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O debate começou quase 11h30min. Com os dois candidatos visivelmente nervosos, tentando se conterem e procederem civilizadamente em um ambiente cordial. A emoção e o desgaste emocional e físico eram latentes nos dois. No popular, estava “um querendo voar no pescoço do outro”, dado o rumo que a campanha tomou de acusações e factóides.
Foram vários desgastantes blocos. Em um clima tenso, com scripts pré-definidos pela assessoria política e de marketing dos dois.
Serra, como sempre, talvez para esconder seu nervosismo o seu desdém de ter que debater com uma mulher, se portou de forma sarcástica e irônica. Muito a contragosto, deu meia resposta sobre Paulo Preto e deixou de responder sobre a quantidade de empregos gerados por FHC.
Dilma, visivelmente abatida, apesar da maquiagem, e sem paciência nenhum com seu oponente, também se conteve até onde deu. Cutucada por Serra, que diante das pesquisas, em tese, não tem nada a perder, perdeu a paciência e lhe questionou sobre Paulo Preto.
Os assuntos em pauta foram: PAC, Petrobras, quem conhecia e dava mais importância a região nordeste do Brasil, desmatamento. E o muro baixo dos dois, Paulo Preto X Erenice Guerra.
Quinta-feira na TV Globo, após a novela das oito, que nunca começa as oito e sim nove e quinze, os candidatos se digladiarão pelo última vez na televisão, depois só nas urnas.
Informações das agências de notícias
No primeiro bloco, a candidata do PT começou exaltando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), projeto do qual recebeu o título de mãe, e perguntou ao adversário José Serra (PSDB) quais seriam os investimentos dele para o beneficiar o Nordeste. O tucano começou crítico e atacou. “O PAC é uma lista de obras que não têm planejamento e introsamento”, atacou.
“Em 2007, lançamos o PAC, o programa de investimento que alavancou a economia, gostaria de saber seus novos projetos de investimento para beneficiar o nordeste”, perguntou Dilma.
Serra, em seguida, pergunta sobre a banda larga, lembrando da privatização da telefonia, e acusa Dilma de mudar de opinião em relação a assuntos como aborto e privatização.
Dilma volta a falar sobre as obras do Nordeste e citou a ferrovia Norte-Sul. “Nós licitamos e construímos”. Sabe quantos km foram feitos entre Sarney até FHC – no máximo 300 km – nós estamos entregando mil quilômetros”.
Petrobras
A Petrobras dominou o segundo bloco do debate. O tema ocupou o lugar de respostas de questões como emprego e segurança. O tucano aproveitou para prometer a meta de desmatamento zero na Amazônia.
Serra iniciou o bloco com a pergunta sobre a Petrobras. Negou que pensa em privatizar a companhia e disse que a petista entregou a exploração de petróleo a 108 empresas privadas, metade delas extrangeiras. Dilma respondeu que o pré-sal é um bilhete premiado. Segundo ela, logo após a descoberta desta grande reserva, o governo federal suspendeu todos os leilões e nenhuma empresa extrangeira tem acesso à exploração do petróleo no país. “Quando a gente descobriu que havia um bilhete premiado e que nós não podíamos passar ele para uma empresa extrangeira, mudamos a regra do jogo”, disse a candidata.
Dilma perguntou ao tucano sobre geração de emprego, questão, que segundo ela, Serra não responde há três debates. O ex-governador preferiu voltar à Petrobras e criticou a resposta da petista. “Eu duvido que alguém entenda o que a Dilma diz”, ironizou. O tucano se comprometeu a responder sobre emprego em outro momento. Na réplica, a candidata acusou o PSDB de querer privatizar o “filé mignon” do Brasil.
Erenice X Paulo Preto
Dilma também atacou sobre a banda larga. “Nada tem a ver com telefonia, o projeto da modernidade. Nós fizemos banda larga nas escolas e hoje temos um nível de 65% de implantação. Só não temos mais porque o estado de São Paulo não aderiu ao programa”.
Ao falar sobre o programa federal de expansão da banda larga de internet, Serra lembrou que o projeto era de responsabilidade da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, “que hoje (nessa segunda-feira) prestou depoimento na Polícia Federal”. Foi a primeira referência ao escândalo que derrubou a sucessora de Dilma na Casa Civil. Suspeita de tráfico de influência, Erenice é alvo de inquérito na PF.
Dilma retrucou que, enquanto Erenice prestava depoimento à PF, ninguém investigava o ex-diretor da Dersa (estatal paulista do setor rodoviário) Paulo Vieira de Souza, ligado ao PSDB.
A candidata do PT voltou a apontar Souza, conhecido como Paulo Preto, como pivô de supostos desvios. Segundo a revista IstoÉ, tucanos o acusaram de recolher recursos para a campanha de Serra e de não repassá-los para os cofres tucanos.
“Quando ele ameaça, vocês recuam”, afirmou Dilma, em referência ao fato de Serra, em um primeiro momento, negar conhecer Paulo Preto, e a seguir sair em sua defesa.
No debate, o tucano reiterou que nunca conheceu o ex-diretor da Dersa pelo apelido de Paulo Preto, que qualificou como “preconceituoso e racista”. Afirmou ainda que o desvio de recursos da campanha não existiu e, se tivesse ocorrido, seria vítima disso. “Vocês inventaram isso”, atacou.
Desmatamento zero
Dilma preguntou sobre propostas para o meio ambiente e ressaltou a diminuição do desmatamento durante o governo petista e a apresentação de metas para a emissão de controle de gases do efeito estufa. Serra disse que fez, em parceria com o Partido Verde, uma lei de mudanças climáticas que é considerada uma das melhores do mundo. Dilma destacou a importância de um plano nacional de mudanças climáticas. O ex-governador aproveitou e prometeu desmatamento zero na Amazônia, meta considerada irreal por Dilma, em evento em Brasília na última semana. Ele criticou o fato da maior parte dos projetos energéticos atuais incentivarem à queima de carbono.







