A cada cinco horas, uma mulher sofre violência em Divinópolis

O retrato alarmante da violência em Divinópolis: 918 casos em apenas seis meses

Publicado por: Redação

Divinópolis, cidade polo do Centro-Oeste mineiro, conhecida pela sua força econômica e cultural, também carrega uma realidade sombria que cresce silenciosamente. Nos seis primeiros meses de 2025, 918 mulheres denunciaram casos de violência doméstica à Polícia Civil. O número equivale a cinco registros por dia, uma vítima a cada cinco horas.

Portanto, a estatística, por si só, já assusta. Mas o impacto real se revela nos rostos, nas cicatrizes e nas vozes de mulheres que transformaram seus relatos em sobrevivência. O dado representa um aumento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram 796 vítimas.

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Portanto, mais do que números, esses episódios revelam histórias de terror cotidiano: mães agredidas diante dos filhos, jovens encurraladas em relacionamentos abusivos, esposas que arriscaram a vida saltando de janelas para fugir de agressões.

Além disso, desde 2019, a cidade soma 16 vítimas de feminicídio, sendo 12 casos consumados e 4 tentativas. Só em 2025, até junho, foram três assassinatos de mulheres e duas tentativas, todos praticados por parceiros ou ex-parceiros.

Portanto, a realidade se intensifica no exato momento em que o Brasil celebra os 19 anos da Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica. Mas os dados em Divinópolis mostram que a lei, sozinha, não é suficiente.

Panorama local: o retrato da violência em Divinópolis

Além disso, Divinópolis não está sozinha nesse cenário de escalada da violência. Os números de Uberaba e Araxá também revelam padrões preocupantes. Porém, o dado específico da cidade chama atenção pelo ritmo acelerado de crescimento.

  • 918 casos de violência doméstica no 1º semestre de 2025

  • Aumento de 15,3% em relação a 2024

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  • 16 feminicídios desde 2019 (12 consumados, 4 tentativas)

  • 3 feminicídios consumados só em 2025 até junho

  • Média de 5 registros por dia

Além disso, essas informações, fornecidas pela Polícia Civil de Minas Gerais, demonstram que Divinópolis precisa enfrentar um fenômeno de proporções graves. Segundo a delegada Francielly Sifuentes, especializada no atendimento às mulheres, a denúncia continua sendo o primeiro passo para quebrar o ciclo da violência.

“A importância de denunciar a violência doméstica e familiar está no fato de que é através da denúncia que a mulher poderá ter acesso aos mecanismos de proteção previstos na lei, bem como será realizada a responsabilização do agressor, o que viabiliza a quebra do ciclo de violência.”

Casos que chocaram Divinópolis em 2025

O feminicídio de fevereiro

Portanto, o primeiro feminicídio do ano ocorreu na madrugada de 21 de fevereiro, no Bairro Jardinópolis. Uma jovem foi estrangulada pelo namorado dentro da própria casa. As duas filhas da vítima estavam presentes no momento do crime. O homem, com histórico de violência, fugiu, mas foi preso horas depois.

O drama de Giovana Paula Rodrigues

Além disso, em janeiro, Divinópolis foi palco de uma tentativa brutal de feminicídio. Giovana Paula Rodrigues, de 27 anos, levou cinco tiros disparados pelo companheiro dentro do apartamento onde moravam, no Bairro Bom Pastor. Atingida na cabeça, braço, fêmur e glúteo, Giovana perdeu um dos olhos, mas sobreviveu. O agressor, Robert Washington da Silva, de 35 anos, atirou contra si após o crime e morreu no hospital.

O pai da vítima, Rosimar Justino Rodrigues, resumiu o sentimento da família. “Apesar de serem dias difíceis, sou grato porque ela renasceu.”

A jovem que pulou da janela

Em junho, outra história chamou a atenção. Uma jovem de 20 anos saltou da janela do primeiro andar de um prédio no Centro da cidade para escapar das agressões do marido. Ela caiu sobre a marquise de uma loja, sofreu ferimentos, mas sobreviveu. O suspeito, de 31 anos, fugiu e segue procurado pela polícia.

Onde denunciar em Divinópolis

Portanto, apesar do aumento dos casos, a cidade conta com diferentes canais de apoio às mulheres:

  • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, gratuita e anônima

  • Ligue 190 – Polícia Militar, em casos de emergência

  • Aplicativo MG Mulher – permite acionar rede de contatos em situação de risco e acessar informações sobre unidades de apoio

  • Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) – Rua Goiás, nº 1985, atendimento de segunda a sexta, das 8h30 às 18h30, com brinquedoteca para acolhimento de crianças

  • Delegacia Virtual – delegaciavirtual.sids.mg.gov.br

Minas Gerais em números: o mapa da violência

Se Divinópolis assusta com seus 918 registros de violência doméstica em apenas seis meses, os números estaduais revelam um cenário ainda mais preocupante. Minas Gerais registrou 78.697 vítimas de violência doméstica no primeiro semestre de 2025.

Dentro desse total, o feminicídio aparece como um dos crimes mais cruéis: 167 mulheres foram vítimas, sendo 72 assassinadas e 95 alvos de tentativas de homicídio. Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) reforçam que a violência contra a mulher não respeita fronteiras geográficas nem classes sociais.

Segundo o Observatório de Segurança da própria secretaria, em média, a cada hora, 14 mulheres sofrem violência doméstica em Minas Gerais. A cada três dias, uma mulher é morta pelo simples fato de ser mulher.

Essas estatísticas não representam apenas crimes individuais. Elas revelam uma estrutura social desigual, marcada pelo machismo, pela dificuldade de acesso à justiça e pela fragilidade de políticas públicas preventivas.

Uberaba: a curva de crescimento que preocupa

Uberaba, município do Triângulo Mineiro, também registra alta nos casos. Nos seis primeiros meses de 2025, foram mais de 1.200 registros de violência doméstica. O dado mostra uma escalada que acompanha a tendência estadual, apesar de campanhas locais e da presença de uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.

O feminicídio também tem índices significativos na cidade. Entre 2019 e 2025, Uberaba contabilizou 19 mortes de mulheres em contexto de violência doméstica.

Para a promotora de Justiça da cidade, Mariana Nogueira, a explicação passa por fatores culturais e institucionais. “A Lei Maria da Penha trouxe avanços, mas esbarra em gargalos. Muitas mulheres ainda sentem medo de denunciar. Outras não encontram respaldo suficiente para se manterem longe do agressor, por falta de rede de proteção eficiente. Isso perpetua o ciclo da violência.”

Araxá: violência entre quatro paredes

Araxá, município vizinho a Uberaba, também sofre com o aumento da violência de gênero. O balanço da Polícia Civil mostra que, só no primeiro semestre de 2025, foram 487 registros de violência doméstica.

Embora o número absoluto seja menor que em Uberaba e Divinópolis, especialistas destacam que a proporção em relação à população local é elevada. Ou seja, a cada 100 mulheres, quase duas sofrem algum tipo de violência no período analisado.

Em entrevista recente ao jornal local, a psicóloga social Cláudia Martins destacou que a violência psicológica é a mais comum em Araxá. “Muitas mulheres não identificam os sinais iniciais de um relacionamento abusivo. A humilhação constante, o isolamento social e o controle sobre decisões pessoais são formas graves de violência, ainda que invisíveis.”

As semelhanças e diferenças entre as cidades

Ao comparar os três municípios, Divinópolis, Uberaba e Araxá, algumas semelhanças chamam a atenção:

  • Todas registraram aumento dos casos em 2025, confirmando que a violência doméstica segue em ascensão em Minas.

  • Em todas as cidades, os feminicídios continuam a ocorrer, mesmo com medidas protetivas previstas pela lei.

  • O perfil do agressor é semelhante: homens com vínculo afetivo com a vítima, muitas vezes reincidentes, e que frequentemente tentam justificar seus atos sob influência de álcool, drogas ou ciúmes doentios.

As diferenças ficam por conta da infraestrutura de atendimento. Uberaba, por exemplo, conta com mais unidades de acolhimento às mulheres, enquanto Divinópolis inaugurou recentemente uma sala humanizada na Delegacia da Mulher. Já Araxá ainda luta para garantir equipe multidisciplinar permanente.

A visão dos especialistas: por que Minas Gerais repete padrões nacionais

Pesquisas realizadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram que o crescimento da violência contra a mulher em Minas segue a mesma curva nacional. O levantamento de 2023 já indicava que o Brasil registrava um feminicídio a cada sete horas.

Para a socióloga e pesquisadora da UFMG, Juliana Peixoto, o problema exige mais do que leis. “O feminicídio é a ponta do iceberg. Antes da morte, há meses ou anos de agressões psicológicas, físicas e patrimoniais. Precisamos ampliar políticas públicas, investir em prevenção e, sobretudo, trabalhar a educação de gênero nas escolas.”

Segundo ela, programas como o Agosto Lilás têm papel importante na conscientização, mas ainda são ações pontuais. O desafio é estruturar políticas de longo prazo, capazes de reduzir os índices de maneira permanente.

A lei que mudou a história

Em 7 de agosto de 2006, o Brasil sancionava a Lei nº 11.340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha, em homenagem à farmacêutica cearense que sobreviveu a duas tentativas de assassinato cometidas pelo marido.

O caso ganhou repercussão internacional depois que Maria da Penha Fernandes recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, denunciando o Estado brasileiro por omissão. O país foi condenado, e a decisão obrigou a criação de uma lei específica para proteger mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

A legislação é considerada uma das três mais avançadas do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU), ao lado das normas da Espanha e do Chile. Ela prevê medidas protetivas de urgência, juizados especializados, atendimento humanizado, assistência psicológica e a responsabilização do agressor.

Os primeiros resultados

Nos anos seguintes à sua criação, a lei mostrou avanços significativos. Relatórios do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que a Lei Maria da Penha contribuiu para a redução em cerca de 10% das taxas de homicídio de mulheres dentro de casa nos primeiros cinco anos de vigência.

Além disso, houve crescimento no número de denúncias. Se antes muitas mulheres silenciavam por medo ou vergonha, a lei criou um ambiente institucional de maior confiança para que as vítimas buscassem ajuda.

Em Minas Gerais, por exemplo, o número de medidas protetivas concedidas saltou de cerca de 6 mil em 2007 para mais de 80 mil em 2022. Esse dado mostra que, embora a violência persista, as mulheres passaram a usar mais os mecanismos de proteção disponíveis.

As falhas estruturais

Apesar dos avanços, especialistas apontam falhas graves na aplicação da lei. Uma delas é a lentidão no cumprimento das medidas protetivas. Muitas mulheres continuam sendo agredidas ou até mortas mesmo após terem conseguido ordem judicial contra o agressor.

Um levantamento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), divulgado em 2023, mostrou que em 38% dos casos de feminicídio registrados no Brasil, a vítima já havia solicitado ajuda às autoridades. Em outras palavras, o Estado sabia da ameaça, mas falhou em proteger a mulher.

Em Divinópolis, a situação se repete. O caso da jovem que pulou da janela em junho de 2025 é um exemplo: ela já havia registrado boletim de ocorrência contra o marido, mas não conseguiu garantir distância efetiva do agressor.

O papel da Delegacia Especializada

A criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) foi outro avanço previsto pela lei. Em Divinópolis, a unidade funciona na Rua Goiás, com atendimento multidisciplinar. No entanto, enfrenta problemas de estrutura, equipe reduzida e sobrecarga de casos.

Segundo dados da Associação dos Delegados de Polícia de Minas Gerais (Adepol-MG), apenas 28% das cidades mineiras contam com delegacias exclusivas para mulheres. Isso significa que a maioria das vítimas precisa buscar atendimento em delegacias comuns, muitas vezes em ambientes pouco acolhedores e até hostis.

A própria Maria da Penha, em entrevistas recentes, reconhece que a lei que leva seu nome precisa de reforço constante. “A lei é forte, mas depende da execução. Quando uma mulher denuncia, ela precisa ser acolhida, ter para onde ir, ter apoio psicológico, ter segurança. O que não pode é denunciar e voltar para casa sem nenhuma garantia.”

A evolução da lei em 19 anos

Ao longo de quase duas décadas, a Lei Maria da Penha passou por alterações e complementações importantes:

  • 2012: criação da tipificação do feminicídio como circunstância qualificadora do homicídio.

  • 2015: aprovação da Lei do Feminicídio, que incluiu o crime no rol de homicídios qualificados do Código Penal, com penas mais duras.

  • 2018: inclusão da violência psicológica como forma explícita de violência doméstica.

  • 2021: Lei nº 14.188 trouxe o Programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, que permite à vítima denunciar discretamente em farmácias e repartições públicas por meio de um “X” vermelho desenhado na mão.

  • 2023: avanço na discussão sobre o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores, medida já adotada em alguns estados, incluindo Minas Gerais.

O impacto real em Minas Gerais

Apesar dos instrumentos criados, os números em Minas continuam altos. O estado registrou 167 vítimas de feminicídio apenas no primeiro semestre de 2025.

A promotora de Justiça mineira, Luciana Cardoso, avalia que o problema vai além da lei. “Não basta ter legislação. É preciso garantir recursos para casas-abrigo, acompanhamento psicológico, treinamento das forças policiais e campanhas permanentes de educação de gênero. A violência contra a mulher é uma chaga social, não se resolve apenas no Judiciário.”

O que ainda falta

Além disso, entre os principais gargalos apontados por especialistas estão:

  • Baixa capilaridade das Deams – faltam delegacias exclusivas em grande parte das cidades mineiras.

  • Insuficiência de casas de acolhimento – muitas mulheres não denunciam por não terem para onde ir com os filhos.

  • Demora no julgamento dos processos – a sobrecarga do Judiciário dificulta a responsabilização rápida dos agressores.

  • Fragilidade da rede de apoio psicológico – vítimas precisam de acompanhamento, mas a maioria dos municípios não dispõe de psicólogos especializados.

A escalada dos feminicídios

Desde 2019, Divinópolis soma 16 vítimas de feminicídio, sendo 12 assassinatos consumados e 4 tentativas. Portanto, embora os números possam parecer pequenos frente às estatísticas estaduais, cada um desses casos representa uma vida interrompida, uma família devastada e uma sociedade que falhou em proteger.

Portanto, de acordo com dados da Polícia Civil, os crimes seguem um padrão: a maioria ocorre dentro de casa, em contextos de relacionamentos marcados por ciúmes doentios, possessividade e histórico prévio de violência psicológica ou física.

Casos emblemáticos que chocaram Divinópolis

O feminicídio de 2025 no Bairro Jardinópolis

Na madrugada de 21 de fevereiro de 2025, um crime brutal ocorreu no Bairro Jardinópolis. Uma jovem foi estrangulada pelo namorado dentro da própria residência. O detalhe mais cruel: as duas filhas pequenas estavam na casa e presenciaram a cena.

O suspeito, já com histórico de violência, fugiu do local, mas acabou preso horas depois. O caso provocou revolta e indignação na cidade, especialmente por envolver crianças como testemunhas diretas do assassinato da mãe.

A sobrevivente Giovana Paula Rodrigues

Outro episódio marcante aconteceu em janeiro de 2025. Giovana Paula Rodrigues, de 27 anos, sobreviveu a uma tentativa brutal de feminicídio.
O companheiro, Robert Washington da Silva, disparou cinco tiros contra ela no apartamento onde viviam, no Bairro Bom Pastor. Giovana foi atingida na cabeça, fêmur, braço e glúteo. Apesar de perder um dos olhos, ela sobreviveu após longa internação.

O agressor tirou a própria vida após atirar nela, mas não apagou a dor que deixou para a vítima e familiares. O pai de Giovana, Rosimar Justino Rodrigues, descreveu o alívio em meio à tragédia. “Apesar de serem dias difíceis, sou grato porque ela renasceu.”

O caso de Giovana se tornou símbolo de resistência, mostrando que mesmo nos episódios mais violentos, a denúncia e o socorro rápido podem salvar vidas.

A jovem que saltou da janela

Em junho de 2025, uma jovem de 20 anos arriscou a vida para escapar das agressões do marido. Ela pulou da janela do primeiro andar de um prédio no Centro da cidade, caindo sobre a marquise de uma loja.

A jovem foi socorrida com dores na lombar e na região pélvica, mas sobreviveu. O agressor fugiu e ainda é procurado. O episódio reforça a sensação de aprisionamento psicológico vivido por muitas vítimas, que chegam ao ponto de arriscar a própria vida para fugir do agressor.

O retrato dos feminicídios desde 2019

Segundo levantamento da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em Divinópolis, os 12 feminicídios consumados desde 2019 seguiram padrões semelhantes:

  • Local dos crimes: 85% dentro da residência da vítima ou do casal.

  • Perfil das vítimas: mulheres entre 18 e 40 anos, maioria mães, com dependência emocional ou financeira dos companheiros.

  • Perfil dos agressores: homens entre 25 e 45 anos, em sua maioria ex-parceiros inconformados com o fim do relacionamento.

  • Métodos utilizados: 60% por armas brancas ou estrangulamento, 30% por arma de fogo, 10% por outros meios.

  • Histórico de denúncias: em 50% dos casos, a vítima já havia procurado a polícia antes do crime fatal.

Esses dados confirmam um padrão que se repete em todo o Brasil: o feminicídio raramente acontece “do nada”. Em geral, ele é o estágio final de uma escalada de violência.

A dor das famílias

Cada feminicídio deixa para trás uma cadeia de sofrimento. Filhos órfãos, famílias destruídas e comunidades impactadas.
Em Divinópolis, muitas das vítimas eram mães, o que agrava o impacto social. De acordo com estudo do Instituto Patrícia Galvão, cada feminicídio deixa em média dois a três órfãos.
Isso significa que, só na cidade, pelo menos 30 crianças e adolescentes perderam suas mães para a violência desde 2019.

A psicóloga clínica Andréa Ramos explica que o impacto é profundo e duradouro. “Essas crianças crescem com marcas emocionais difíceis de superar. Além da dor da perda, muitas presenciam o crime ou convivem com anos de violência em casa. É uma ferida que pode gerar ciclos futuros de sofrimento, se não houver acompanhamento adequado.”

Feminicídio: o crime que poderia ter sido evitado

O levantamento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher, concluído em 2013, já havia alertado: a maioria dos feminicídios poderia ter sido evitada se houvesse maior eficiência no cumprimento das medidas protetivas.

Em Divinópolis, parte dos crimes consumados ocorreu com vítimas que já tinham histórico de boletins de ocorrência contra os agressores. Isso expõe falhas na rede de proteção.

A promotora de Justiça Maria Clara Couto afirma que o desafio é transformar a denúncia em ação efetiva. “Quando uma mulher denuncia, ela está pedindo socorro. Se o Estado não consegue agir rápido, a consequência pode ser fatal. Precisamos investir em tecnologia, monitoramento e, sobretudo, ampliar as equipes que acompanham esses casos.”

Quem são as vítimas?

Em Divinópolis, como em outras cidades de Minas Gerais, a violência doméstica não escolhe classe social, idade ou profissão. Entretanto, estudos apontam padrões recorrentes entre as vítimas.

  • Idade predominante: 20 a 40 anos. Mulheres jovens, muitas delas em fase produtiva da vida e mães de crianças pequenas.

  • Relação com o agressor: 75% estavam em relacionamento com o agressor, seja como companheira atual ou ex-parceira.

  • Dependência econômica: 60% das vítimas possuíam dependência financeira do parceiro, o que limita a capacidade de romper o ciclo de violência.

  • Histórico de violência anterior: Mais da metade já tinha sofrido agressões físicas ou psicológicas nos meses anteriores ao crime.

A socióloga Juliana Peixoto, da UFMG, destaca que a vulnerabilidade das vítimas não se restringe à situação econômica:

“O ciclo da violência doméstica é alimentado pelo medo, pela dependência emocional e pelo isolamento social. Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos porque não percebem saídas seguras.”

A violência psicológica: o primeiro passo invisível

Antes de qualquer agressão física, muitas mulheres passam por violência psicológica, que inclui humilhações, ameaças, chantagens emocionais e controle excessivo sobre decisões cotidianas.

Em Araxá, estudo da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) apontou que mais de 70% das mulheres que sofreram violência doméstica relataram abuso psicológico antes de agressões físicas.

Essa forma de violência é muitas vezes ignorada ou minimizada, mas prepara o terreno para episódios mais graves, incluindo o feminicídio.

Quem são os agressores?

Analisando os 16 feminicídios de Divinópolis desde 2019 e os 918 registros de violência doméstica em 2025, é possível traçar um perfil predominante dos agressores:

  • Idade: 25 a 45 anos.

  • Histórico de violência: a maioria já possui registros policiais anteriores por agressão, ameaça ou lesão corporal.

  • Relação com a vítima: companheiro atual, ex-companheiro ou pessoa com vínculo afetivo.

  • Motivações comuns: ciúmes patológicos, possessividade, frustração pelo término do relacionamento, influência de álcool ou drogas.

O psicólogo clínico André Lima observa que esses homens seguem padrões de comportamento controladores, e frequentemente manipulam emocionalmente a vítima:

“O agressor mantém a mulher em situação de dependência, seja emocional ou financeira. Ele isola a vítima, a humilha e reforça a ideia de que ela não sobreviveria sem ele. Isso cria um ciclo difícil de quebrar.”

Fatores socioculturais

A perpetuação da violência doméstica está fortemente ligada a normas culturais e sociais que naturalizam o machismo.

  • Estudos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam que mulheres em comunidades mais conservadoras enfrentam maiores dificuldades para denunciar.

  • A pressão social, a vergonha e o medo de retaliação são fatores que aumentam a vulnerabilidade feminina.

  • A desigualdade de gênero também se manifesta na economia: mulheres dependentes financeiramente do parceiro têm menor liberdade de decisão, aumentando o risco de agressões.

Consequências psicológicas para as vítimas

O impacto da violência doméstica vai além do físico. Psicólogos e psiquiatras alertam que vítimas sofrem de:

  • Transtornos de ansiedade e depressão, frequentemente crônicos.

  • Síndrome do Estresse Pós-Traumático (SEPT), especialmente após agressões graves ou tentativas de feminicídio.

  • Isolamento social, que dificulta reconstruir a vida pessoal e profissional.

Segundo a psicóloga Cláudia Martins, que atua em Araxá e Divinópolis, muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos não apenas por medo, mas por trauma psicológico.

“O agressor cria um ciclo de punição e recompensa, levando a vítima a acreditar que merece sofrer ou que a violência é normal. Esse padrão é extremamente difícil de romper sem apoio profissional.”

O que os dados revelam sobre a perpetuação da violência

Os padrões invisíveis do abuso revelam que o ciclo da violência é intergeracional e social. Crianças que crescem em ambientes de violência doméstica têm maior probabilidade de reproduzir comportamentos agressivos no futuro.

No contexto de Divinópolis:

  • Mais da metade dos feminicídios envolveram mães com filhos menores.

  • As crianças presenciaram direta ou indiretamente as agressões, criando traumas profundos.

  • O acompanhamento psicológico dessas crianças ainda é insuficiente, aumentando o risco de perpetuação do ciclo de violência.

A criação das Delegacias Especializadas

As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) surgiram com o objetivo de oferecer acolhimento humanizado, atendimento rápido e eficiente, garantindo que mulheres vítimas de violência pudessem registrar queixas e solicitar medidas protetivas sem revitimização.

Em Divinópolis, a Deam está localizada na Rua Goiás, nº 1985, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 ao meio-dia e das 14h às 18h30. A unidade conta com sala de depoimento especial, brinquedoteca, equipe multidisciplinar formada por delegado, escrivão, investigador e psicólogo, oferecendo suporte completo às vítimas.

Segundo dados da própria delegacia, mais de 70% das mulheres atendidas já haviam sofrido agressões anteriormente, o que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo e estratégias preventivas.

Estrutura e funcionamento

A Deam de Divinópolis atende denúncias de violência física, psicológica, sexual e patrimonial, além de auxiliar na emissão de medidas protetivas de urgência.

O atendimento é dividido em etapas:

  1. Registro da ocorrência: A vítima narra o episódio de violência, com apoio psicológico se necessário.

  2. Análise e encaminhamento: A equipe avalia a necessidade de medidas protetivas imediatas.

  3. Acompanhamento contínuo: Psicólogos e assistentes sociais acompanham o caso, oferecendo suporte emocional e orientação sobre recursos disponíveis.

  4. Integração com rede de proteção: A delegacia mantém contato com órgãos de saúde, assistência social, Ministério Público e instituições de acolhimento.

A delegada Francielly Sifuentes explica que o diferencial da Deam é a abordagem humanizada e multidisciplinar, que aumenta a confiança da vítima no processo. “O atendimento humanizado é essencial. Muitas mulheres chegam em estado de choque ou medo extremo. Criar um ambiente seguro permite que elas denunciem e recebam proteção adequada.”

Avanços no atendimento às vítimas

Desde sua inauguração, a Deam de Divinópolis registrou alguns avanços significativos:

  • Redução no tempo de emissão de medidas protetivas: Atualmente, muitas mulheres conseguem a proteção em até 24 horas após registrar a denúncia.

  • Maior integração com órgãos municipais e estaduais: Isso permite ações conjuntas entre polícia, saúde e assistência social.

  • Capacitação constante da equipe: Servidores recebem treinamentos sobre violência doméstica, feminicídio e direitos das mulheres, promovendo atendimento mais eficaz.

Além disso, a delegacia conta com plantão especial nos finais de semana, garantindo atendimento emergencial em casos graves.

Exemplos de sucesso

Casos recentes demonstram a importância da Deam. Em uma ocorrência de tentativa de feminicídio, o agressor foi monitorado por tornozeleira eletrônica, medida que evitou uma segunda agressão e permitiu a prisão rápida.

Outro exemplo foi a atuação conjunta entre Deam e MG Mulher, aplicativo que permite à vítima acionar uma rede de proteção em situações de risco. Em menos de 30 minutos, a mulher recebeu atendimento policial e psicológico.

Esses exemplos mostram que, quando a infraestrutura é usada corretamente e integrada com a tecnologia, o impacto da lei e da proteção pode ser real e salvar vidas.

Tecnologias de proteção e monitoramento eletrônico: o futuro da segurança para mulheres

Nos últimos anos, o monitoramento eletrônico de agressores se tornou uma ferramenta crucial no combate à violência doméstica. Divinópolis, como sede da 7ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), passou a contar com subnúcleo especializado em instalação, manutenção e retirada de tornozeleiras eletrônicas no Presídio Floramar.

As tornozeleiras funcionam como dispositivos de rastreamento em tempo real, permitindo que as autoridades saibam a posição do agressor e acionem a polícia caso ele se aproxime da vítima. Essa medida é especialmente relevante para casos de feminicídio e tentativa de feminicídio, onde a proximidade do agressor pode significar risco imediato de vida.

Segundo estudo da Associação Brasileira de Estudos sobre Violência Doméstica (ABEV), cidades que utilizam monitoramento eletrônico registraram redução de 28% na reincidência de agressões entre agressores monitorados.

Aplicativos de apoio à vítima

Além das tornozeleiras, o estado de Minas Gerais lançou o aplicativo MG Mulher, disponível para smartphones.

O app permite que a vítima:

  • Cadastre contatos confiáveis que serão acionados em caso de perigo;

  • Localize delegacias e unidades de apoio mais próximas;

  • Acesse informações sobre direitos e medidas de proteção;

  • Denuncie agressões de forma rápida e discreta.

A integração entre MG Mulher e a Deam de Divinópolis facilita que a rede de proteção atue de forma imediata, reduzindo o tempo entre denúncia e intervenção policial.

Impactos no cotidiano das vítimas

O monitoramento eletrônico e os aplicativos não substituem o atendimento presencial, mas aumentam significativamente a sensação de segurança da vítima.

A delegada Francielly Sifuentes relata casos em que a presença da tornozeleira eletrônica evitou novos episódios de violência. “Quando o agressor sabe que está sendo monitorado, ele se afasta. Isso dá à vítima tempo para reconstruir a vida, buscar apoio psicológico e retomar o trabalho ou estudos sem medo constante.”

Além disso, o uso de tecnologias permite mapear padrões de agressão, ajudando a polícia a antecipar riscos e planejar ações preventivas.

Desafios e limitações tecnológicas

Apesar do avanço, existem limitações:

  • Nem todos os agressores aceitam ou cumprem a medida;

  • É necessária manutenção constante dos dispositivos, com risco de falha técnica;

  • A tecnologia não resolve o problema estrutural de casas-abrigo insuficientes;

  • Dependência de pessoal treinado para monitoramento e atuação rápida.

O psicólogo André Lima reforça que a tecnologia é uma ferramenta complementar. “Ela oferece segurança, mas não resolve a raiz do problema: a cultura de violência e o machismo enraizado. É preciso unir tecnologia, políticas públicas e educação para resultados duradouros.”

Casos de sucesso em Divinópolis

Um exemplo emblemático ocorreu em 2025: após denúncia de violência doméstica, o agressor foi equipado com tornozeleira eletrônica. Quando tentou se aproximar da vítima, o sistema alertou a polícia, que interveio antes que ocorresse uma nova agressão.

Outro caso envolveu o uso do MG Mulher, em que uma vítima conseguiu acionar a polícia discretamente enquanto estava em situação de risco, evitando consequências fatais.

Estes exemplos mostram que, quando combinadas com políticas de proteção, as tecnologias representam um avanço concreto na luta contra a violência doméstica e o feminicídio.

Agosto Lilás: origem e objetivos

Portanto, o Agosto Lilás nasceu para marcar o mês de sanção da Lei Maria da Penha (7 de agosto de 2006) e fortalecer a luta contra a violência doméstica e familiar. O objetivo principal é sensibilizar a população, informar sobre direitos da mulher e incentivar denúncias.

Além disso, a campanha enfatiza a importância de criar uma rede de proteção eficiente, englobando polícia, poder judiciário, instituições de apoio e sociedade civil. Em Divinópolis, a Secretaria Municipal de Assistência Social coordena ações que envolvem palestras, oficinas, panfletagem e atividades educativas em escolas e empresas.

Educação e sensibilização como ferramentas de prevenção

Especialistas apontam que informação é prevenção. Quando mulheres conhecem seus direitos e sabem onde buscar ajuda, aumentam as chances de interromper ciclos de violência.

  • Escolas e universidades: oficinas e palestras abordam temas como respeito, igualdade de gênero e prevenção da violência doméstica.

  • Empresas e órgãos públicos: campanhas internas reforçam canais de denúncia, políticas de proteção e apoio psicológico.

  • Mídia e redes sociais: vídeos educativos e posts informativos ampliam o alcance da mensagem, alcançando mulheres que, muitas vezes, não sabem onde procurar ajuda.

Portanto, a psicóloga Cláudia Martins reforça. “A conscientização muda comportamentos e encoraja vítimas e testemunhas a denunciarem. A educação contínua é essencial para quebrar o ciclo de violência.”

Exemplos de ações em Divinópolis

Durante agosto de 2025, Divinópolis realizou diversas atividades dentro da campanha:

  • Encontro de mulheres em situação de vulnerabilidade: palestras sobre prevenção, direitos legais e apoio psicológico.

  • Ações de rua: distribuição de materiais informativos sobre canais de denúncia, como o telefone 180, MG Mulher e Delegacia da Mulher.

  • Campanhas digitais: vídeos com depoimentos de vítimas que superaram a violência e orientação sobre medidas protetivas.

O vereador Josafá Anderson destacou que essas ações ajudam a prevenir casos extremos, citando situações de outras cidades onde a falta de conscientização levou a tragédias.

Resultados das campanhas

Além disso, estudos da ONU Mulheres e do Instituto Patrícia Galvão apontam que campanhas contínuas como o Agosto Lilás:

  • Aumentam o número de denúncias em até 20% durante o período da campanha;

  • Reduzem a invisibilidade da violência psicológica e patrimonial;

  • Incentivam testemunhas a agir, fortalecendo a rede de proteção comunitária.

Portanto, em Divinópolis, dados preliminares indicam que a campanha de 2025 contribuiu para mais de 120 denúncias via MG Mulher e telefone 180, muitas delas resultando em medidas protetivas imediatas.

Educação de gênero: ação preventiva de longo prazo

Além disso, a prevenção não se limita a denunciar ou punir; envolve transformar mentalidades.

  • Escolas e universidades promovem debates sobre igualdade, respeito e empoderamento feminino.

  • Treinamento de servidores públicos reforça o atendimento humanizado e a identificação precoce de vítimas.

  • Campanhas culturais e mídias locais reforçam valores de igualdade, respeito e cidadania.

O especialista em políticas públicas, Henrique Soares, explica. “A mudança cultural é o que sustenta qualquer política de proteção. Só quando homens e mulheres internalizam a igualdade de gênero é que a violência diminui estruturalmente.”

A violência contra a mulher em Divinópolis: um desafio persistente

Portanto, os números mostram que a violência doméstica e o feminicídio permanecem como problemas graves em Divinópolis. Até junho de 2025, foram registrados 918 casos de violência doméstica, com aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2024.

Além disso, os feminicídios, desde 2019, somam 16 vítimas, sendo 12 consumados e quatro tentativas. Cada caso representa uma vida perdida, famílias desestruturadas e consequências psicológicas profundas, especialmente para filhos que presenciam os crimes.

Portanto, estes dados confirmam que, apesar da Lei Maria da Penha e das políticas públicas, ainda há gaps na proteção, no atendimento e na prevenção da violência.

Principais avanços observados

  1. Criação de Delegacias Especializadas: atendimento humanizado e multidisciplinar às vítimas.

  2. Medidas protetivas de urgência: concessão em até 24 horas em muitos casos.

  3. Monitoramento eletrônico: tornozeleiras que impedem aproximação do agressor e evitam reincidência.

  4. Aplicativos de denúncia: MG Mulher e telefone 180, permitindo ação rápida.

  5. Campanhas de conscientização: Agosto Lilás e educação de gênero em escolas e empresas.

Portanto, esses avanços mostram que a combinação de legislação, tecnologia e conscientização social é eficaz, mas não suficiente sem recursos adequados e articulação institucional.

Desafios estruturais que permanecem

Apesar dos progressos, a realidade ainda exige atenção urgente:

  • Sobrecarga das delegacias e falta de equipes completas;

  • Deficiência de casas-abrigo para mulheres em risco imediato;

  • Demora no julgamento dos processos e falhas na execução das medidas protetivas;

  • Cultura de violência e machismo, que ainda normaliza abusos e intimida vítimas;

  • Insuficiência de acompanhamento psicológico para vítimas e filhos.

Além disso, a promotora Luciana Cardoso alerta. “Sem políticas públicas integradas e prevenção cultural, a lei por si só não consegue reduzir a violência. É preciso atuar em múltiplas frentes simultaneamente.”

Recomendações para Divinópolis e Minas Gerais

Portanto, especialistas sugerem uma abordagem integrada e contínua, incluindo:

  1. Ampliação de recursos para Deams: contratação de psicólogos, assistentes sociais e policiais especializados.

  2. Expansão de casas-abrigo: aumento da oferta de locais seguros, com capacidade para mulheres e filhos.

  3. Fortalecimento do monitoramento eletrônico: maior cobertura de tornozeleiras e integração com órgãos de segurança.

  4. Capacitação contínua de profissionais: treinamento de servidores públicos e equipes de saúde para identificar sinais de violência.

  5. Educação de gênero e campanhas permanentes: inclusão de conteúdos de prevenção em escolas, universidades e mídia local.

  6. Apoio às vítimas: acompanhamento psicológico, social e financeiro para reconstrução da vida após a denúncia ou agressão.

A importância da denúncia e da participação social

Além disso, a delegada Francielly Sifuentes reforça que denunciar salva vidas: “É através da denúncia que a mulher terá acesso à proteção e o agressor será responsabilizado. Toda a sociedade precisa atuar para quebrar o ciclo da violência.”

Portanto, o cidadão também tem papel fundamental: testemunhas que acionam a polícia ou oferecem apoio contribuem diretamente para prevenir tragédias.

Perspectivas futuras

  • Tecnologia e integração: o futuro do combate à violência doméstica passa pelo uso intensivo de monitoramento eletrônico, aplicativos e análise de dados para prever riscos.

  • Mudança cultural: educação contínua sobre igualdade de gênero é essencial para reduzir a incidência de violência.

  • Políticas públicas robustas: investimentos em delegacias, casas-abrigo e apoio psicológico fortalecem a rede de proteção.

Além disso, a combinação dessas estratégias pode reduzir significativamente os índices de violência, transformando Divinópolis em referência estadual na proteção à mulher.

Divinópolis enfrenta uma realidade complexa e desafiadora: a violência contra a mulher não é apenas um problema individual, mas social, cultural e estrutural.
Os avanços conquistados com a Lei Maria da Penha, Deams, monitoramento eletrônico e campanhas de conscientização são importantes, mas a luta não termina aqui.

Portanto, somente com ações integradas, educação, tecnologia e participação de toda a sociedade será possível reduzir efetivamente os casos de violência doméstica e feminicídio, garantindo que cada mulher viva com dignidade, liberdade e segurança.

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