O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-MG) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), uma megaoperação batizada de “Casa de Farinha”. A ofensiva visa desarticular uma organização criminosa que utilizava empresas de encapsulados e marketing digital para cometer fraudes tributárias e crimes contra a saúde pública. A ação mobilizou uma força-tarefa em cidades do Centro-Oeste mineiro, como Arcos, Lagoa da Prata e Campo Belo, além de municípios em Goiás.
Prisões e bloqueio recorde de bens
Durante as diligências em Arcos, os agentes prenderam dois empresários envolvidos diretamente no esquema. Ao todo, a Justiça determinou o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em residências e sedes de empresas. O balanço financeiro da operação impressiona: o Cira obteve o bloqueio de mais de R$ 1,3 bilhão em bens móveis e imóveis dos investigados. Celulares, computadores e documentos foram recolhidos e servirão como base para o aprofundamento das investigações sobre lavagem de capitais.
Encapsulados falsos e fraude com e-books
As investigações revelaram uma estratégia complexa para enganar o fisco e o consumidor. O grupo utilizava indevidamente a imunidade tributária de e-books para sonegar o ICMS, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 100 milhões aos cofres de Minas Gerais. Além da sonegação, o Cira identificou que os produtos encapsulados eram fabricados sem os princípios ativos anunciados. Os itens desobedeciam normas da Vigilância Sanitária e da Anvisa, representando um risco direto à saúde de quem buscava tratamentos naturais ou suplementos.
Força-tarefa e o nome da operação
O nome “Casa de Farinha” faz alusão a uma fábrica retratada em uma famosa novela nacional, onde ocorriam situações semelhantes de manipulação de produtos. A operação contou com um aparato imponente: sete promotores de Justiça, 68 auditores da Receita Estadual e mais de 100 policiais civis e militares. Agentes da Anvisa também participaram para atestar as irregularidades sanitárias. Certamente, a ação reforça a eficácia do Cira-MG, que em 18 anos de existência já recuperou mais de R$ 19 bilhões para o Estado.






