O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou repercussão internacional ao comentar a situação política brasileira durante a Cúpula do G7, realizada essa semana, entre os dias (15 e 17) em Évian-les-Bains, na França. Ao responder uma pergunta sobre sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump afirmou que “prenderam Bolsonaro Jr.”, dando indícios de que confundiu os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração ocorreu após o encontro entre Trump e Lula durante o evento e em meio às recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Trump cita “Bolsonaro Jr.” e mistura Flávio com Eduardo
Questionado sobre o cenário político brasileiro, Trump afirmou que o Brasil estaria se tornando um país “perigoso politicamente” e disse ter ouvido que um dos filhos de Jair Bolsonaro havia sido preso ou estaria sendo perseguido por declarações feitas nos Estados Unidos.
“Acabei de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava bem nas pesquisas e prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prendê-lo para revelar alguma coisa.”
Apesar da fala, o presidente americano aparentemente misturou dois personagens da política brasileira.
Quem foi condenado pelo STF foi Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, enquanto quem aparece em pesquisas eleitorais para uma eventual disputa presidencial é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF
Na última terça-feira (16), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo Bolsonaro por unanimidade pelo crime de coação no curso do processo relacionado às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A pena fixada foi de 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto.
Além da condenação criminal, o STF determinou:
perda do cargo efetivo na Polícia Federal;
pagamento de 50 dias-multa, equivalentes a dois salários mínimos cada;
inelegibilidade por 12 anos, conforme a Lei da Ficha Limpa.
Segundo os ministros, Eduardo teria atuado junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes do Supremo e tentar interferir nas investigações envolvendo Jair Bolsonaro.
A defesa do ex-deputado nega a prática do crime e sustentou que o ministro Alexandre de Moraes deveria ser impedido de atuar no caso.
Flávio Bolsonaro lidera entre eleitores da direita
Ao citar que “Bolsonaro Jr.” estaria bem nas pesquisas, Trump pareceu fazer referência a Flávio Bolsonaro.
Pesquisas recentes apontam o senador como um dos principais nomes da direita para uma eventual disputa presidencial, embora Lula apareça numericamente à frente em levantamentos de segundo turno.
Essa combinação de informações reforça a avaliação de analistas de que Trump confundiu os dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua resposta.
Trump volta a criticar cenário político brasileiro
Durante a entrevista, Trump voltou a afirmar, sem apresentar provas, que os Estados Unidos tiveram eleições fraudadas e aproveitou para criticar o ambiente político brasileiro.
“Eles jogam muito duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos.”
A declaração amplia a série de manifestações do presidente americano sobre o Brasil desde que Washington anunciou tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Lula reage e cobra respeito à soberania brasileira
Também durante a Cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às declarações de Trump.
Segundo Lula, o líder americano pode ter preferência política por Jair Bolsonaro e sua família, mas não deve interferir nas questões internas do Brasil.
“Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro. Do pai, do filho, do neto. Não tem nenhum problema. É um problema dele. Agora, não se meta nas eleições do Brasil. A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil.”
A resposta ocorreu em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasília e Washington, intensificada pelas recentes decisões judiciais envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e pelas medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.





