Tragédia coloca Nepal no centro das atenções; conheça o país do Himalaia, do Everest e de quase 30 milhões de habitantes

Enchente catastrófica na fronteira com o Tibete deixou ao menos 160 mortos e centenas de desaparecidos; pequeno país asiático reúne algumas das maiores montanhas do planeta, história milenar e forte tradição hindu e budista

Publicado por: Geraldo Passos
A tragédia que atingiu o Nepal nesta quarta-feira (26), com uma inundação repentina provocada por uma avalanche de gelo e rochas na região do Himalaia, colocou novamente o pequeno país asiático no centro das atenções mundiais. Ao menos 160 mortes haviam sido confirmadas no Nepal e no lado chinês da fronteira ao longo do dia, enquanto centenas de pessoas permaneciam desaparecidas, entre moradores, peregrinos e turistas estrangeiros. Diante das imagens de destruição e das operações de resgate, cresceu também a procura por informações sobre o Nepal: onde fica, quantos habitantes possui, qual é sua história e por que o território é tão vulnerável a terremotos, avalanches, deslizamentos e enchentes.

O desastre desta quarta-feira (26) atingiu principalmente áreas próximas à fronteira entre o Nepal e o Tibete, região autônoma da China. Segundo as informações disponíveis, uma grande massa de gelo e rochas se desprendeu em elevada altitude e atingiu o vale, provocando uma onda de lama, água e detritos que percorreu rios e destruiu estradas, pontes, casas e projetos de geração de energia. As autoridades ainda investigam os fatores que provocaram o colapso, enquanto especialistas avaliam a possível influência de temperaturas elevadas e do derretimento das geleiras.

Onde fica o Nepal?

O Nepal está localizado no sul da Ásia, praticamente espremido entre duas gigantes: a Índia, que o cerca pelo sul, leste e oeste, e a China, ao norte. O país não possui saída para o mar e ocupa uma área de aproximadamente 147.516 quilômetros quadrados, menor que muitos estados brasileiros. De leste a oeste, seu território se estende por cerca de 800 quilômetros, enquanto a largura de norte a sul varia aproximadamente entre 150 e 250 quilômetros. Sua capital é Catmandu, localizada em um vale na região central do país. No censo de 2021, a cidade tinha aproximadamente 862 mil habitantes, embora sua região metropolitana seja muito maior. Pokhara, Bharatpur e Lalitpur aparecem também entre os principais centros urbanos nepaleses, o Nepal pode ser dividido, de maneira simplificada, em três grandes regiões geográficas. No sul fica o Terai, uma faixa mais baixa, quente e fértil próxima à Índia. No centro estão as colinas e vales, onde se encontra Catmandu. Ao norte surge a região do Himalaia, onde algumas das maiores altitudes do planeta transformam completamente a paisagem.

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País abriga o ponto mais alto da Terra

É praticamente impossível falar do Nepal sem falar do Monte Everest. Localizado na fronteira entre Nepal e Tibete, o Everest alcança aproximadamente 8.849 metros de altitude e é reconhecido como o ponto mais elevado da superfície terrestre. A cordilheira do Himalaia domina o norte do país, que abriga oito das 14 montanhas do mundo com mais de 8 mil metros de altitude. Entre elas estão, além do Everest, Kanchenjunga, Lhotse, Makalu, Cho Oyu, Dhaulagiri, Manaslu e Annapurna, essa característica transformou o Nepal em um dos principais destinos mundiais para montanhismo, trekking e turismo de aventura. Todos os anos, milhares de estrangeiros viajam ao país para conhecer o Himalaia, percorrer trilhas ou tentar subir algumas das montanhas mais famosas do mundo, mas a mesma geografia que atrai visitantes também torna o território extremamente vulnerável. Encostas íngremes, rios alimentados pelo gelo e pela neve, monções, terremotos, geleiras e grandes diferenças de altitude criam condições para deslizamentos, avalanches e enchentes repentinas. O Banco Mundial classifica o Nepal como um país altamente exposto a desastres naturais e choques climáticos.

Quantas pessoas vivem no Nepal?

O último censo oficial, realizado em 2021, contabilizou 29.164.578 habitantes. O próprio Escritório Nacional de Estatística do Nepal apresenta atualmente uma estimativa próxima de 30 milhões de pessoas. O país possuía mais de 6,6 milhões de domicílios no levantamento de 2021 e densidade populacional de aproximadamente 198 habitantes por quilômetro quadrado, o Nepal possui uma sociedade extremamente diversa, formada por dezenas de grupos étnicos, castas, línguas e tradições culturais. O nepalês é a língua oficial, mas diversas outras línguas são utilizadas pelas comunidades espalhadas pelo território, a religião também ocupa posição central na identidade do país. Segundo o censo de 2021, aproximadamente 81% da população se declarou hindu, enquanto pouco mais de 8% se declarou budista. Muçulmanos representam cerca de 5% e existem ainda seguidores das religiões tradicionais Kirat, cristãos e outros grupos religiosos. Embora seja hoje um Estado oficialmente secular, durante muitos anos o Nepal foi conhecido como o único reino hindu do mundo.

Terra onde nasceu Buda

Ao mesmo tempo em que possui uma maioria hindu, o Nepal ocupa um lugar fundamental na história do budismo, a cidade de Lumbini, no sul do país, é reconhecida pela Unesco como o local de nascimento de Siddhartha Gautama, o Buda. A tradição histórica situa seu nascimento por volta do século VI antes de Cristo. O sítio arqueológico reúne templos, antigos mosteiros e o famoso pilar do imperador Ashoka, que registra a importância daquele local como destino de peregrinação desde a Antiguidade. Lumbini foi inscrita como Patrimônio Mundial da Unesco em 1997. Isso ajuda a explicar uma característica cultural particular do Nepal: hinduísmo e budismo convivem profundamente entrelaçados em várias partes do país, especialmente no vale de Catmandu. Templos, santuários, estupas budistas e festivais religiosos fazem parte da paisagem cotidiana.


De reino a república

A história política do Nepal é marcada por séculos de monarquia, conflitos internos e profundas transformações, a formação do Estado nepalês moderno começou no século XVIII, quando o rei Prithvi Narayan Shah, governante do pequeno Reino de Gorkha, iniciou a conquista e unificação de diferentes principados da região. Em 1768, foi estabelecido o Reino do Nepal sob a dinastia Shah. Durante grande parte do século XIX e início do século XX, entretanto, quem exercia o poder de fato era a dinastia Rana, formada por primeiros-ministros hereditários. Esse regime permaneceu dominante entre 1846 e 1951, enquanto os reis desempenhavam papel muito mais limitado. Nas décadas seguintes, o país passou por diferentes tentativas de abertura democrática. Em 1990, um grande movimento popular levou à implantação de uma monarquia constitucional multipartidária. Poucos anos depois, em 1996, guerrilheiros maoistas iniciaram uma insurgência contra o Estado. A guerra civil durou aproximadamente dez anos e deixou mais de 17 mil mortos. O conflito terminou em 2006 com um acordo de paz e foi decisivo para a queda definitiva da monarquia. Em 2008, a Assembleia Constituinte aboliu oficialmente a monarquia e declarou o Nepal uma República Democrática Federal. Uma nova Constituição, promulgada em 2015, reorganizou o país em sete províncias e reafirmou seu caráter secular e republicano.


Um país que já enfrentou outra enorme tragédia

Para os nepaleses, grandes desastres naturais não são uma lembrança distante. Em 25 de abril de 2015, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu o país. Pouco mais de duas semanas depois, em 12 de maio, outro tremor de magnitude 7,3 agravou a destruição. Mais de 8.800 pessoas morreram, milhares ficaram feridas e mais de 800 mil edifícios e monumentos foram destruídos ou danificados. As perdas diretas foram estimadas em aproximadamente US$ 7 bilhões. o terremoto atingiu duramente Catmandu e regiões montanhosas, destruiu templos históricos e isolou comunidades inteiras. A tragédia de 2015 permanece como uma das maiores da história recente do Nepal. Onze anos depois, o país volta a aparecer nas manchetes mundiais por uma catástrofe natural. Desta vez, a ameaça veio das montanhas e dos rios.

Mudanças climáticas aumentam preocupação com geleiras

A tragédia desta quarta reacendeu uma discussão que há anos preocupa cientistas: o que acontece com o Himalaia à medida que as temperaturas aumentam? Especialistas consultados pela Reuters apontam que o Nepal perdeu aproximadamente um terço de sua cobertura de gelo nas últimas três décadas e que a velocidade do derretimento aumentou nos anos mais recentes. No desastre atual, imagens de satélite mostraram o desprendimento de uma grande parcela de geleira em uma altitude próxima de 5.200 metros. A massa despencou mais de mil metros antes de alcançar o vale e alimentar a avalanche de gelo, rochas e água, ainda não há conclusão definitiva sobre todos os fatores que desencadearam a tragédia. Autoridades chegaram a investigar possível relação com um terremoto de magnitude 4,4 registrado pouco antes, enquanto análises posteriores indicaram que o movimento detectado pelos sensores pode ter sido provocado pelo próprio deslizamento. O que existe, entretanto, é uma preocupação crescente com o impacto do aquecimento global sobre as geleiras do Himalaia, para um país que depende de rios de montanha para agricultura, abastecimento e produção de energia, essas transformações representam ameaça direta à população.

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Uma economia que depende muito de quem trabalha fora

Apesar da imagem internacional ligada ao Everest e ao turismo, a economia nepalesa enfrenta importantes limitações, o  PIB do país chegou a aproximadamente US$ 45,5 bilhões em 2025, segundo o Banco Mundial, com renda por habitante próxima de US$ 1.536. Um dos pilares da economia são as remessas enviadas por nepaleses que trabalham no exterior. Em 2024, essas transferências equivaleram a aproximadamente 26% do PIB. Milhões de nepaleses deixam o país em busca de emprego, principalmente em países do Golfo e na Malásia. Segundo o Banco Mundial, a migração e as remessas tiveram papel importante na redução da pobreza, mas também revelam a dificuldade do Nepal em gerar empregos de qualidade dentro de suas próprias fronteiras. O turismo, a agricultura e a geração de energia hidrelétrica também possuem grande relevância econômica, a tragédia atual atinge justamente uma região na qual existem projetos hidrelétricos e importantes rotas internacionais entre Nepal e Tibete.


Nepal é pequeno no mapa, mas gigantesco em sua geografia

Para muitos brasileiros, o Nepal era até agora principalmente uma referência distante associada ao Everest, a catástrofe desta quarta mostrou novamente a outra face dessa geografia extraordinária: populações vivendo entre algumas das montanhas mais altas do mundo, dependentes de estradas frágeis, rios que podem mudar rapidamente de comportamento e comunidades que muitas vezes ficam isoladas quando ocorre uma emergência. Com aproximadamente 30 milhões de habitantes, território menor que Minas Gerais, uma história que atravessa antigos reinos, hinduísmo, budismo, guerra civil e transformação democrática, o Nepal é muito mais do que o país do Everest, mas é justamente sua relação com o Himalaia que hoje volta a colocá-lo diante de uma das maiores tragédias de sua história recente,  as operações de busca continuam e, como centenas de pessoas permanecem desaparecidas, o número de vítimas ainda poderá mudar nas próximas horas e dias.

Nepal em números

Localização: Sul da Ásia, entre Índia e China
Capital: Catmandu
Área: 147.516 km²
População: 29,16 milhões no censo de 2021; estimativa atual próxima de 30 milhões
Língua oficial: Nepalês
Sistema político: República Democrática Federal
Religião predominante: Hinduísmo, cerca de 81% da população
Ponto mais alto: Monte Everest, aproximadamente 8.849 metros
Divisão administrativa: sete províncias
Moeda: Rupia nepalesa

Nota de transparência: esta matéria contou com o auxílio de Inteligência Artificial na organização e estruturação do conteúdo, sob orientação e revisão editorial do Divinews.

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