𝐀 deputada federal eleita Ana Elisa (PT), de Divinópolis, procurou nesta sexta-feira (9) a Superintendência da Polícia Federal, em Belo Horizonte, para formalizar denúncias sobre uma sequência de ameaças racistas, misóginas, de morte e de estupro que afirma sofrer desde o último domingo. Em entrevista coletiva realizada depois do atendimento, a jovem parlamentar disse que os ataques se intensificaram enquanto esteve em Brasília e confirmou que a Polícia Federal abriu investigação para apurar os perfis apresentados. O episódio ocorre justamente no momento em que Ana Elisa ganhou projeção nacional e passou a atuar diretamente na campanha presidencial petista de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Durante a coletiva, ela afirmou que parte dos ataques parte de perfis identificáveis de pessoas físicas e que outros conteúdos chegaram por e-mail.
Ana Elisa relatou que já vinha se preparando para retornar a Minas Gerais com o objetivo de tratar das ameaças e que contou com o apoio do deputado federal Rogério Correia para organizar o encaminhamento das denúncias às autoridades. Segundo a deputada eleita, a escalada dos ataques aconteceu principalmente nos últimos dias, período em que sua presença na estratégia eleitoral de Lula se tornou mais visível nacionalmente.
PF abre investigação sobre os perfis apresentados
𝐒egundo Ana Elisa, a Polícia Federal iniciou formalmente a investigação a partir do material entregue nesta sexta-feira. “A Polícia Federal neste momento está abrindo a investigação, abriu a investigação sobre esses perfis”, declarou durante a entrevista. coletiva de ana elisa em BH apó… A apuração deverá buscar identificar autores, origem das mensagens e eventual relação entre os diferentes perfis envolvidos nas ameaças.
A deputada explicou que existem mensagens enviadas por e-mail cuja autoria ainda não foi identificada, enquanto outros ataques teriam partido de contas associadas a pessoas físicas. Ela também mencionou que parte das denúncias passou a ser contestada nas redes, com usuários atribuindo os conteúdos à inteligência artificial e acusando sua equipe de fabricar as ameaças, algo que Ana Elisa rejeitou durante a coletiva.
O caso passa agora da esfera exclusivamente digital para uma investigação formal, elevando a gravidade de uma situação que já vinha sendo acompanhada desde a campanha eleitoral. As denúncias envolvem não apenas críticas políticas ou manifestações agressivas, mas ameaças concretas descritas pela própria parlamentar, o que coloca o episódio dentro da discussão nacional sobre violência política digital.
Perfil no X foi retirado do ar
𝐀na Elisa também confirmou que sua equipe retirou temporariamente do ar a conta que mantinha no X, antigo Twitter. Segundo ela, a decisão foi tomada diante do volume de ataques que vinha recebendo. “A minha rede do X é a minha menor rede social. Nós tivemos que tirar do ar exatamente por conta dos ataques exacerbados”, explicou.
A medida acontece depois da circulação de postagens atribuídas à deputada eleita que passaram a provocar repercussão política nacional. Em declarações anteriores, Ana Elisa já havia contestado a autenticidade de parte desses conteúdos e anunciado que recorreria às autoridades. Na coletiva desta sexta-feira, entretanto, o foco principal esteve nas ameaças e na necessidade de investigação dos perfis envolvidos.
A retirada temporária do X não significará, segundo a parlamentar, afastamento da campanha presidencial. Ana Elisa afirmou que seguirá atuando em outras plataformas e na estratégia política do segundo turno, justamente em um campo onde ganhou força durante a campanha para deputada federal.
Ana Elisa confirma presença na propaganda de Lula
𝐍a própria sexta-feira, enquanto denunciava as ameaças, Ana Elisa confirmou que já apareceu no programa eleitoral de Lula. Questionada sobre eventual impacto do episódio em sua participação na campanha, respondeu que sua atuação continuará. “Inclusive hoje eu já estou no programa eleitoral do presidente Lula que acabou de sair agora à tarde”, afirmou.
A fala reforça a posição que a deputada eleita passou a ocupar poucos dias depois de conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Com forte audiência digital, Ana Elisa foi incorporada à discussão sobre a estratégia de comunicação de Lula no segundo turno e passou a participar de encontros em Brasília voltados para redes sociais e mobilização eleitoral.
Ela também revelou que continuará trabalhando a campanha em Minas Gerais e confirmou retorno para Divinópolis ainda nesta sexta-feira. Segundo Ana Elisa, a intenção é organizar estratégias na cidade e articular outros deputados federais eleitos da região que também estejam contribuindo para a candidatura presidencial.
Divinópolis entra novamente no centro da articulação
𝐀o afirmar que retornaria para Divinópolis para discutir estratégias, Ana Elisa mostrou que sua cidade natal continuará servindo como uma das bases de sua atuação política durante o segundo turno. A parlamentar destacou que existem outros deputados federais eleitos no município participando da mobilização e defendeu que cada liderança atue no espaço em que possui maior influência.
Esse movimento acrescenta mais um capítulo à rápida transformação da política de Divinópolis depois das eleições de 2026. A cidade, que já projetou representantes para diferentes esferas de poder, passa agora a participar também da articulação de uma campanha presidencial, com Ana Elisa ocupando uma posição especialmente ligada às plataformas digitais.
Sua chegada a esse espaço aconteceu após uma votação expressiva e uma campanha marcada justamente pelo alcance nas redes sociais. Agora, porém, a mesma exposição que ampliou sua presença política passa a exigir medidas de segurança e acompanhamento policial.
Deputada fala em “ataque coordenado”
𝐀na Elisa utilizou uma expressão forte para definir aquilo que afirma estar enfrentando desde o domingo: “ataque coordenado”. Segundo a deputada eleita, as manifestações incluem racismo, misoginia, ameaças de estupro e ameaças de morte, e o volume teria aumentado significativamente durante sua passagem por Brasília.
A afirmação de que existe coordenação entre os ataques ainda deverá ser apurada pelas autoridades. Neste momento, trata-se da avaliação apresentada pela própria parlamentar a partir do material que reuniu e entregou à Polícia Federal.
Essa diferenciação é importante. O conteúdo das mensagens denunciadas poderá ser analisado, os autores eventualmente identificados e possíveis conexões entre os perfis investigadas. Somente depois dessa etapa será possível determinar se existe efetivamente uma ação articulada ou se os ataques partiram de pessoas distintas sem coordenação entre elas.
Ana Elisa associa ataques à disputa política
𝐃urante a coletiva, Ana Elisa fez críticas políticas ao adversário de Lula no segundo turno e relacionou o ambiente de ataques ao cenário eleitoral. Questionada sobre o significado desse tipo de violência no atual momento político, a deputada respondeu a partir de sua posição partidária e apresentou sua própria interpretação da disputa presidencial.
Essas declarações fazem parte do posicionamento político de Ana Elisa e não representam conclusões da investigação policial. O ponto objetivamente confirmado por ela na coletiva é que as ameaças foram apresentadas às autoridades, que a Polícia Federal iniciou uma apuração sobre os perfis denunciados e que sua atuação na campanha de Lula continuará.
A distinção ganha importância justamente porque o episódio acontece durante uma eleição extremamente polarizada, quando denúncias criminais e discursos partidários acabam frequentemente circulando no mesmo ambiente.
Ataques também atingem ambiente universitário
𝐎 deputado federal Rogério Correia, que acompanhou Ana Elisa, também relatou durante a entrevista coletiva que autoridades receberam denúncias relacionadas a ameaças contra manifestações estudantis previstas em Belo Horizonte. Segundo ele, mensagens mencionavam atropelamentos, tiroteios e até incêndio na Faculdade de Direito. O parlamentar afirmou que o material foi encaminhado à Polícia Civil e que um inquérito havia sido aberto.
Correia acrescentou que as ameaças estavam sendo divulgadas em páginas de redes sociais associadas ao ambiente universitário e declarou que órgãos de segurança haviam sido informados. As avaliações políticas feitas pelo deputado durante a coletiva representam sua posição partidária e precisam ser separadas dos fatos que estão sob investigação.
O conjunto das denúncias, entretanto, amplia a preocupação sobre segurança em manifestações e sobre a deterioração do debate político nas redes durante o segundo turno.
Aos 21 anos, Ana Elisa enfrenta nova dimensão da exposição
𝐀os 21 anos, Ana Elisa saiu de uma primeira candidatura para uma posição de destaque nacional em questão de meses. A jovem, moradora da comunidade conhecida como Lajinha, na região do bairro São Luiz, em Divinópolis, conquistou mais de meio milhão de votos e passou rapidamente da campanha para deputada federal para uma participação ativa no segundo turno presidencial.
Essa ascensão também aumentou sua exposição. Durante a coletiva, Ana Elisa relacionou sua experiência como mulher negra à violência que afirma sofrer e disse enxergar a resistência como algo presente em diferentes espaços da vida social, da Câmara às redes sociais. coletiva de ana elisa em BH apó…
A projeção política nacional que começou com as urnas agora coloca a parlamentar diante de uma realidade paralela: ao mesmo tempo em que ganha visibilidade para defender suas pautas, passa a lidar com ameaças que precisam ser analisadas pelas forças de segurança.
Investigação começa em plena campanha do segundo turno
𝐀 denúncia apresentada nesta sexta-feira muda o estágio do caso. As mensagens que até então circulavam principalmente nas redes passam a integrar uma investigação policial, com possibilidade de identificação dos responsáveis e adoção das medidas legais cabíveis.
Ana Elisa não indicou durante a coletiva um prazo para conclusão das investigações. Também não foram apresentados publicamente detalhes sobre diligências específicas que a Polícia Federal poderá realizar. O que a deputada confirmou é que o procedimento foi aberto a partir dos perfis e materiais apresentados.
Enquanto isso, sua participação política não será interrompida. A deputada informou que continuará na campanha de Lula, aparecerá na propaganda eleitoral e retornará para Divinópolis para trabalhar estratégias do segundo turno.
Assim, nesta sexta-feira, duas histórias que passaram a caminhar juntas ficaram ainda mais evidentes: Ana Elisa amplia sua participação na disputa presidencial ao mesmo tempo em que recorre à Polícia Federal para enfrentar ameaças que afirma terem crescido justamente no período de maior exposição nacional.
A partir de agora, caberá às investigações separar o debate político dos eventuais crimes, identificar os responsáveis pelas ameaças e esclarecer se os diferentes ataques apresentados pela parlamentar possuem conexão entre si.






