidade de alcançar milhões de pessoas pelas redes sociais colocou a divinopolitana em uma posição que ultrapassa a atuação parlamentar que começará oficialmente apenas em fevereiro de 2027.
Ameaças envolvem morte, estupro e racismo
𝐒egundo as informações apuradas pelo Divinews, Ana Elisa está apresentando às autoridades materiais relacionados a ameaças de morte, violência sexual e manifestações racistas. Os ataques não começaram nesta semana. Durante a campanha eleitoral, a então candidata já havia denunciado mensagens desse tipo e registrado ocorrência, inclusive após receber comunicações em que o autor demonstrava conhecer dados pessoais e informações sobre sua família.
O que teria mudado agora é a intensidade. A avaliação apresentada à reportagem é de que a nova onda ganhou força depois que Ana Elisa passou a ocupar espaço de destaque na força nas redes da campanha de Lula. A deputada eleita participou nesta semana de encontros em Brasília com o presidente e outros parlamentares jovens, defendeu mudanças na estratégia digital do PT e passou a produzir conteúdo voltado diretamente para a disputa presidencial.
A origem política dos ataques ainda precisa ser investigada pelas autoridades. A informação de que eles partem de setores ligados à extrema direita integra a denúncia e a avaliação dos interlocutores da deputada, não sendo possível atribuir individualmente a autoria sem que os responsáveis sejam identificados.
Perfil no X também entra na denúncia
𝐀 situação ganha um segundo componente ainda mais delicado. De acordo com fonte ouvida pelo Divinews, Ana Elisa também relata que seu perfil no X, antigo Twitter, teria sido invadido e que publicações que ela afirma serem falsas começaram a ser apresentadas como se tivessem sido escritas por ela.
Esses conteúdos passaram a circular de forma acelerada nas redes sociais e alcançaram repercussão nacional. Parte deles envolve temas de forte impacto político e religioso, fazendo com que imagens atribuídas à deputada fossem replicadas por usuários e páginas em diferentes estados.
Ana Elisa nega a autoria de publicações que passaram a circular em seu nome e a informação levada à PF, segundo a fonte, é de uma possível invasão da conta. Até o momento, entretanto, não há comprovação técnica pública de que o perfil tenha sido efetivamente hackeado. A eventual invasão, a origem das postagens e a identificação de quem teria acessado a conta são justamente pontos que poderão ser analisados em uma investigação.
Posts falsos ganham alcance nacional
𝐎 problema para a deputada eleita não se limita à publicação original. Uma vez capturadas em imagens, as supostas postagens começaram a circular fora do próprio X, sendo reproduzidas em outras plataformas e grupos de mensagens. É esse efeito multiplicador que transforma uma possível invasão de conta em um episódio de violência política digital com potencial de produzir consequências para a imagem pública da parlamentar.
No ambiente eleitoral, um conteúdo falso não precisa permanecer muitas horas disponível para alcançar milhares ou até milhões de usuários. Capturas de tela continuam circulando mesmo depois que uma publicação é apagada ou uma conta é desativada, dificultando interromper a disseminação.
Por isso, além da apuração policial sobre as ameaças, a questão deverá envolver análise técnica de acessos, registros digitais e eventual identificação das contas responsáveis pela propagação dos conteúdos contestados.
Ana Elisa já estava sob proteção
𝐀 deputada eleita já havia tornado públicas ameaças recebidas durante a campanha para a Câmara. Entre os relatos estavam mensagens com conteúdo racista, misógino, ameaças de morte e violência sexual. A gravidade levou sua equipe a adotar medidas adicionais de segurança.
Naquele momento, as ameaças estavam relacionadas à própria candidatura de Ana Elisa, uma jovem negra disputando pela primeira vez uma eleição e alcançando grande audiência nas redes sociais. Por isso, é importante diferenciar os episódios anteriores daquilo que estaria ocorrendo agora.
A denúncia desta sexta-feira aponta para uma nova escalada, ocorrida justamente quando Ana Elisa ampliou sua exposição política e passou a se posicionar de forma ainda mais ostensiva no segundo turno presidencial.
De Divinópolis para o centro da campanha presidencial
𝐄m menos de uma semana, a trajetória política de Ana Elisa mudou de dimensão. A estudante de Direito e influenciadora digital que saiu da comunidade conhecida como Lajinha, no bairro São Luiz, em Divinópolis, terminou a eleição como uma das candidatas mais votadas para a Câmara dos Deputados em Minas e passou imediatamente a integrar discussões nacionais sobre a comunicação da campanha presidencial.
A deputada eleita defende que a esquerda precisa disputar as redes sociais com mais intensidade e linguagem própria para plataformas como Instagram e TikTok. Depois do primeiro turno, ela esteve em Brasília e passou a colaborar com a estratégia do presidente, tornando-se um dos rostos jovens da mobilização digital petista.
É justamente essa entrada acelerada no cenário político nacional que aumenta também sua exposição. O celular que ajudou a construir uma candidatura capaz de conquistar mais de meio milhão de votos transformou-se, ao mesmo tempo, no principal ambiente onde a nova disputa política acontece.
Polícia terá dois caminhos para investigar
𝐀 partir das informações apresentadas, existem pelo menos duas frentes distintas. A primeira envolve ameaças, racismo e violência política contra a deputada eleita, com necessidade de identificar autores, origem das mensagens e eventual organização coordenada.
A segunda envolve o ambiente digital e a alegada invasão do perfil no X. Caso essa hipótese seja formalmente investigada, será necessário determinar se houve acesso não autorizado, quando ocorreu, de onde partiu e quais conteúdos foram efetivamente publicados durante esse período.
São situações juridicamente diferentes, mas que podem estar relacionadas caso uma investigação encontre vínculo entre os responsáveis pelos ataques e a eventual utilização indevida das contas da parlamentar.
Caso acontece em plena batalha do segundo turno
𝐎 episódio ocorre quando a campanha presidencial entra em sua fase mais intensa. Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno no próximo dia 25, e as redes sociais passaram a ocupar ainda mais espaço na estratégia das duas candidaturas.
Ana Elisa entrou justamente nesse campo. Sua votação expressiva e seu alcance digital fizeram com que o PT enxergasse nela uma possibilidade de aproximação com eleitores mais jovens e usuários que consomem política predominantemente pelo celular.
Isso também significa que qualquer conteúdo atribuído a ela tende a ganhar velocidade muito maior do que teria durante uma disputa exclusivamente regional. É justamente por isso que a autenticidade das publicações contestadas precisa ser tecnicamente esclarecida.
De fenômeno das urnas a caso de segurança
𝐀os 21 anos, Ana Elisa atravessa em poucos dias situações que normalmente aconteceriam ao longo de anos de carreira política. Saiu de uma primeira candidatura para mais de meio milhão de votos, apareceu ao lado do presidente da República, entrou na estratégia nacional do segundo turno e agora recorre às autoridades diante de ameaças e de uma possível ação digital contra suas contas.
Para Divinópolis, onde sua trajetória começou, o episódio ganha repercussão especial. A política de Divinópolis passou a projetar diversos nomes para posições estaduais e nacionais nas eleições de 2026, mas o caso de Ana Elisa ganhou uma característica própria pela velocidade com que ultrapassou as fronteiras de Minas.
A presença da deputada federal eleita na Polícia Federal nesta sexta-feira marca um novo e preocupante capítulo dessa trajetória.
Neste momento, o que existe é uma denúncia que precisa ser investigada: ameaças graves, ataques racistas e uma alegada invasão de perfil com publicações que Ana Elisa afirma não serem suas.
A partir de agora, caberá às autoridades identificar se houve invasão, quem está por trás dos conteúdos e quem são os responsáveis pelas ameaças dirigidas à parlamentar eleita.






