Pesquisadores da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), no campus de Divinópolis, alcançaram um marco importante no combate à doença de Chagas com o desenvolvimento de um teste rápido capaz de diagnosticar a infecção em apenas 15 minutos. A nova tecnologia, fruto de anos de pesquisa e dedicação, promete revolucionar o diagnóstico precoce, especialmente em regiões remotas do país.
O teste utiliza uma pequena amostra de sangue do paciente e oferece resultados com alta precisão, diferenciando com eficácia os casos positivos de doença de Chagas dos negativos. Essa inovação pode ser um divisor de águas, considerando que a maioria dos kits diagnósticos atualmente utilizados no Brasil são importados, o que encarece o processo e limita o acesso a muitas comunidades.
Minas Gerais no centro da inovação
“Queremos que Minas Gerais seja protagonista no desenvolvimento de kits diagnósticos locais”, afirmou Alexsandro Galdino, professor e coordenador da pesquisa. O objetivo da equipe é fornecer uma alternativa nacional eficaz e acessível, que possa ser amplamente distribuída através do Sistema Único de Saúde (SUS).
O avanço chega em um momento crucial. Segundo dados da Superintendência Regional de Saúde (SRE), o número de testes para Chagas vem aumentando exponencialmente nos últimos anos, passando de 158 em 2020 para 2.200 em 2023. O aumento na detecção de casos, que saltaram de nove em 2020 para 128 em 2023, ressalta a importância de um diagnóstico rápido e eficiente.
Como funciona o teste
O procedimento é simples e rápido. Em menos de 15 minutos, uma amostra de sangue pode ser analisada, permitindo que profissionais de saúde identifiquem rapidamente a presença do Trypanosoma cruzi, parasita causador da doença de Chagas. Essa rapidez é crucial para o diagnóstico precoce, especialmente em uma doença que, em muitos casos, permanece assintomática por anos.
O processo de validação do teste foi rigoroso, envolvendo análises laboratoriais com a técnica “Elisa” e a utilização de antígenos produzidos de forma recombinante. “Só conseguimos desenvolver esse teste graças a um grande número de colaboradores, muitos deles especialistas na doença de Chagas. Eles nos cederam soros caracterizados, tanto positivos quanto negativos, para a validação do teste. Isso é o que chamamos de prova de conceito”, explicou Alexsandro Galdino.
Parcerias estratégicas
O desenvolvimento do teste contou com o apoio de importantes instituições, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Esses parceiros foram fundamentais para que a pesquisa pudesse avançar e chegar a resultados tão promissores.
Nayara Dornelas, referência em doença de Chagas da SRE, ressaltou a importância desse avanço: “Estamos falando de uma doença invisível, negligenciada. Com um teste rápido disponível na atenção primária, teremos um acesso mais fácil à testagem e ao diagnóstico precoce, que é fundamental para a cura.”
Um futuro promissor
A expectativa é que o teste possa ser amplamente disponibilizado pelo SUS, beneficiando milhões de brasileiros que, muitas vezes, desconhecem que são portadores da doença. Carlos Resende, doutorando em biotecnologia e um dos pesquisadores envolvidos, expressou o orgulho de participar do projeto: “A ciência tem o poder de melhorar a vida das pessoas. Tirar de dentro da academia e levar para a população é o que torna nosso trabalho gratificante.”
Com o teste rápido da UFSJ, o Brasil dá um passo significativo na luta contra a doença de Chagas, oferecendo uma solução prática e acessível que pode salvar inúmeras vidas.






