STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão e declara inelegibilidade

Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade condenar o ex-deputado por coação no curso do processo; pena será cumprida inicialmente em regime semiaberto

Publicado por: Cassia Misael

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta terça-feira (16), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A decisão foi unânime e acompanhou o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes.

Além da pena de prisão, os ministros determinaram o pagamento de 50 dias-multa, calculados em dois salários mínimos por dia, e reconheceram a inelegibilidade do ex-parlamentar, o que poderá impedir sua participação em futuras eleições pelos próximos anos.

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Entenda a acusação

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e tentar influenciar decisões judiciais relacionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado anteriormente no processo da tentativa de golpe de Estado.

A acusação sustentou que o então deputado promoveu articulações internacionais, defendeu sanções contra integrantes do STF e realizou declarações públicas que buscavam constranger ministros da Corte durante o andamento dos processos judiciais.

Moraes: “Processo penal não é palhaçada”

Durante o julgamento, Alexandre de Moraes afirmou que as provas demonstraram uma tentativa deliberada de pressionar o Judiciário brasileiro. O ministro também destacou que Eduardo Bolsonaro tinha conhecimento do processo e buscou evitar sua tramitação regular.

O relator rejeitou os argumentos da defesa sobre imunidade parlamentar e reforçou que a atuação de um parlamentar não pode ser utilizada para justificar práticas consideradas criminosas pela legislação brbrasileira

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Julgamento foi unânime

Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam integralmente o voto de Moraes, formando unanimidade pela cocondenação

Durante os votos, os magistrados entenderam que houve tentativa de interferência no funcionamento da Justiça e que as manifestações públicas do ex-deputado ultrapassaram os limites da atuação política.

Perda de direitos políticos e impacto eleitoral

Além da condenação criminal, a decisão gera reflexos políticos relevantes. Com a condenação por órgão colegiado, Eduardo Bolsonaro passa a enfrentar os efeitos da Lei da Ficha Limpa, ficando inelegível. Especialistas apontam que a restrição poderá se estender por vários anos, dependendo do trânsito em julgado e do cumprimento da pena.

A decisão representa mais um desdobramento dos processos relacionados aos fatos investigados após as eleições de 2022 e ao chamado núcleo da tentativa de ruptura institucional, que já resultou na condenação de diversos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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