Julgamento de PM acusado de matar menina de 5 anos, caso em que Flávio Bolsonaro atuou como advogado, é adiado novamente

O julgamento de Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, estava marcado para esta quarta-feira (21), mas foi adiado novamente, com nova data prevista para maio de 2027. Flávio Bolsonaro integrou a equipe de defesa do policial em recursos contra a decisão que o levou a júri popular.

Publicado por: Cassia Misael

Mais de cinco anos após a morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, a família continua à espera do julgamento do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo crime. A sessão prevista para esta quarta-feira (21) foi adiada, e a nova data anunciada para o Tribunal do Júri é 5 de maio de 2027. O caso também ganhou repercussão nacional após vir à tona a atuação do senador Flávio Bolsonaro na defesa jurídica do policial.

Julgamento que ocorreria nesta quarta-feira é adiado

O julgamento de Bruno Dias Delaroli era aguardado pela família de Ana Clara, morta em 2 de fevereiro de 2021, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A nova data prolonga a espera por uma decisão judicial sobre a responsabilidade criminal do policial.

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Conforme informações divulgadas sobre o caso, o adiamento ocorreu por determinação do juízo, diante da impossibilidade de presidir a sessão. Não há indicação de que a defesa tenha provocado a mudança de data.

Com a remarcação, o julgamento está previsto para 5 de maio de 2027. Até lá, Delaroli permanece na condição de acusado, sem condenação definitiva pelo caso.

Menina foi atingida por disparo de fuzil

Ana Clara brincava em frente de casa com o irmão, de 2 anos, quando foi atingida por um disparo de fuzil. O episódio ocorreu na comunidade do Monan Pequeno, no bairro Badu, em Niterói.

A criança foi socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu aos ferimentos.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o policial por homicídio qualificado, sob a alegação de que ele efetuou disparos em direção a uma área residencial e assumiu o risco de atingir moradores. A acusação sustenta que não houve confronto no local.

O policial, por sua vez, negou que o disparo que matou a menina tenha partido de sua arma. A defesa questionou as provas reunidas e a decisão de encaminhar o processo ao Tribunal do Júri.

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Em novembro de 2021, a Justiça determinou que o caso fosse submetido a júri popular. A prisão preventiva do policial foi revogada naquele mês, e ele passou a responder ao processo em liberdade, sujeito a medidas cautelares.

Flávio Bolsonaro integrou a defesa do policial

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também é advogado, integrou a equipe jurídica de Bruno Dias Delaroli em 2024. Seu nome aparece no acórdão de um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que buscava reverter a decisão de levar o policial a julgamento pelo Tribunal do Júri.

O recurso foi rejeitado por maioria de votos. Posteriormente, a defesa apresentou outra medida judicial, que também não conseguiu afastar a realização do júri popular.

Flávio não integrava mais a equipe quando esse novo recurso foi apresentado ao STJ. Em 2025, a decisão que determinava o julgamento popular foi mantida após análise nas instâncias superiores.

É importante distinguir os fatos: a atuação de Flávio ocorreu na defesa jurídica do policial e na contestação da decisão que determinou o júri. Não há indicação de que o senador tenha sido responsável pelo adiamento da sessão prevista para esta quarta-feira.

Caso foi tema de debate presidencial

A participação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial ganhou repercussão política após o assunto ser levantado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18).

Lula questionou o senador sobre a atuação no processo. Flávio respondeu que o exercício da advocacia não deve ser criminalizado e argumentou que o policial ainda não havia sido julgado.

O episódio ampliou a discussão pública sobre o caso e trouxe novamente à tona a espera da família de Ana Clara por uma decisão judicial.

Mãe cobra julgamento após mais de cinco anos

Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, continua cobrando a realização do júri e uma resposta da Justiça pela morte da filha.

A espera, que já ultrapassa cinco anos, representa uma longa batalha para a família, que ainda aguarda que os fatos sejam examinados pelo Tribunal do Júri.

Com a nova previsão para maio de 2027, o processo permanece sem julgamento definitivo. A sessão deverá analisar as provas e os argumentos da acusação e da defesa, cabendo aos jurados decidir sobre a responsabilidade criminal do policial.

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