Após revolta, repercussão e manifestação da Prefeitura, TransOeste se pronuncia sobre cadeirante que precisou se arrastar para descer de ônibus em Divinópolis

Consórcio afirma que o problema foi uma ocorrência pontual e atribui o caso a uma falha inesperada no elevador de acessibilidade. Prefeitura promete notificar a empresa, enquanto o episódio reacende o debate sobre a qualidade do transporte coletivo e o atendimento às pessoas com deficiência.

Publicado por: Cassia Misael

O caso da cadeirante que precisou se arrastar pelos degraus de um ônibus para conseguir desembarcar em Divinópolis continua repercutindo e provocando indignação entre moradores. Depois que o vídeo ganhou grande alcance nas redes sociais, o Consórcio TransOeste divulgou uma nota oficial lamentando o ocorrido e afirmando que a falha registrada não representa a rotina da operação do transporte coletivo no município.

As imagens, gravadas por um passageiro na noite de sábado (27), mostram a mulher descendo os degraus do ônibus com dificuldade porque o elevador de acessibilidade apresentou defeito. Enquanto ela tentava chegar até a cadeira de rodas, posicionada do lado de fora do veículo, pessoas que acompanhavam a situação demonstravam indignação e cobravam providências da empresa responsável pelo transporte coletivo.

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A cena provocou forte comoção nas redes sociais e reacendeu um debate que há anos acompanha o transporte público de Divinópolis: a qualidade do serviço oferecido aos passageiros, principalmente às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Empresa lamenta o ocorrido e diz que falha foi pontual

Após a repercussão do vídeo, o Consórcio TransOeste encaminhou uma nota oficial na qual lamenta o transtorno causado à usuária e afirma que a ocorrência foi isolada.

Segundo a empresa, o sistema de transporte realiza cerca de 38 mil viagens por mês, número utilizado pelo consórcio para sustentar que o episódio não representa a rotina diária da operação.

A TransOeste informou ainda que os elevadores instalados nos ônibus são equipamentos eletromecânicos que, mesmo passando por manutenção preventiva, podem apresentar falhas inesperadas durante o trajeto.

Além disso, o consórcio afirmou que todos os veículos passam por inspeção antes de deixarem a garagem. Conforme a nota, os motoristas realizam diariamente um checklist dos equipamentos eletrônicos, incluindo o elevador destinado ao embarque e desembarque de pessoas com deficiência.

A empresa também declarou permanecer à disposição da passageira para apresentar os procedimentos de manutenção adotados pela concessionária e reforçou o compromisso com a acessibilidade, a segurança e a qualidade do serviço prestado.

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Na íntegra, a empresa declarou:

“A empresa realiza cerca de 38 mil viagens por mês, e essa ocorrência é pontual, não refletindo a realidade da nossa operação diária.

O elevador é um equipamento eletromecânico que, mesmo passando por manutenção preventiva, pode apresentar falhas inesperadas durante o itinerário.

Como rotina em nossa operação, os motoristas, antes do início da sua jornada, fazem check list nos equipamentos eletrônicos, dentre eles os elevadores. Todo carro sai da garagem, com todos os equipamentos em perfeito estado de funcionamento.

Lamentamos o transtorno causado à usuária e permanecemos à disposição para recebê-la, apresentar nossos procedimentos de manutenção e reforçar nosso compromisso com a acessibilidade, a segurança e a qualidade do serviço prestado.”

Prefeitura acompanha o caso e promete providências

A repercussão do vídeo também mobilizou a Prefeitura de Divinópolis.

No domingo (28), a prefeita Janete Aparecida utilizou as redes sociais para pedir ajuda da população na identificação da mulher que aparece nas imagens. Segundo a chefe do Executivo, o objetivo era localizar a passageira para oferecer apoio e permitir que todas as medidas administrativas cabíveis fossem adotadas.

Poucas horas depois da publicação, a própria cadeirante entrou em contato com a prefeita por meio das redes sociais. Durante a conversa, ela informou que registraria um boletim de ocorrência para formalizar o caso e permitir o avanço das providências legais e administrativas.

A Prefeitura também informou que deverá notificar oficialmente o Consórcio TransOeste para que esclareça as circunstâncias da ocorrência e apresente informações sobre os procedimentos adotados em relação à manutenção dos equipamentos de acessibilidade.

Prefeitura promete notificar a concessionária

A repercussão do vídeo também mobilizou a Prefeitura de Divinópolis.

Logo após as imagens circularem nas redes sociais, a prefeita Janete Aparecida pediu ajuda da população para localizar a passageira.

Poucas horas depois, a própria cadeirante entrou em contato com a prefeita por meio das redes sociais e informou que registraria um boletim de ocorrência para formalizar o caso e permitir a adoção das medidas cabíveis.

Além disso, a administração municipal confirmou que notificará oficialmente o Consórcio TransOeste para que apresente esclarecimentos sobre a falha registrada no elevador e os procedimentos de manutenção adotados na frota.

Caso reacende debate sobre acessibilidade

Embora a TransOeste classifique o episódio como isolado, o vídeo voltou a levantar questionamentos sobre a qualidade da acessibilidade no transporte coletivo de Divinópolis.

Nas redes sociais, moradores cobraram maior fiscalização da concessionária e lembraram que pessoas com deficiência dependem diariamente do funcionamento adequado dos elevadores para exercer o direito de ir e vir com autonomia, segurança e dignidade.

Diversos usuários também relacionaram o episódio às críticas feitas ao transporte coletivo após o reajuste da tarifa e aos transtornos registrados durante a greve dos motoristas ocorrida neste ano.

Para parte da população, o caso reforça a necessidade de investimentos permanentes na manutenção da frota e de uma fiscalização mais rigorosa sobre o cumprimento do contrato de concessão.

O episódio envolvendo a cadeirante ganhou repercussão justamente em um momento em que o transporte coletivo de Divinópolis já vinha sendo alvo de críticas da população.

Nos últimos meses, passageiros enfrentaram paralisações provocadas pela greve dos motoristas, mudanças na operação e o reajuste da tarifa. O aumento no valor da passagem reacendeu a expectativa por melhorias na qualidade do serviço, principalmente em relação à conservação da frota e ao atendimento dos usuários.

Diante desse cenário, o vídeo da cadeirante descendo do ônibus ao se arrastar pelos degraus acabou ampliando a insatisfação de parte da população, que voltou a cobrar mais investimentos em acessibilidade e fiscalização da concessionária.

Acessibilidade vai além da manutenção dos equipamentos

Especialistas em mobilidade urbana defendem que a acessibilidade não depende apenas da existência de elevadores nos ônibus, mas também da garantia de que esses equipamentos permaneçam em pleno funcionamento durante toda a operação.

Para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, qualquer falha pode representar não apenas um transtorno, mas também uma situação de constrangimento, exposição e risco à integridade física.

Por esse motivo, a manutenção preventiva e corretiva dos elevadores integra as obrigações previstas para a operação do transporte coletivo, já que o objetivo é assegurar que todos os passageiros utilizem o serviço com autonomia, segurança e dignidade.

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