A crise interna do PT em Minas Gerais em torno da distribuição do Fundo Eleitoral começa a ganhar números concretos nas prestações de contas. Consulta aos dados declarados à Justiça Eleitoral mostra diferenças que vão de R$ 2,34 milhões recebidos por uma candidatura a R$ 0 em outras. E há situações que chamam especialmente a atenção: enquanto determinados candidatos receberam mais de R$ 1 milhão, há parlamentar que atualmente exerce mandato e ainda aparece sem nenhum recurso do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Entre os que afirmam ter recebido zero está também Vinícius Venades, de 22 anos, candidato a deputado estadual que se apresenta como pessoa com deficiência (PcD).
A discussão acontece dentro de uma legenda que recebeu R$ 615,37 milhões do Fundo Eleitoral para disputar as eleições de 2026. O valor corresponde a uma das maiores parcelas dos quase R$ 5 bilhões reservados aos partidos. A definição dos critérios para distribuir internamente o FEFC é uma decisão partidária, conforme esclarece o TSE, ressalvadas as obrigações legais, especialmente as cotas. O problema levantado pelos candidatos não é, portanto, simplesmente a existência de valores diferentes. O questionamento é como o PT determinou quem teria estrutura milionária, quem receberia algumas centenas de milhares e quem começaria a campanha sem participação no fundo público, R$ 2,34 milhões no topo entre os valores já verificados na prestação de contas, a deputada federal Dandara Tonantzin (PT) aparece com R$ 2,34 milhões provenientes da direção partidária/FEFC. O deputado federal Rogério Correia aparece com R$ 1,8 milhão do Fundo Eleitoral. O mesmo patamar de R$ 1,8 milhão consta para nomes como Leonardo Monteiro e Gilmar Machado nos registros consultados.
Outro caso que já havia despertado questionamentos entre candidatos ouvidos pelo Divinews é o de Gleide Andrade, secretária nacional de Finanças e Planejamento do PT e integrante da Executiva Nacional. Sua campanha a deputada federal registra R$ 1.267.500 do FEFC. Gleide disputou as eleições de 2022 e não foi eleita. A crítica levantada internamente é justamente qual combinação de critérios colocou sua candidatura em uma faixa superior a R$ 1 milhão enquanto outros candidatos ficaram sem recursos, o partido sustenta publicamente que os critérios passam por instâncias coletivas, levando em consideração fatores como mandato, desempenho anterior, posição na estrutura partidária, potencial eleitoral e existência de bases políticas consolidadas, nem mandato garante dinheiro registrado neste momento. Há, entretanto, um dado curioso quando os critérios partidários são confrontados com as prestações de contas já apresentadas.
O deputado estadual Marquinho Lemos (PT), que atualmente exerce mandato na Assembleia Legislativa, aparecia na consulta com aproximadamente R$ 103 mil arrecadados de outras fontes, mas nenhum repasse do FEFC registrado até aquela atualização, a situação chama atenção porque os critérios divulgados pelo próprio partido estabeleceram como referência R$ 250 mil para deputados estaduais homens candidatos à reeleição e R$ 325 mil para mulheres. Isso não permite afirmar que Marquinho ficará sem os R$ 250 mil. A interpretação mais cautelosa é que o repasse previsto ainda não havia aparecido na prestação de contas consultada, situação semelhante aparece entre outros nomes petistas que, em diferentes momentos da atualização do DivulgaCandContas, ainda não tinham transferência partidária compatível com a faixa anunciada. Isso demonstra também por que é necessário acompanhar a base do TSE diariamente até que o quadro esteja consolidado e Deputadas estaduais aparecem com R$ 325 mil, entre as candidaturas petistas à Assembleia que já registram FEFC, algumas seguem precisamente a faixa estabelecida pelo partido.
Ana Paula Siqueira registra R$ 325 mil do Fundo Eleitoral. Beatriz Cerqueira também aparece com R$ 325 mil. Leninha, presidente estadual do PT, registra R$ 325 mil. Macaé Evaristo aparece igualmente com R$ 325 mil. Entre os homens, Leleco Pimentel registra transferência partidária de R$ 250 mil. Em uma faixa inferior, Maria do Carmo aparece com R$ 183.040 do FEFC, enquanto Maria Alves registra R$ 45.760. A diferença entre os valores não representa, isoladamente, irregularidade. O próprio TSE esclarece que a definição dos critérios de distribuição é interna aos partidos, e há quem tenha zero, no outro extremo estão candidatos sem qualquer FEFC registrado até as consultas realizadas. É nesse grupo que aparece a maior insatisfação interna.
O Divinews já ouviu Vinícius Venades, candidato a deputado estadual de 22 anos. Ele se apresenta como pessoa com deficiência e afirma ser o único candidato PcD da chapa petista estadual. Na manifestação encaminhada ao Divinews, Vinícius afirma categoricamente que recebeu “zero reais” do partido. Para ele, não se trata de defender valores idênticos para todos. O candidato diz reivindicar equidade e condições mínimas para que cada candidatura possa efetivamente disputar votos. Vinícius argumenta que uma campanha exige transporte, comunicação, material gráfico, deslocamento, alimentação, profissionais, acessibilidade e presença territorial. Para ele, diferenças estratégicas seriam aceitáveis, mas deixar algumas candidaturas sem estrutura criaria uma disputa interna desigual.
Veja alguns valores já confirmados na prestação de contas
Candidatura do PT em MG Cargo FEFC/transferência partidária registrada
Dandara Tonantzin Deputada federal R$ 2.340.000
Rogério Correia Deputado federal R$ 1.800.000
Leonardo Monteiro Deputado federal R$ 1.800.000
Gilmar Machado Deputado federal R$ 1.800.000
Gleide Andrade Deputada federal R$ 1.267.500
Pedro Rousseff Deputado federal R$ 975.000
Adriana Araújo Deputada federal R$ 316.875
Ana Paula Siqueira Deputada estadual R$ 325.000
Beatriz Cerqueira Deputada estadual R$ 325.000
Leninha Deputada estadual R$ 325.000
Macaé Evaristo Deputada estadual R$ 325.000
Leleco Pimentel Deputado estadual R$ 250.000
Maria do Carmo Deputada estadual R$ 183.040
Maria Alves Deputada estadual R$ 45.760
Marquinho Lemos Deputado estadual R$ 0 registrado até a consulta
Professor Paulo Veloso Deputado estadual R$ 0 registrado até a consulta
Vinícius Venades Deputado estadual R$ 0, segundo candidato e consulta anterior
Os dados são parciais e podem ser atualizados. Quando a fonte consultada identifica apenas transferência da direção partidária, o Divinews não presume que necessariamente todo o valor seja FEFC. Paulo Guedes: outro caso que chama atenção, na Câmara Federal surge outra situação que merece acompanhamento. O deputado Paulo Guedes, parlamentar com mandato, aparecia em levantamento baseado no DivulgaCandContas com apenas R$ 12 mil de recursos próprios e nenhum FEFC registrado naquele momento. Pelos critérios internos divulgados pelo PT, entretanto, deputados federais homens candidatos à reeleição estão entre as prioridades e têm como referência repasses muito superiores. É necessário diferenciar duas coisas: “não recebeu” definitivamente e “o recurso ainda não apareceu na prestação de contas”. E ainda por que uns receberam bem antes e outros bem depois, que critério também foi esse? Muitos já contrataram serviços para agilizar suas campanhas e quando receberem podem pagar juros por atrasos. Durante a campanha, essa diferença é fundamental, grupo de 25 candidatos pressiona o PT, a insatisfação já ultrapassou manifestações individuais. Um grupo de 25 candidaturas proporcionais mineiras questiona a distribuição e reivindica que os nomes inicialmente excluídos recebam pelo menos R$ 80 mil. Há divergência entre reportagens sobre quantos desse grupo disputam a Câmara e quantos concorrem à Assembleia, razão pela qual o Divinews prefere tratar o número consolidado de 25 candidaturas sem reproduzir uma divisão ainda conflitante entre as fontes.
O movimento já produziu ameaças de desistência de candidatura, protestos e possibilidade de judicialização, o que diz o PT , a direção petista argumenta que o modelo foi aprovado pelas instâncias competentes e que não resulta de decisão individual de um dirigente, os candidatos sem mandato foram divididos em grupos conforme critérios políticos e eleitorais. Entre os fatores divulgados estão desempenho eleitoral anterior, estrutura territorial, posição partidária e avaliação de competitividade. O TSE confirma que a definição do critério de distribuição é uma decisão interna dos partidos, sem análise de mérito pela Justiça Eleitoral, exceto quanto às regras legais que precisam obrigatoriamente ser cumpridas. Por isso, o Divinews não afirma que diferenças de valores ou mesmo a ausência de FEFC constituam automaticamente irregularidade, o que os números permitem mostrar é outra coisa: dentro de um mesmo partido, no mesmo estado e na mesma eleição, existem campanhas que já registraram mais de R$ 2 milhões provenientes da estrutura partidária enquanto outras ainda aparecem com zero, é justamente essa distância que alimenta a crise interna.
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Esta matéria contou com o auxílio de IA na organização e estruturação do texto, mas, com pauta, apuração, orientação e revisão editorial do Divinews.






