Faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2026, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), intensifica seus movimentos nos bastidores para se tornar o nome mais competitivo da direita mineira ao Palácio Tiradentes. Em café da manhã com jornalistas nesta segunda-feira (23/6), Simões expôs sua estratégia: evitar a fragmentação do campo conservador e convencer o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) a abrir mão de sua eventual candidatura ao Executivo estadual.
Com o atual governador Romeu Zema em viagem à Ásia, Simões ocupou interinamente o posto de chefe do Executivo e, com liberdade política, deixou claro que quer ser o representante do campo situacionista. “Meu momento é melhor que o dele, até porque, não tenho outra opção”, disse, referindo-se a Cleitinho.
A declaração evidencia o objetivo de centralizar a força da direita em torno de seu nome, numa disputa que promete ser acirrada. Apesar da proximidade pública com Cleitinho com quem troca elogios e dividiu palanque. Simões deixa transparecer que, politicamente, só há espaço para um.
Interesse no espólio de Rodrigo Pacheco
Além de mirar a neutralização de Cleitinho, Mateus Simões articula outra jogada ousada: ocupar o espaço de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) caso o senador decida se afastar do partido para uma candidatura nacional ou um novo projeto político.
Em tom direto, o vice-governador revelou que já comunicou ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, seu interesse formal em ser o primeiro nome na mesa de negociação, caso o espaço de Pacheco fique vago. “Já falei com o Kassab que, se o Pacheco sair, quero ser o primeiro nome a sentar para conversar”, afirmou.
Simões mantém conversas frequentes com Kassab e com o presidente estadual do partido, Cássio Soares, reforçando seu perfil de interlocutor hábil, pronto para uma mudança estratégica de legenda, caso o Novo não lhe ofereça estrutura suficiente em 2026.
Hoje, Pacheco é considerado um dos favoritos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para liderar a disputa ao governo de Minas pelo campo progressista. A eventual saída do senador abriria uma lacuna que Simões quer preencher com agilidade — e apoio partidário.
Xeque-mate político
Mateus Simões articula nos bastidores com sangue frio e olho no trono da direita mineira. Ao tentar convencer Cleitinho a recuar e, ao mesmo tempo, se oferecer para ocupar o espaço de Rodrigo Pacheco, o vice-governador se posiciona para abater dois senadores numa cajadada só e consolidar-se como o novo rei do campo conservador em Minas.
A ofensiva não é discreta, tampouco improvisada. Simões quer unir, ocupar, herdar e consolidar. Tudo ao mesmo tempo. A ver se os dois senadores aceitarão ser peões num tabuleiro onde ele já se posiciona como rei.






