IMPUNIDADE OU CAUTELA? Delegado aponta menor como mentor de estupros em Copacabana, mas Promotoria nega apreensão

Investigação da 12ª DP detalha como suspeito menor de idade utilizou relacionamentos anteriores para vitimar jovens no Rio de Janeiro.

Publicado por: Cassia Misael

O cenário de segurança pública no Rio de Janeiro enfrenta um novo e polêmico capítulo com os desdobramentos da investigação conduzida pela 12ª DP (Copacabana). De acordo com o delegado titular, Ângelo Lages, os casos de violência sexual que chocaram a região possuem uma camada de crueldade ainda maior: o mentor intelectual dos crimes é um adolescente. Nesse sentido, as diligências apontam que o menor de idade não apenas participou das ações, mas teria sido o articulador principal, utilizando-se da confiança de relacionamentos anteriores que mantinha com as vítimas para facilitar os ataques.

Dessa maneira, o trabalho investigativo de Lages desvendou um padrão de comportamento predatório. Segundo o delegado, o suspeito utilizava o histórico afetivo com as jovens para atraí-las e colocá-las em situações de vulnerabilidade. Vale ressaltar que a frieza do planejamento surpreendeu as autoridades, uma vez que o adolescente demonstrava um domínio psicológico sobre as vítimas antes da execução dos atos criminosos.

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A polêmica decisão ministerial

Entretanto, apesar da gravidade dos fatos narrados pela Polícia Civil, o desdobramento jurídico do caso gerou intensos debates na opinião pública. O promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1ª Promotoria da Infância e da Juventude Infracional, optou por não solicitar a apreensão imediata do adolescente. Conforme a argumentação do Ministério Público, o menor não possui anotações anteriores de atos infracionais e, sob a ótica da Promotoria, não representaria um risco iminente à garantia da ordem pública que justificasse a internação provisória neste momento.

Dessa forma, a decisão do promotor baseia-se na ausência de reincidência, interpretando que a medida extrema de privação de liberdade não seria necessária antes do trânsito em julgado. Todavia, essa postura contrasta diretamente com a periculosidade apontada pela delegacia de Copacabana, que vê no adolescente um risco real de reiteração ou de influência negativa sobre as testemunhas e vítimas sobreviventes.

Aguardando o veredito judicial

Diante desse impasse, a 12ª DP e os familiares das vítimas aguardam agora a decisão soberana do Poder Judiciário. Afinal, caberá a um juiz determinar se acolhe a recomendação da Promotoria ou se atende ao clamor por segurança, decretando a internação do menor mentor dos crimes. Consequentemente, o caso reacende o debate nacional sobre a eficácia das medidas socioeducativas em crimes hediondos e a necessidade de critérios mais rígidos quando a mentoría de estupros é comprovada.

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