Tragédia no Nepal e Tibete chega a mais de mil mortes

O balanço provisório da catástrofe já contabiliza 1.003 mortos, enquanto equipes de resgate enfrentam lama e escombros em busca de milhares de desaparecidos

Publicado por: Redação Divinews
A tragédia provocada por inundações e deslizamentos  na geleira do  Himalaia já deixou 1.003 mortos no Nepal e no Tibete, segundo o balanço provisório divulgado nesta terça-feira (1), enquanto as equipes de resgate continuam trabalhando entre lama, escombros e estruturas destruídas na tentativa de localizar sobreviventes. O desastre ocorreu após o colapso de uma geleira, que desencadeou um gigantesco deslizamento de terra e atingiu diferentes áreas da região.

O número de vítimas ainda pode aumentar significativamente. Ao todo, 4.462 pessoas continuam desaparecidas, sendo 3.916 no Nepal e 546 no Tibete. Entre os desaparecidos estão turistas, peregrinos e trabalhadores estrangeiros de dezenas de países, além de centenas de pessoas que atuavam diretamente em usinas hidrelétricas e obras de barragens no território nepalês. De acordo com o balanço provisório das autoridades, são 987 mortos no Nepal e 16 na China, que administra a região autônoma do Tibete. Enquanto isso, as equipes de emergência seguem concentradas nas áreas mais devastadas, onde a destruição provocada pela lama e pelo deslizamento dificulta o acesso e aumenta a complexidade das operações.

Resgate continua entre túneis, lama e escombros

No lado nepalês, uma das principais frentes de trabalho está concentrada em vários túneis onde poderiam estar refugiados quase 100 operários envolvidos nas obras de diferentes represas. Os socorristas utilizam equipamentos de perfuração, escavadeiras e explosivos para conseguir avançar pelas estruturas atingidas e abrir passagem em meio aos obstáculos, apesar dos esforços, até agora foram retirados apenas alguns corpos desses locais. Ainda assim, as equipes continuam trabalhando diante da possibilidade de encontrar pessoas nos túneis, o porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet, afirmou à AFP: “Concentramos nossos esforços nos túneis, nosso trabalho continua”. Além das equipes nepalesas, especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul foram enviados para reforçar as operações. A mobilização internacional ocorre enquanto as possibilidades de encontrar sobreviventes diminuem com o passar dos dias, embora os trabalhos de busca continuem em diferentes pontos da região atingida. No distrito de Nuwakot, ao longo do vale devastado pela avalanche, os socorristas também trabalham na retirada dos escombros que soterraram vilarejos. A dimensão da destruição exige operações prolongadas, sobretudo porque diversas áreas permanecem cobertas por grandes volumes de lama e materiais levados pela força do deslizamento.

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Mais de 2 mil socorristas atuam no lado chinês

No lado chinês, mais de 2 mil socorristas também foram mobilizados para procurar possíveis sobreviventes e restabelecer as comunicações nas áreas atingidas. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Xinhua,  uma das prioridades das equipes é a reabertura da estrada que leva ao posto fronteiriço entre China e Nepal, em Gyirong. A ligação é estratégica para o deslocamento das equipes e para a chegada de recursos às regiões afetadas, enquanto as operações continuam, autoridades e moradores também realizam cerimônias em memória das vítimas. Nesta terça-feira (01), no distrito de Gyirong, socorristas, autoridades locais e moradores fizeram um minuto de silêncio pelas pessoas que morreram na tragédia. A dimensão do desastre, entretanto, ultrapassou as fronteiras dos dois países. Na Índia, autoridades do estado de Uttar Pradesh informaram que 17 corpos foram recuperados a algumas dezenas de quilômetros do local da catástrofe, em um rio próximo. As autoridades iniciaram o processo de identificação das vítimas.

Milhares de pessoas continuam desaparecidas

O número de desaparecidos é um dos aspectos mais dramáticos da tragédia. No Nepal, são 3.916 pessoas desaparecidas, enquanto outras 546 estão desaparecidas no Tibete, totalizando 4.462 pessoas ainda sem localização. Entre elas estão 583 pessoas no Nepal, procedentes de mais de 30 países, além de 261 pessoas na China, de 23 países diferentes. A presença de estrangeiros entre as vítimas e desaparecidos amplia a dimensão internacional da catástrofe e mobiliza familiares e autoridades de diferentes nacionalidade, a situação é ainda mais preocupante no setor de infraestrutura. Somente no Nepal, 639 pessoas que trabalhavam em usinas hidrelétricas ou em obras de barragens estão desaparecidas.

As buscas também se transformaram em uma corrida contra o tempo para as famílias que ainda não receberam informações sobre parentes. Em Katmandu, capital do Nepal, fotografias de pessoas desaparecidas foram colocadas em um muro do hospital universitário, transformado em um ponto de busca por informações, o local reúne familiares que tentam descobrir o destino de pessoas que estavam nas regiões atingidas quando ocorreu a tragédia.

Famílias procuram respostas em meio à devastação

Entre as pessoas que foram até o hospital está Debu Sapkota, de 58 anos, motorista que levou fotografias de sua sogra, de 83 anos, e de sua neta. As duas desapareceram na cidade de Trishuli Bazaar, uma das áreas atingidas pela catástrofe.  À AFP, Sapkota relatou a esperança de conseguir localizar as familiares. “Estou aqui com a esperança de encontrar seus corpos”, contou, convencido de que elas não sobrevivera. Uma testemunha afirmou que “as duas foram arrastadas”. O drama das famílias se soma à dificuldade enfrentada pelas equipes de resgate, que precisam avançar por áreas destruídas enquanto tentam localizar pessoas desaparecidas e recuperar vítimas. Ao mesmo tempo, a identificação dos corpos se tornou outro desafio diante do grande número de mortos.

Necrotérios lotados aumentam pressão sobre autoridades

Com os necrotérios lotados, as autoridades nepalesas autorizaram no domingo (30) o sepultamento das primeiras vítimas por razões sanitárias, mesmo sem a identificação formal dos corpos, a medida evidencia a dimensão da tragédia e a pressão enfrentada pelas autoridades diante do elevado número de mortos. Enquanto as buscas continuam, os serviços responsáveis pelo recebimento e identificação das vítimas precisam lidar simultaneamente com a necessidade de preservar os corpos e oferecer respostas às famílias, a situação também impõe dificuldades para os familiares que permanecem sem informações definitivas sobre seus parentes desaparecidos.

Disputa sobre números aumenta tensão após a catástrofe

Além das operações de resgate e da identificação das vítimas, a tragédia também provocou uma disputa em torno dos números divulgados sobre o desastre no território chinês. Independentistas tibetanos acusam a China de minimizar deliberadamente o balanço da catástrofe em seu território. Pequim, por sua vez, rejeitou a acusação e denunciou o que classificou como uma “campanha maliciosa de difamação e sensacionalismo”. Enquanto autoridades e grupos divergem sobre os números, as equipes de emergência continuam concentradas nas áreas atingidas. O balanço permanece provisório, e a quantidade de desaparecidos indica que o número final de vítimas ainda pode sofrer alterações à medida que as buscas avancem e os corpos sejam identificados. Por enquanto, a prioridade permanece na localização de sobreviventes, na recuperação das vítimas e na reconstrução dos acessos destruídos. Seis dias após o gigantesco deslizamento provocado pelo colapso da geleira, o cenário no Himalaia continua marcado pela devastação e pela espera angustiante de milhares de famílias por respostas.

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