Exclusiva: Obra de prédio de 23 andares da Smart Construtora cria pânico, causa danos e interdita garagem no Sidil em Divinópolis

Medidas paliativas telegrafou tragédia anunciada: morador relata que já havia alertado vária vezes sobre rachaduras e problemas no imóvel; Defesa Civil interditou o local após desabamento durante a madrugada

Publicado por: Geraldo Passos

Uma obra de grande porte no bairro Sidil, em Divinópolis, virou motivo de medo, prejuízo e cobrança por responsabilidade após o desabamento de parte da estrutura de uma residência localizada na esquina da Rua Rio Grande do Sul com a Rua Serra do Cristal. Segundo  Leonardo, proprietário da Casa, a construção de um edifício de 23 andares, pertencente à Smart Construtora, provocou danos graves no seu imóvel, atingindo a principalmente a garagem, o que levou a Defesa Civil a interditar o local, deixando dois veículos presos, sem poder sair. 

O caso ocorreu na madrugada desta quarta-feira (20), por volta de 4h, quando a família acordou assustada com um forte estrondo. De acordo com o relato de Leonardo, vizinhos começaram a gritar para que todos abandonassem a casa, diante do risco de queda da estrutura. A situação fez com que a esposa e os filhos de Leonardo saíssem às pressas para a rua, ainda de pijamas.

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O episódio expõe uma situação preocupante em uma região que passa por verticalização acelerada. A construção de edifícios altos em áreas residenciais exige planejamento, acompanhamento técnico permanente, contenção adequada, segurança no entorno e atenção redobrada aos imóveis vizinhos. Quando sinais anteriores aparecem, como rachaduras, deslocamento de portão e danos em piso ou garagem, a responsabilidade técnica precisa sair do paliativo e entrar na prevenção real.

Segundo Leonardo, os problemas não começaram na madrugada do desabamento. O morador afirmou que já havia reclamado diversas vezes sobre rachaduras e danos na garagem. Conforme o relato, representantes ligados à obra teriam adotado apenas medidas paliativas, como aplicação de cimento na garagem e ajustes na ferragem do portão.

Para o proprietário, essas providências não resolveram a origem do problema. Ao contrário, apenas mascararam uma situação que, segundo ele, já apresentava sinais claros de agravamento.

Madrugada de medo e correria

Leonardo relatou ao Divinews que a família viveu uma noite de terror. Por volta de 3h, todos foram surpreendidos por um forte barulho. Logo depois, vizinhos começaram a alertar que a casa poderia estar caindo. Em meio ao susto, a família deixou o imóvel rapidamente.

A cena, segundo o morador, foi desesperadora. Crianças e esposa precisaram sair às pressas, sem tempo para qualquer organização. O medo era de que a estrutura continuasse cedendo.

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Após o primeiro momento de pânico, Leonardo acionou o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil. O local foi vistoriado, e a garagem acabou interditada.

A interdição reforça a gravidade do caso. Não se trata apenas de uma rachadura ou de um dano estético. O problema atingiu uma área de uso da família e passou a oferecer risco suficiente para impedir a permanência no espaço afetado.

Morador diz que alertas anteriores foram ignorados

O proprietário afirmou que já vinha alertando sobre problemas no imóvel. Segundo Leonardo, as rachaduras e danos na garagem eram comunicados, mas as respostas recebidas seriam apenas correções superficiais. Ele relatou que colocavam cimento em trechos da garagem e ajustavam a ferragem do portão, sem enfrentar a causa estrutural do problema.

Na avaliação do morador, essa postura foi inconsequente, já que os responsáveis pela obra teriam visão técnica do que estava acontecendo do lado da construção, inclusive em áreas que não eram visíveis para ele.

Leonardo também afirma que não havia muro de arrimo ou estrutura de contenção adequada dividindo a obra da residência. Segundo ele, imagens do local demonstrariam essa ausência.

Esse ponto será central para a apuração técnica. Em obras de grande porte, especialmente ao lado de imóveis já existentes, contenções e proteções laterais costumam ser elementos fundamentais para evitar movimentação de terra, instabilidade e danos a construções vizinhas.

Reportagem no local

O Divinews esteve no endereço e acompanhou a movimentação após o ocorrido. No local, a reportagem presenciou funcionários de uma seguradora conversando com o engenheiro da obra, Rafael Sousa. Posteriormente, Rafael também conversou com o Divinews.

Segundo o engenheiro, a construtora estava tomando todas as providências. Ele informou ainda que a obra havia sido interditada pela Defesa Civil até que a parte afetada fosse reparada.

Rafael também afirmou que existia muro de contenção no local. No entanto, essa informação foi contestada pelo proprietário da residência, que negou a existência da estrutura de arrimo dividindo a obra e o imóvel afetado.

Obra pertence à Smart Construtora

A construção em andamento pertence à Smart Construtora, segundo as informações repassadas pelo morador e apuradas no local.

Leonardo afirmou que os empresários Túlio, Guilherme e Marcelo, ligados à construtora, têm conhecimento dos problemas. Ainda conforme o relato do proprietário, apenas um deles esteve pessoalmente com ele.O morador também negou que já estivesse usando transporte providenciado pela empresa. Segundo Leonardo, a construtora teria falado sobre a possibilidade de locação de um veículo para sua locomoção, mas isso ainda não teria se concretizado no momento do relato.

A situação coloca a construtora no centro da cobrança. Em casos assim, o debate não envolve apenas reparo físico. Também envolve assistência imediata à família, segurança do imóvel, laudos técnicos, eventual indenização, cobertura por seguro e garantia de que novos danos não ocorram.

Proprietário cita outro caso envolvendo obra da empresa

Leonardo também relatou ao Divinews que, segundo ele, essa não seria a primeira vez que a construtora enfrentaria problema semelhante. O morador afirmou que uma construção da Smart Construtora na Rua Bahia, como lhe informaram,  também teria causado transtornos a uma casa vizinha.

Essa informação precisa ser tratada com cautela e poderá ser apurada em nova etapa, ouvindo moradores envolvidos, a construtora e eventuais registros oficiais. No entanto, o relato aumenta a gravidade da cobrança, porque sugere que o problema poderia não ser isolado. Caso haja histórico semelhante, caberá aos órgãos competentes verificar se os procedimentos de contenção, acompanhamento e prevenção adotados pela empresa são suficientes para proteger imóveis vizinhos.

Verticalização exige responsabilidade redobrada

Divinópolis vive um processo crescente de verticalização em vários bairros. Prédios mais altos mudam a paisagem urbana, valorizam regiões, atraem investimentos e ampliam a oferta imobiliária. No entanto, esse crescimento precisa caminhar com fiscalização rigorosa e responsabilidade técnica.

Uma obra de 23 andares não impacta apenas o terreno onde será construída. Ela interfere no entorno, no tráfego, na vizinhança, no solo, nas fundações próximas e na rotina de moradores que já estavam ali antes da chegada do empreendimento.

Quando a obra avança ao lado de uma residência, a exigência de cuidado precisa ser ainda maior. Vistorias prévias, registros fotográficos, laudos de vizinhança, contenção, monitoramento de fissuras e resposta rápida a reclamações podem evitar danos maiores. No caso do Sidil, o relato do morador indica que os sinais apareceram antes. Se isso se confirmar tecnicamente, a pergunta central será por que o problema não foi resolvido antes do desabamento.

Defesa Civil interditou a garagem

A interdição da garagem pela Defesa Civil mostra que o risco foi levado a sério. A medida impede o uso do espaço atingido até que haja segurança para retorno. Também pressiona os responsáveis a adotarem providências técnicas imediatas.

A partir de agora, a família precisará de respostas claras. Quem fará o reparo? Qual o prazo? Há risco para outras partes da casa? A obra poderá continuar? Houve falha de contenção? Existe seguro? A construtora assumirá todos os prejuízos? Essas perguntas precisam ser respondidas com documentos, laudos e compromisso formal, não apenas com promessas.

Contraditório

O engenheiro Rafael Sousa, ouvido pelo Divinews no local, afirmou que a Smart Construtora estava tomando todas as providências e informou que a obra permanecia interditada pela Defesa Civil até o reparo da parte que desabou. Rafael também disse que existia muro de contenção, informação contestada pelo proprietário Leonardo, que nega a existência de muro de arrimo separando a obra da residência atingida.

O Divinews constatou ainda que naquele momento, por volta das 11 horas desta quarta-feira, não havia nenhuma placa do CREA. Quando um funcionária da construtora ouviu o questionamento, disse que a placa existia, mas que estava no canteiro de obras, e que providenciaria a sua colocação. O estranho é que a Defesa Civil e os Bombeiros estiveram no local e não se atentaram para esse detalhe.

O espaço segue aberto para manifestação oficial da Smart Construtora, dos empresários Túlio, Guilherme e Marcelo, da seguradora, da Defesa Civil e dos demais envolvidos citados nesta matéria.

Família cobra responsabilidade e segurança

O caso da residência no Sidil não pode ser tratado como simples acidente de obra. Uma família acordou de madrugada com estrondo, saiu às pressas de casa e teve parte do imóvel interditada. O morador afirma que já havia alertado sobre rachaduras e problemas anteriores. A obra é de grande porte. A garagem foi atingida. A Defesa Civil precisou agir. Agora, o que se espera é resposta técnica, reparação integral e garantia de segurança.

A construção civil movimenta economia e transforma cidades. Mas não pode avançar sobre o medo de quem mora ao lado. O desenvolvimento urbano precisa respeitar a vida, o patrimônio e a tranquilidade das famílias. No Sidil, uma obra de 23 andares passou a ser questionada não pelo tamanho do prédio que pretende erguer, mas pelo dano provocado em uma casa vizinha e pela noite de terror vivida por quem apenas dormia dentro da própria residência.

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