Divinópolis: A crônica de um prefeito dependente do Irmão; Gleidson Azevedo e o eterno “Irmão do Cleitinho”

Quando Divinópolis vai eleger um prefeito/a com nome próprio, e não "o irmão do Cleitinho" ??

Publicado por: Geraldo Passos

O mesmo enredo já conhecido pelos divinopolitanos, volta a se repetir  neste ano de 2024.  A campanha eleitoral de Gleidson, não é dele, ele entra de novo como um coadjuvante em cena. Ofuscado pelo ator principal da “trama”, a atuação digna de um “Oscar”,   seu irmão, Cleitinho Azevedo, agora um Senador da República.  Em 2020, o então desconhecido Gleidson conquistou a prefeitura com o slogan que prometia muito mais do que ele mesmo podia entregar — “Vote no Gleidson, você estará votando no Cleitinho”. O que se seguiu foram quatro anos em que a verdadeira figura de poder na administração municipal era  outra: Janete Aparecida, vice-prefeita e secretária de Governo, que assumiu as rédeas enquanto o prefeito fazia aparições superficiais e concentrava-se em redes sociais.

Cleitinho, que usou o prestígio de sua atuação como deputado estadual para alavancar o irmão, logo deixou de lado Divinópolis para se concentrar em sua própria campanha para o Senado, ausentando-se do cenário municipal. Essa ausência, no entanto, foi quebrada em momentos críticos, como no caso da CPI da Educação e em escândalos envolvendo compras superfaturadas de playgrounds infláveis, conhecidos como “playballs”. Cleitinho emergiu como uma espécie de bombeiro político para apagar os incêndios quando o mandato do irmão se via ameaçado, mas sem jamais se comprometer com uma gestão contínua.

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Um episódio emblemático foi a operação da Polícia Federal na prefeitura, envolvendo um escândalo de suposta extorsão de recursos federais, que resultou na prisão de indivíduos acusados de ameaçar a vida de um assessor especial do governo. Nesse momento, enquanto Gleidson estava ausente, quem assumiu a defesa do governo foi Cleitinho, juntamente com Janete Aparecida, reforçando mais uma vez a percepção de que o prefeito não tinha o controle total de sua própria administração.

Agora, em 2024, o cenário se repete com a candidatura de Gleidson à reeleição. Mais uma vez, o slogan “Votem no irmão do Cleitinho” aparece nos materiais de campanha, e o senador surge exaltando as “realizações” de seu irmão, com destaque para ações pontuais como recapeamento de ruas. No entanto, questões centrais para a população, como saúde, educação e segurança, permanecem em segundo plano. É como se a cidade estivesse presa em um ciclo de marketing político e promessas rasas, em vez de discutir os desafios reais que enfrenta.

A campanha eleitoral ainda explora a popularidade de Cleitinho através de dancinhas e jingles, tentando apelar ao público jovem e ao eleitorado que se engaja com esse tipo de conteúdo. Mas, até nisso, Gleidson parece ser uma cópia pálida do irmão. Ele tenta, sem sucesso, recriar o carisma e a conexão popular que Cleitinho conseguiu construir ao longo dos anos.

A pergunta que ecoa entre os eleitores é: quando Divinópolis terá um prefeito que será lembrado por seu próprio nome e méritos, e não por ser o “irmão de Cleitinho”? Em vez de consolidar sua própria identidade, Gleidson parece cada vez mais afundado na sombra do irmão. Mesmo que Cleitinho o empurre de volta à ribalta a cada eleição, a liderança real parece sempre escapar de suas mãos.

Os cidadãos de Divinópolis merecem mais do que uma figura que apenas dança e xinga. O município precisa de um líder com nome próprio e em seu nome faça sua campanha. Não a terceirize para um irmão famoso, que avaliza o irmão, mas depois some do dia a dia da cidade. As pessoas pergunta, até quando Gleidson, em período eleitoral vai usar, o “irmão do Cleitinho”?

Mesmo ensaiado, fazendo parte do roteiro,  a dependência é tamanha que na própria campanha isso fica latente, a partir do momento em que Cleitinho tem que ensinar o irmão Gleidson a dançar seu jingle, também criado pelo irmão senador.

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Conclusão

O mandato de Gleidson Azevedo tem sido, acima de tudo, uma continuação da carreira política de seu irmão Cleitinho, com uma administração que nunca pareceu completamente nas mãos de Gleidson. A falta de identidade própria e a dependência contínua da popularidade do irmão são sintomas claros de uma gestão deficitária, que precisa de muletas neste período.  Divinópolis merece um prefeito/a que administre de fato e não deixe nas mãos da vice.  Atue como um líder de fato, respeitando a liturgia do cargo de uma cidade com mais de 240 mil habitantes, e polo da Região Centro-Oeste de Minas.

 

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