A deputada federal eleita Gleide Andrade (PT), dirigente nacional do partido como tesoureira, esteve entre as candidaturas que mais receberam recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) em Minas Gerais nas eleições de 2026. Segundo levantamento baseado nos dados do Tribunal Superior Eleitoral, Gleide aparece na quinta posição entre os candidatos a deputado federal de todos os partidos no estado, com R$ 3,1 milhões em recursos do fundo, incluindo valores estimáveis provenientes de outras candidaturas. A campanha recebeu R$ 2,815 milhões diretamente da direção nacional do PT em repasses financeiros para obter 130 mil votos.
Gleide concentrou 61% das despesas em pessoal e recebeu recursos estimáveis de outras candidaturas. Registros incluem repasses de deputados estaduais, federais, e vereadores não eleitos e eleitos em 2024. Contratos com gráfica, publicidade digital e empresa de táxi aéreo estão entre os gastos mais elevados.
Despesas com pessoal alcançaram R$ 1,79 milhão
A principal rubrica de gastos da campanha de Gleide Andrade foi a contratação de pessoal, entre os contratados existem vereadores eleitos e não eleitos. Os R$ 1.790.151,01 declarados correspondem a aproximadamente 61,3% das despesas registradas. A base financeira apresenta 654 lançamentos nessa categoria, número expressivo quando comparado às demais despesas da candidatura.
Entretanto, os 654 registros não significam necessariamente que a campanha contratou 654 trabalhadores diferentes. Um mesmo prestador aparece em mais de um lançamento por serviços prestados distintos. Para estabelecer o número real de contratados, é necessário cruzar os documentos individuais dos prestadores, eliminar repetições e separar pessoas físicas de eventuais serviços executados por empresas.
A segunda maior categoria foi publicidade por materiais impressos, com R$ 322.061,41. O impulsionamento de conteúdos digitais respondeu por R$ 230 mil, enquanto os serviços prestados por terceiros somaram R$ 151 mil. Também foram declarados R$ 110.992 em locação de imóveis, R$ 97.200 em locação de veículos e R$ 82.500 em transporte ou deslocamento.
Empresa de táxi aéreo recebeu contratos de R$ 82,5 mil
Entre os fornecedores identificados está a Helic Fly Táxi e Serviços Aéreos Especializados Ltda., CNPJ 12.412.275/0001-11, com dois lançamentos que totalizam R$ 82.500. A contratação foi classificada como despesa de transporte ou deslocamento, mas os registros consolidados consultados não identificam quantos voos foram realizados, os trajetos percorridos ou os passageiros transportados.
A M Designer City Ltda., CNPJ 22.317.550/0001-71, aparece com R$ 237.525,41 em materiais impressos. A Dlocal Brasil Instituição de Pagamento S.A., CNPJ 25.021.356/0001-32, registra R$ 230 mil relacionados ao impulsionamento digital. A Sertão Comunicação Ltda., CNPJ 34.814.037/0001-75, consta com R$ 100 mil em serviços terceirizados.
Outros fornecedores incluem Artes BH Digital Ltda., CNPJ 12.419.108/0001-00, com R$ 67.928; FGW Educação Comunicação e Consultoria Ltda., CNPJ 36.450.576/0001-06, com R$ 50 mil; Schmidt Praxedes Advocacia, CNPJ 49.997.700/0001-91, com R$ 30 mil; e Regufe Braga Teixeira Assessoria e Consultoria Contábil Ltda., CNPJ 30.850.849/0001-15, também com R$ 30 mil.
Outras candidaturas transferiram aproximadamente R$ 168 mil
Outro aspecto da prestação de contas de Gleide é a participação de políticos que disputaram as eleições de 2026 na composição das receitas de Gleide Andrade. O levantamento identificou aproximadamente R$ 168.159 em recursos recebidos de outras candidaturas, distribuídos em 311 registros.
Essas operações são classificadas como doações estimáveis, provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Isso significa que os valores representam bens ou serviços compartilhados, cuja utilização foi contabilizada como receita, e não necessariamente depósitos financeiros realizados pelos candidatos na conta bancária de Gleide.
Entre os maiores repasses agrupados aparecem o candidato a deputado estadual Professor Cleiton de Oliveira, com R$ 30.031, Maria do Carmo Lara Perpétuo, com R$ 26.662, e Pâmela Vindilino, com R$ 19.088. Os três nomes aparecem associados a lançamentos de recursos estimáveis do Fundo Eleitoral.
Também foram encontrados registros de candidaturas de deputados estaduais eleitos, como Ulysses Gomes, com pelo menos R$ 5.910 nos lançamentos verificados, e Beatriz Cerqueira, com pelo menos R$ 5.188,22. A deputada estadual reeleita Macaé Evaristo aparece em diferentes registros, que somam pelo menos R$ 7.505 entre as operações individualmente conferidas.
Vereador aparece entre as candidaturas que transferiram recursos
O vereador Vitor Gonçalves Costa (PT), eleito em Divinópolis em 2024 e candidato a deputado estadual em 2026, também consta na relação de transferências estimáveis à campanha de Gleide Andrade. Os lançamentos individualmente identificados incluem valores de R$ 5.472,78, R$ 2.500, R$ 2.500, R$ 1.550, R$ 1.173 e R$ 972, somando pelo menos R$ 14.167,78.
Os registros demonstram participação da candidatura de Vitor nas transferências de bens ou serviços contabilizados pela campanha de Gleide, mas não representam comprovação de que o vereador tenha recebido pagamento por prestar serviços à deputada federal eleita.
A relação de receitas também inclui outros candidatos vinculados ao PT e à Federação Brasil da Esperança. O compartilhamento de despesas, materiais ou serviços entre candidaturas pode ocorrer dentro das regras eleitorais, desde que as operações sejam devidamente identificadas e contabilizadas.
Contratações de pessoas físicas exigem cruzamento com a eleição de 2024
A relação de fornecedores da campanha inclui pessoas físicas remuneradas por serviços eleitorais. Entre os registros individualizados consultados aparece Maria Emília Rios Bedran, com R$ 17 mil em despesas com pessoal. Outras listagens públicas anteriores mencionam Lucas José dos Santos, Carlos Roberto Cazelato Marinho, Jorge Luiz Direne Ribeiro e outros prestadores.
A identificação desses nomes, entretanto, não permite concluir automaticamente que sejam vereadores eleitos em 2024 ou candidatos derrotados naquele pleito. É necessário confrontar os registros completos de fornecedores com a base de candidaturas municipais, verificando a identidade dos beneficiários e evitando confusões entre pessoas com nomes semelhantes.
Até esta etapa da apuração, não foi possível comprovar de maneira individualizada que um vereador eleito em 2024 tenha sido contratado e remunerado pela campanha de Gleide. A existência de repasses estimáveis envolvendo candidaturas de políticos com mandato municipal representa uma operação diferente do pagamento por serviços profissionais.
Fundo Eleitoral foi a principal fonte de financiamento
O Partido dos Trabalhadores foi responsável pela maior parcela dos recursos declarados pela candidatura. A Direção Nacional do PT aparece com R$ 2.815.000 em transferências financeiras do Fundo Eleitoral, além de R$ 31 mil em recursos estimáveis da mesma origem, R$ 50 mil provenientes do Fundo Partidário e R$ 20 mil classificados como outros recursos.
A campanha também recebeu aproximadamente R$ 168 mil em bens e serviços compartilhados com outras candidaturas, igualmente identificados como recursos estimáveis do FEFC. A soma do financiamento público registrado como Fundo Especial alcançou R$ 3.014.159,09, considerando os repasses diretos e as receitas estimáveis.
O patrimônio declarado por Gleide Andrade à Justiça Eleitoral em 2026 foi de R$ 2.488.202,86, distribuído entre imóveis, aplicações financeiras, participações empresariais e veículo. O registro constitui uma referência para comparações patrimoniais em eleições posteriores.
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Nota de transparência: Esta matéria contou com o auxílio de IA na organização e estruturação do texto, sob orientação e revisão editorial do editor do Divinews.






