Continuando a série de reportagens sobre o transporte urbano de Divinópolis que o jornal online Divinews se propôs a fazer, hoje falaremos da superlotação dos ônibus.
Seis horas da manhã, onze horas, meio dia, duas da tarde, e o intervalo entre as cinco da tarde e as sete da noite são horários que todos os trabalhadores que necessitam do transporte público conhecem muito bem, caracterizados pelo alvoroço e tumulto na cidade.
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No ponto da Pernambuco, esquina com 21 de Abril, em meio a tantas outras pessoas, encontramos Lidiane Geralda Martins Reis. Por volta das 18h, ela esperava o veículo da linha Belo Vale Costa Azul. Lidiane conta que esse ônibus está sempre lotado. Ela afirma que ele sai do seu bairro (Costa Azul) às 6:30 já cheio e, quando passa pelo bairro Nossa Senhora das Graças as vezes não cabe mais ninguém. “Já liguei para a Trancid reclamando e o moço falou que uma andorinha só não faz verão” diz injuriada, e continua “muitas pessoas dizem que ligam, mas por já haverem queimado um ônibus lá no bairro eles falam que não colocarão reforço”.
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Abrindo um parêntese, para refrescar a memória, em outubro de 2007, a revolta com o serviço prestado levou uma pessoa colocar fogo em um carro que fazia a linha do bairro Costa Azul. A imprensa local o tachou de vândalo e agressor, mas, míope ou mal intencionada, não lembrou das condições de aperto, alto valor do preço pelo serviço, carros velhos e sujos a que a população se submete ao utilizar o transporte.
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A possível represaria pelo ato se manifesta também nas condições dos ônibus, conforme conta Lidiane, “nosso ônibus vive quebrado, anda três ou quatro quarteirões e quebra”. Ela afirma que deve chegar ao trabalho as 6h e a filha deve ser deixada na creche até às 7h15, ou não pode mais entrar. “Quando quebra eu tenho que ligar para a creche e avisar e as vezes não dá” Lidiane diz que o ano passado, sua filha e mais cinco crianças do bairro ganharam balão porque o ônibus quebrou e não puderam avisar.
Mas a situação de desrespeito com os passageiros não se dá apenas na situação de represaria que vive Lidiane. Poucas são as linhas que não vivem superlotadas. Claúdia Cordeiro Teles é passageira do Danilo Passos Belo Vista ou Belvedere e moradora do bairro Belvedere II, ela conta que o ônibus está sempre cheio e que, no horário de pico, as vezes não se consegue entrar no veículo, “um dia cheguei na porta do ônibus e pensei: vou esperar outro porque não cabe mais ninguém”.
A esperança da melhora ainda ronda os passageiros que talvez não se deram conta, como o cidadão do bairro Costa Azul, da situação em que eles próprios se encontram.
“Disseram que iam aumentar a quantidade de ônibus agora no começo de março, não sei se aumentaram, mas continuam cheios” reclama a moradora do Belvedere II.
O transporte público é insuficiente para as pessoas que necessitam se locomover nas chamadas horas de pico – de entrada e saída do trabalho -, quando os ônibus estão sempre lotados. Na maioria das vezes, fica gente para fora, pois o carro não comporta todos os passageiros, fator que leva as pessoas a chegarem mais tarde e mais estressadas em casa após o termino do expediente. Isso implica em menor qualidade de vida para os cidadãos divinopolitanos.
Na cidade, como em várias outras, o transporte público é feito por empresas privadas, ainda não habituadas a prestar um serviço justo, que leve em conta o bem-estar da população. Característica do capitalismo à brasileira: empresas privadas devem lucrar e ponto – e isso significa geralmente prejuízo para a sociedade. Quanto mais gente se espremendo num mesmo veículo menos gastos com novos carros e diesel.
Mas existem exemplos que podem ser apontados como referência. Em Belo Horizonte o governo criou um mecanismo para a proteção do bem comum, a BHTrans. Na capital, as empresas precisam seguir uma série de normas para continuar atuando no mercado: preços compatíveis, ônibus minimamente confortáveis, frota nova, número mínimo de ônibus circulantes. Além disso, essa mesma empresa, a BHTrans, vira e mexe, modifica o fluxo de trânsito, cria novas rotas – tudo para a melhoria na qualidade do serviço.
Atitudes de gente grande que são um meio, não o único, de oferecer dignidade para parte da população, que normalmente já é menos desfavorecida. Ou, quem sabe, as próprias empresas de transporte possam se solidarizar com seus CLIENTES e, antes de serem obrigadas, se colocarem a serviço de verdade.









