A crise da saúde pública em Divinópolis atingiu um novo e alarmante patamar. Em um movimento de forte repercussão política, a Prefeitura de Divinópolis, comandada por Gleidson Azevedo, irmão gêmeo do senador Cleitinho Azevedo, decidiu acionar o Ministério Público contra o Governo de Minas Gerais, comandado por Romeu Zema (Novo) — que, ironicamente, é do mesmo partido do prefeito.
O estopim foi o colapso da UPA Padre Roberto, que opera com 169% de sua capacidade total. Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) nesta quinta-feira (29), a enfermaria adulta chegou a 180% de ocupação e a área pediátrica a 157%, números que revelam um sistema completamente sobrecarregado, sem perspectiva de alívio imediato.
O fator central da crise é a morosidade na liberação de leitos hospitalares por parte da Central de Regulação do Estado, o que impede a transferência de pacientes em estado grave. Atualmente, 62 pessoas, entre elas 7 crianças, aguardam vagas em hospitais da rede pública estadual.
Ação no MP e desacordo político exposto
Em um comunicado oficial, a Prefeitura afirmou que não possui poder para intervir diretamente nas transferências, e que, diante do agravamento da situação, acionou o Ministério Público exigindo providências urgentes do Governo de Minas. Lembrando que, nesta sexta-feira (30) o secretário de Estado de Saúde, Fábio Bacheretti estará em visita ao municipio.
A medida é politicamente simbólica. O prefeito Gleidson Azevedo e o governador Romeu Zema são do mesmo partido, o NOVO, o que escancara um desacordo dentro da legenda, especialmente no contexto pré-eleitoral que se desenha para 2026, onde seu irmão, após ter sido aliado de Zema, sinaliza que não caminhará mais com o Governador e tem lhe feito severas críticas.
Superlotação virou rotina e população sofre
A crise da UPA Padre Roberto, que já foi destaque por diversas vezes nos noticiários, se tornou símbolo do colapso do sistema estadual de regulação de leitos, que afeta não apenas Divinópolis, mas várias cidades da região Centro-Oeste mineira.
Moradores relatam esperas intermináveis por atendimento, pacientes em macas improvisadas, e familiares angustiados sem qualquer previsão de transferência para hospitais de referência.
Para muitos, o caso se tornou mais um exemplo do abandono do interior por parte do governo estadual, que, segundo críticas da Prefeitura, tem se mostrado ineficiente na gestão da saúde pública e na articulação entre os entes federativos.
MP deverá apurar responsabilidades
O Ministério Público foi acionado para que pressione o Estado e busque, judicialmente se necessário, garantir o direito ao atendimento digno e imediato para os pacientes que hoje estão literalmente amontoados em corredores da UPA.
A administração municipal reforçou que continuará prestando esclarecimentos e cobrando diretamente da Secretaria de Estado de Saúde ações concretas para resolver a crise.
#Divinópolis #UPAPadreRoberto #CriseNaSaúde #Zema #CleitinhoAzevedo #GleidsonAzevedo #SaúdePública #MinistérioPúblico #RomeuZema






