A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25), foi seguida por uma onda de denúncias de assédio eleitoral, ameaças e demissões de trabalhadores motivadas por suas posições políticas. A situação também chegou a Divinópolis e a outros municípios do Centro-Oeste de Minas Gerais, onde o Divinews recebeu informações sobre empregados que teriam sofrido represálias por apoiar ou votar no presidente. O Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou 3.290 denúncias relacionadas às eleições de 2026 até quarta-feira (28), sendo 1.143 registradas nos três dias posteriores ao segundo turno. Diante do crescimento dos casos, órgãos federais anunciaram medidas de fiscalização, recebimento de denúncias e responsabilização de empregadores que utilizarem a relação de trabalho para perseguir funcionários por convicções políticas.
Divinópolis e região registram relatos de demissões por preferência política
Em Divinópolis, os desdobramentos da eleição presidencial não ficaram restritos às discussões nas redes sociais. Segundo informações recebidas pelo Divinews, trabalhadores relataram situações de constrangimento e desligamentos atribuídos à manifestação de apoio ao presidente Lula.
O portal também recebeu relatos de episódios semelhantes em cidades do Centro-Oeste mineiro, onde funcionários teriam enfrentado represálias após o resultado eleitoral.
Parte dessas denúncias ganhou espaço nas publicações do Instagram do Divinews, ampliando a discussão sobre a liberdade política dentro das empresas.
A redação relata possuir registros de desligamentos relacionados à preferência eleitoral. Entretanto, a documentação individual e eventuais decisões judiciais que reconheçam formalmente a motivação discriminatória não integram os elementos apresentados nesta reportagem.
A denúncia de um trabalhador pode dar origem à investigação trabalhista, mas a comprovação da dispensa discriminatória depende da análise das provas de cada caso.
Ministério Público do Trabalho recebeu 3.290 denúncias durante as eleições
O crescimento das denúncias demonstra que o problema ultrapassa o Centro-Oeste mineiro.
Segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (29), o Ministério Público do Trabalho recebeu 3.290 denúncias de assédio eleitoral durante as eleições presidenciais de 2026.
Desse total, 1.143 foram registradas nos três dias posteriores ao segundo turno, quando aumentaram as publicações incentivando empresários a demitir funcionários identificados com o PT.
Minas Gerais também aparece entre os estados com maior número de queixas, conforme levantamentos divulgados ao longo de outubro.
O volume de denúncias levou o Governo Federal, a Justiça do Trabalho e o Ministério Público a intensificarem as medidas de fiscalização.
Os registros incluem pressões durante a campanha, ameaças relacionadas ao voto e possíveis retaliações depois da divulgação do resultado eleitoral.
Empresário pode escolher quem contratar, mas não perseguir funcionário por votar em Lula
A liberdade de administrar uma empresa não autoriza o empregador a utilizar o emprego como instrumento de punição política.
A Constituição Federal protege a liberdade de consciência, a manifestação política e o sigilo do voto.
A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias no acesso e na manutenção das relações de trabalho.
Isso significa que um funcionário não pode sofrer tratamento discriminatório porque votou em Lula, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro candidato.
O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, foi direto ao comentar as denúncias:
“O empresário é dono do negócio, e não do voto do seu empregado.”
O entendimento do Ministério Público do Trabalho é que dispensar trabalhadores por suas convicções políticas constitui prática ilegal, sujeita à atuação do órgão perante a Justiça do Trabalho.
Demissão por voto político pode gerar reintegração e indenização
O trabalhador que comprovar ter sido demitido por discriminação política poderá buscar reparação na Justiça do Trabalho.
A Lei nº 9.029/1995 prevê consequências para a ruptura discriminatória do vínculo empregatício.
Conforme o caso, o empregado poderá optar pela reintegração ao trabalho, com ressarcimento do período de afastamento, ou pelo recebimento em dobro da remuneração correspondente ao período, observadas as condições legais.
Também poderá pleitear indenização por danos morais.
A responsabilização não ocorre automaticamente quando alguém é dispensado depois de uma eleição. É necessário demonstrar que a decisão empresarial teve motivação discriminatória.
Mensagens, gravações, declarações do empregador e depoimentos de testemunhas podem ajudar a estabelecer essa relação.
Pressão para votar em candidato também configura assédio eleitoral
O assédio eleitoral não acontece apenas quando um funcionário perde o emprego.
A prática também pode ocorrer quando empregadores ou superiores hierárquicos ameaçam trabalhadores para influenciar suas escolhas políticas.
Entre as situações que podem caracterizar assédio estão exigências de apoio a determinado candidato, ameaças de demissão, promessas de benefícios em troca de posicionamento político e constrangimentos durante o expediente.
A pressão pode acontecer pessoalmente, em reuniões de trabalho ou por mensagens enviadas em aplicativos e redes sociais.
Funcionários terceirizados, estagiários e servidores públicos também podem sofrer esse tipo de violência.
O enquadramento jurídico depende das circunstâncias. Determinadas condutas podem gerar consequências trabalhistas e civis, enquanto situações de coação eleitoral também poderão resultar em responsabilização penal.
Governo anuncia ações contra empresas envolvidas em assédio eleitoral
O Ministério do Trabalho e Emprego anunciou na quarta-feira (28) uma ação conjunta com outras instituições para enfrentar as denúncias.
Participam da iniciativa o Ministério Público do Trabalho, a Advocacia-Geral da União, o Tribunal Superior do Trabalho, o Ministério Público Eleitoral e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Entre as medidas estão a ampliação dos canais de denúncia, o acompanhamento de publicações que incentivem perseguição política e a possibilidade de responsabilização dos empregadores.
O governo também anunciou a intenção de criar um cadastro de empregadores envolvidos em práticas comprovadas de assédio eleitoral e de examinar restrições ao acesso a crédito, conforme os mecanismos legais aplicáveis.
As medidas ainda dependem dos procedimentos próprios de investigação e responsabilização.
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Divinews acompanha denúncias de boicote a estabelecimentos de supostos eleitores de Lula em Divinópolis
A circulação de listas com nomes de comerciantes e profissionais identificados como petistas também provocou controvérsia na cidade. O Divinews ouviu um empresário incluído na relação e consultou o advogado Rodrigo Moura sobre as consequências jurídicas da divulgação.
Acompanhe a cobertura política regional do Divinews.
Lista de boicote a comerciantes também alimenta intolerância política
A reação ao resultado eleitoral também provocou a circulação de listas que identificam empresas e profissionais como supostos apoiadores de Lula, acompanhadas de propostas de boicote comercial.
Em Divinópolis, o Divinews recebeu imagens desse material e apurou que uma lista semelhante havia circulado em 2022, antes de reaparecer em versão ampliada em 2026.
O advogado Rodrigo Moura, consultado pelo portal, explicou que cada consumidor pode escolher onde comprar, inclusive por razões políticas.
Entretanto, a divulgação de relações nominais destinadas a expor ou constranger pessoas por suas convicções pode gerar responsabilização civil, conforme o conteúdo e as circunstâncias.
As duas situações possuem características jurídicas distintas. A campanha de boicote contra comerciantes não se confunde automaticamente com o assédio eleitoral nas relações de trabalho.
Ambas, porém, levantam questões sobre os limites entre liberdade de expressão, discriminação e respeito às escolhas políticas dos cidadãos.
Ministério do Trabalho promete investigar denúncias mesmo depois da eleição
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a fiscalização continuará recebendo denúncias de perseguição política após o encerramento da votação.
“Todo trabalhador tem o direito democrático à sua opção política. Não cabe assédio”, declarou.
A orientação também foi reforçada pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, que informou que a Justiça continuará acompanhando os casos.
A atuação das instituições não se limita às pressões exercidas antes do voto.
Demissões e punições adotadas como retaliação ao resultado eleitoral também podem ser investigadas.
Como denunciar assédio eleitoral em Divinópolis e região
O trabalhador que sofrer ameaça, pressão ou dispensa discriminatória pode procurar diretamente o Ministério Público do Trabalho ou o Ministério do Trabalho e Emprego.
O registro pode ocorrer pela internet, sem necessidade de deslocamento até Belo Horizonte ou outra cidade que possua unidade dos órgãos.
Como denunciar assédios eleitorais
Ministério Público do Trabalho
Ministério do Trabalho e Emprego
A vítima deve informar o nome da empresa, o local do ocorrido, a data aproximada, a identificação dos envolvidos e a descrição da conduta.
É recomendável preservar mensagens, gravações, e-mails, fotografias, vídeos e informações sobre possíveis testemunhas.
O trabalhador também pode procurar seu sindicato ou um advogado trabalhista para avaliar a necessidade de medidas judiciais.
Mesmo quem já foi demitido pode procurar o Ministério Público do Trabalho
A dispensa do empregado não impede a apresentação de denúncia.
O Ministério Público do Trabalho recebe informações relacionadas a condutas praticadas antes, durante e depois da eleição.
Quem foi desligado e acredita que a decisão ocorreu por sua manifestação política deve preservar os documentos de rescisão e outros registros que possam ajudar a esclarecer os motivos da dispensa.
Em casos de discriminação comprovada, a legislação prevê medidas para reparar os prejuízos sofridos.
A denúncia ao Ministério Público também pode contribuir para a identificação de práticas que atinjam outros trabalhadores da mesma empresa.
Direito ao voto não termina na porta da empresa
A repercussão das eleições em Divinópolis e no Centro-Oeste de Minas coloca em discussão a relação entre poder econômico e liberdade política.
Empresários têm o direito de defender candidatos, criticar governos e manifestar suas posições partidárias.
Os trabalhadores possuem exatamente o mesmo direito.
O contrato de trabalho estabelece obrigações profissionais, mas não concede ao empregador autoridade sobre a escolha eleitoral de seus funcionários.
O voto é secreto, individual e protegido pela Constituição.
Nenhum trabalhador precisa concordar politicamente com seu patrão para conservar a dignidade, exercer seus direitos ou exigir tratamento profissional sem discriminação.
A eleição terminou no domingo (25), mas as denúncias que surgiram depois das urnas continuarão exigindo apuração das autoridades.
O Divinews mantém espaço aberto para manifestações dos trabalhadores, empresários e demais envolvidos nos episódios relatados em Divinópolis e região.
TRANSPARÊNCIA EDITORIAL | DIVINEWS
Reportagem elaborada a partir de publicação do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e relatos regionais informados à redação – Os números nacionais representam denúncias recebidas, não condenações – A IA auxiliou na organização das informações e na estruturação da reportagem, sob responsabilidade editorial do Divinews.






