O PL não apenas abriu larga vantagem sobre o PT na destinação de recursos eleitorais em Minas Gerais, como adotou até agora uma estratégia de distribuição bem diferente da segunda colocada. Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram que os candidatos do Partido Liberal receberam R$ 84,9 milhões, mais que o dobro dos R$ 41,6 milhões destinados pelo PT. Enquanto o PL direcionou cerca de 89% de seus recursos às chapas de deputados federais e estaduais, espalhando a maior parte do dinheiro pelas disputas proporcionais, o PT, partido que em seus documentos oficiais ressalta compromissos com democracia, pluralidade e participação, reservou proporcionalmente uma fatia muito maior para suas candidaturas majoritárias de maior projeção. Patrus Ananias, candidato ao Governo de Minas, e Marília Campos, candidata ao Senado, concentraram juntos cerca de 30% de todo o montante petista destinado no estado. Os números revelam estratégias distintas de financiamento: de um lado, maior distribuição pelas chapas legislativas; de outro, maior concentração proporcional em nomes da disputa majoritária.
Milhões de reais do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, já chegaram às candidaturas mineiras que disputam vagas no Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa em 2026. No recorte analisado pelo Divinews, os maiores valores individuais aparecem na disputa pelo Senado. Marília Campos (PT) declarou R$ 5,34 milhões de Fundo Eleitoral, enquanto Domingos Sávio (PL) registra R$ 5 milhões. Logo depois aparece Marcelo Aro (PP), com R$ 4,1 milhões do fundo público.
Entre os candidatos a deputado federal, entretanto, os valores também alcançam a casa dos milhões. Dimas Fabiano (PP) aparece com aproximadamente R$ 3,16 milhões de FEFC. Além disso, Ana Pimentel (PT) e Gleide Andrade (PT) registram R$ 2,83 milhões cada uma. Já um grupo de candidatos do PL, entre eles Lafayette Andrada, Zé Vitor, Lincoln Portela, Delegada Ione, Marcelo Álvaro Antônio, Caporezzo e Greyce Elias, aparece com R$ 2,59 milhões para cada candidatura no recorte consultado.
Na disputa pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, os repasses individuais são menores, porém ainda chegam a sete dígitos. Amanda Teixeira Dias (PL) aparece com R$ 1,195 milhão. Por sua vez, Lucas Lasmar (Rede), Andréia de Jesus (PT) e Rodrigo Nicolau (PL) registram R$ 1 milhão cada em recursos do Fundo Eleitoral. Outros candidatos aparecem próximos dessa faixa, como Dirce Aida (PRD) e Nayara Rocha (PP), ambas com R$ 900 mil.
Por outro lado, o levantamento também revela uma situação importante: R$ 0 de Fundo Eleitoral não significa necessariamente campanha sem dinheiro. Nikolas Ferreira (PL), candidato a deputado federal, aparece com zero de FEFC e zero de Fundo Partidário, mas já declarou aproximadamente R$ 1,30 milhão em outros recursos. Já Maria Hilda Leão (PP), candidata a deputada estadual, registra R$ 0 de FEFC, porém recebeu mais de R$ 1,01 milhão do Fundo Partidário. Portanto, comparar apenas o Fundo Eleitoral exige separar cuidadosamente as diferentes fontes de financiamento.
O que o Divinews considerou no levantamento
O Divinews considerou exclusivamente valores classificados como Fundo Especial de Financiamento de Campanha, FEFC. Dessa forma, não entram no ranking do Fundo Eleitoral doações de pessoas físicas, autofinanciamento, recursos de financiamento coletivo ou valores provenientes do Fundo Partidário.
A base oficial do Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza os dados das prestações de contas dos candidatos de 2026 e informa que a geração dos arquivos ocorre ao longo do processo eleitoral. Além disso, o monitor 72Horas organiza os dados extraídos do DivulgaCandContas e informa que pode existir um intervalo de até 72 horas entre a disponibilização das informações pela Justiça Eleitoral e seu processamento.
Por isso, os números abaixo representam uma fotografia das declarações disponíveis até 15 de setembro de 2026. Novas transferências, retificações ou prestações de contas podem alterar os valores posteriormente.
Senado: maiores valores confirmados no recorte
| Candidato | Partido | Cargo | FEFC declarado |
|---|---|---|---|
| Marília Campos | PT | Senadora | R$ 5.340.625 |
| Domingos Sávio | PL | Senador | R$ 5.000.000 |
| Marcelo Aro | PP | Senador | R$ 4.100.000 |
| Áurea Carolina | PSOL | Senadora | R$ 2.111.000 |
| Carlos Viana | PSD | Senador | R$ 2.000.000 |
| Marco Antônio Superman | NOVO | Senador | R$ 30.000 |
| Victória Mello Vic | PSTU | Senadora | R$ 27.002 |
| Jordano Metalúrgico | PSTU | Senador | R$ 27.002 |
Marília Campos lidera esse recorte com vantagem de R$ 340,6 mil sobre Domingos Sávio. Além disso, a diferença entre a petista e Marcelo Aro alcança aproximadamente R$ 1,24 milhão. Já entre Marcelo Aro e Áurea Carolina, a distância chega perto de R$ 2 milhões.
A lista de candidaturas ao Senado passou por alterações durante a campanha. Aécio Neves (PSDB), por exemplo, entrou na disputa posteriormente. Portanto, o quadro acima reúne os valores de FEFC que o Divinews conseguiu confirmar individualmente no fechamento desta apuração e não deve ser interpretado como prestação de contas definitiva das 17 candidaturas registradas atualmente para o cargo.
Deputados federais: repasses superam R$ 3 milhões
Entre os candidatos à Câmara dos Deputados, Dimas Fabiano aparece no topo do recorte verificado. Logo depois surgem duas candidatas do PT e, em seguida, um grupo do PL com valores iguais.
| Candidato | Partido | Cargo | FEFC declarado |
|---|---|---|---|
| Dimas Fabiano | PP | Deputado federal | R$ 3.160.799 |
| Ana Pimentel | PT | Deputada federal | R$ 2.830.500 |
| Gleide Andrade | PT | Deputada federal | R$ 2.830.500 |
| Caporezzo | PL | Deputado federal | R$ 2.590.000 |
| Delegada Ione | PL | Deputada federal | R$ 2.590.000 |
| Greyce Elias | PL | Deputada federal | R$ 2.590.000 |
| Lafayette Andrada | PL | Deputado federal | R$ 2.590.000 |
| Lincoln Portela | PL | Deputado federal | R$ 2.590.000 |
| Marcelo Álvaro Antônio | PL | Deputado federal | R$ 2.590.000 |
| Zé Vitor | PL | Deputado federal | R$ 2.590.000 |
Somados, apenas esses dez nomes representam aproximadamente R$ 26,95 milhões em Fundo Eleitoral. O PL concentra sete candidatos da seleção, todos com R$ 2,59 milhões. Já Ana Pimentel e Gleide Andrade receberam valores idênticos pelo PT. Dimas Fabiano, do PP, supera individualmente cada um deles no recorte.
Outros candidatos também aparecem com quantias expressivas. Paulo Guedes (PT) registra pouco mais de R$ 2 milhões, enquanto Diego Andrade (PSD), Junynho Martins (PP) e Paulo Filho da Fundação (PSD) também aparecem na faixa dos R$ 2 milhões.
Deputados estaduais: repasses chegam a R$ 1,195 milhão
Na disputa pela Assembleia Legislativa, Amanda Teixeira Dias aparece com o maior valor entre os nomes verificados neste recorte. Logo depois, três candidaturas alcançam exatamente R$ 1 milhão.
| Candidato | Partido | Cargo | FEFC declarado |
|---|---|---|---|
| Amanda Teixeira Dias | PL | Deputada estadual | R$ 1.195.000 |
| Andréia de Jesus | PT | Deputada estadual | R$ 1.000.000 |
| Lucas Lasmar | REDE | Deputado estadual | R$ 1.000.000 |
| Rodrigo Nicolau | PL | Deputado estadual | R$ 1.000.000 |
| Dirce Aida | PRD | Deputada estadual | R$ 900.000 |
| Nayara Rocha | PP | Deputada estadual | R$ 900.000 |
| Maria Clara | PSDB | Deputada estadual | R$ 700.000 |
| Wanderley Porto | PRD | Deputado estadual | R$ 509.945 |
| Cleiton Xavier | UNIÃO | Deputado estadual | R$ 504.000 |
| Flávia Borja | PODE | Deputada estadual | R$ 500.000 |
No caso de Wanderley Porto, por exemplo, a candidatura registra R$ 513,4 mil em receitas totais. Entretanto, R$ 509.945 correspondem especificamente ao FEFC. Essa diferença mostra por que o levantamento precisa separar a origem de cada real declarado.
Quem aparece com R$ 0 de Fundo Eleitoral
O outro lado do levantamento também merece atenção. Alguns candidatos conhecidos aparecem, até o fechamento, sem qualquer valor classificado como FEFC.
| Candidato | Partido | Cargo | FEFC | Outros recursos identificados |
|---|---|---|---|---|
| Nikolas Ferreira | PL | Deputado federal | R$ 0 | R$ 1.302.704 em outros recursos |
| Maria Hilda Leão | PP | Deputada estadual | R$ 0 | R$ 1.014.500 de Fundo Partidário + R$ 4.992 de outros recursos |
| Aécio Neves | PSDB | Senador | R$ 0 identificado no recorte consultado | campanha já apresenta recursos de outras origens |
O caso de Nikolas Ferreira é especialmente ilustrativo. Embora não apareça com um centavo de Fundo Eleitoral ou Fundo Partidário, sua candidatura já soma R$ 1.302.704, provenientes de outras fontes declaradas. Entre os repasses aparecem doações privadas de R$ 300 mil, R$ 200 mil e R$ 100 mil.
Já Maria Hilda Leão demonstra uma situação diferente. A candidata aparece com zero de FEFC, porém recebeu R$ 1.014.500 do Fundo Partidário. Dessa forma, escrever simplesmente que ela “não recebeu dinheiro público” seria incorreto. O correto é afirmar que não recebeu Fundo Eleitoral no recorte consultado.
Da mesma maneira, o levantamento encontrou outras candidaturas mineiras que apresentam zero de FEFC, embora algumas já tenham receitas privadas ou partidárias. Portanto, o valor zero precisa sempre vir acompanhado da identificação da fonte analisada.
Partidos que aparecem entre os maiores valores verificados
Considerando apenas os nomes destacados nas tabelas anteriores, o PL apresenta a maior presença entre os candidatos que receberam valores elevados. Entretanto, esse quadro não representa o total de FEFC distribuído por cada partido em Minas, pois considera somente os candidatos selecionados neste levantamento simplificado.
| Partido | Destaques no recorte |
|---|---|
| PL | Domingos Sávio, Amanda Teixeira Dias, Rodrigo Nicolau e grupo de federais com R$ 2,59 milhões |
| PT | Marília Campos, Ana Pimentel, Gleide Andrade e Andréia de Jesus |
| PP | Marcelo Aro, Dimas Fabiano e Nayara Rocha |
| PSOL | Áurea Carolina |
| PSD | Carlos Viana e candidatos federais na faixa de R$ 2 milhões |
| PRD | Dirce Aida e Wanderley Porto |
| REDE | Lucas Lasmar |
| PSDB | Maria Clara; Aécio aparece sem FEFC identificado no recorte |
| UNIÃO | Cleiton Xavier |
| PODE | Flávia Borja |
| NOVO | Marco Antônio Superman |
| PSTU | Victória Mello Vic e Jordano Metalúrgico |
Fundo Eleitoral já movimenta bilhões no país
O FEFC utiliza dinheiro público exclusivamente para financiar campanhas eleitorais. Em 2026, os partidos receberam aproximadamente R$ 4,9 bilhões para distribuir entre as candidaturas. Até a atualização consultada pelo Divinews, os candidatos de todo o país já haviam declarado aproximadamente R$ 4,48 bilhões provenientes do Fundo Eleitoral, distribuídos entre mais de 13 mil candidaturas.
Além disso, cerca de 90% do montante do FEFC já aparecia nas declarações das campanhas. Entretanto, os números ainda podem aumentar ou sofrer correções. Isso ocorre porque candidatos e partidos continuam atualizando as prestações e o sistema incorpora novos registros durante o processo eleitoral.
Portanto, os valores apresentados nesta reportagem não representam a prestação final das Eleições 2026. Eles mostram quanto cada candidatura declarou ter recebido de Fundo Eleitoral até o recorte consultado pelo Divinews em 15 de setembro.






