No “Agosto Lilás” mês dedicado ao “Combate Contra a Violência Contra Mulher” , o Divinews teve acesso com exclusividade a uma grave denúncia que envolve o médico Roberto Locemar Dias, ginecologista obstetra plantonista do Hospital São João de Deus, em Divinópolis. Esse caso, entre outros ainda que serão melhor apurados, se deu na madrugada do dia 11 de julho, por volta das 3h17, e foi registrado em Boletim de Ocorrência (BO) às 5h21, com finalização na Delegacia de Policia Civil, às 9h07. Foi registrado como um atrito entre o profissional e uma paciente gestante, oriunda de uma cidade próxima a Divinópolis. O fato que pode se configurar como violência obstétrica, é uma prática condenada pela OMS – Organização Mundial da Saúde, e que, no Brasil, pode ser tipificada como lesão corporal ou maus-tratos, conforme o Código Penal – Em Nota o CSSJD se manifestou ao Divinews, que “no contexto da campanha Agosto Lilás, a instituição reafirma seu compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher e com a promoção de um ambiente assistencial seguro, empático e humanizado para todas as nossas pacientes”.
De acordo com o BO, a gestante grávida de 36 semanas e um dia, buscou atendimento no hospital após encaminhamento médico particular para realização de cardiotocografia, exame comum no final da gestação. Após realizar o procedimento, ela retornou ao pronto-atendimento, onde encontrou o médico plantonista da madrugada, o obstetra Roberto Locemar Dias, cuja conduta foi relatada pela paciente como “rude, ríspida e constrangedora”.
Segundo a gestante, o médico a mandou despir-se de forma grosseira, sem qualquer cuidado no trato verbal, e a conduziu ao exame de toque vaginal de maneira insensível e dolorosa. Ela relata que pediu ao médico que interrompesse o procedimento, mas, de acordo com sua versão, ele teria insistido, seguindo com o toque até nova negativa sua. Ela e seu esposo, relataram terem se sentido constrangidos e maltratados durante todo o atendimento, o qual se estendeu da tarde até a madrugada sem acolhimento humanizado.
Versão do médico e incicialmente do hospital
Ouvido pela Polícia Militar, o médico Roberto Locemar alegou que não havia sido informado sobre a presença da paciente por seu colega do plantão anterior. Afirmou que só teve ciência do caso após receber a ficha da maternidade, com os dados da cardiotocografia. Constatando sinais de trabalho de parto, decidiu realizar o exame de toque para avaliar a dilatação, mas afirmou que a paciente apresentava vaginismo, que é contração involuntária dos músculos vaginais, o que teria tornado o procedimento doloroso e dificultado sua execução.
Roberto afirma ter tentado orientar a paciente sobre a necessidade de relaxamento para concluir o exame, mas a resistência levou a uma discussão entre ele, a paciente e seu marido que a acompahava. Diante do impasse, diz ter encerrado o atendimento e orientado a paciente a se dirigir à recepção para formalizar a internação, devido ao risco iminente de parto.
O caso foi acompanhado pelo gerente geral noturno do hospital, que assegurou que a direção da unidade naquela ocasião iria apurar rigorosamente os fatos.
Dignidade violada ou protocolo mal conduzido
O episódio levanta o debate sobre a persistência da violência obstétrica mesmo em unidades de saúde de referência. O termo não se refere apenas à agressão física, mas a todo tipo de conduta abusiva, desrespeitosa ou negligente durante o atendimento à gestante, o que inclui desde a omissão de informações até abordagens invasivas e tratamento desumanizado. A gestante, segundo consta no BO, já foi internada após o episódio e seria submetida a novos exames, inclusive para monitorar os batimentos cardíacos do bebê. O marido confirmou que a intenção do casal é prosseguir judicialmente.
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ESCLARECIMENTO SOLICITADO PELO DIVINEWS
Complexo de Saúde São João de Deus – Divinópolis/MG
O Complexo de Saúde São João de Deus, tendo sido procurado pelo portal Divinews para prestar esclarecimentos acerca de denúncias recebidas em face de médico pertencente ao corpo clínico da instituição, com envio de Boletim de Ocorrência registrado no dia 11/07/2025 por uma paciente que teria sido atendida por esse mesmo profissional, relatando um episódio de atrito durante o atendimento obstétrico, passa a fazer os esclarecimentos solicitados pelo mencionado órgão de imprensa.
Tão logo tomou conhecimento dos fatos, o Complexo de Saúde São João de Deus determinou a abertura de apuração interna com o objetivo de averiguar com seriedade, celeridade e imparcialidade todas as circunstâncias relatadas, observando-se rigorosamente o contraditório, a ampla defesa e os protocolos éticos que regem o exercício da medicina.
A instituição reafirma o seu absoluto compromisso com a prestação de um atendimento ético, técnico e humanizado, pautado nos princípios da dignidade da pessoa humana, no respeito à autonomia das pacientes e na integridade profissional dos seus colaboradores. Condutas que se afastem desses valores não são toleradas nesta instituição.
Ressalte-se que todo atendimento obstétrico realizado na unidade é, obrigatoriamente, acompanhado por uma pessoa de confiança indicada pela gestante, com o objetivo de garantir suporte emocional, segurança durante o procedimento e pleno respeito aos direitos da parturiente. Na eventualidade de a paciente não contar com acompanhante de sua confiança, o acompanhamento é assegurado por profissional de enfermagem do sexo feminino.
O Complexo de Saúde São João de Deus jamais foi conivente com qualquer denúncia de conduta irregular. Ao contrário, todas as manifestações que chegam ao conhecimento da administração são rigorosamente apuradas, com os devidos encaminhamentos às autoridades competentes e às instâncias institucionais e éticas correspondentes.
A administração da instituição informa que, em respeito à governança ética e às normas regulamentares, requereu à Comissão de Ética do Corpo Clínico, instância responsável por decidir sobre a permanência ou não de profissionais no quadro médico, o afastamento cautelar do profissional envolvido enquanto perdurar a apuração interna dos fatos, medida que visa proteger a integridade do processo e preservar a segurança das pacientes e do próprio profissional, garantindo-se integralmente o contraditório e o direito de defesa.
Ressalta-se que a administração hospitalar não possui competência para afastar unilateralmente membros do corpo clínico, sendo essa atribuição exclusiva da Comissão de Ética Médica e do Corpo Clínico, conforme dispõe a Resolução CFM nº 2.152/2016, norma vigente que rege a autonomia e as competências dessas instâncias nas instituições de saúde.
A Instituição reitera que colabora integralmente com os órgãos de investigação e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se façam necessários.
No contexto da campanha Agosto Lilás, a instituição reafirma seu compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher e com a promoção de um ambiente assistencial seguro, empático e humanizado para todas as nossas pacientes.
Divinópolis, 04 de agosto de 2025
Complexo de Saúde São João de Deus
Assessoria de Comunicação Institucional
GRIFO DIVINEWS: “Não nos abalaremos por fake news, perseguições e decisões que são de cunho meramente polítco, continuaremos revelando os fatos que são de interesse público, em prol da sociedade, da população de um modo geral, quer seja de Divinópolis, ou qualquer outro local. Não nos intimidaremos!”






