A disputa pelo comando da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) começou a ganhar contornos mais definidos nesta segunda-feira (19), quando os deputados estaduais eleitos pela federação União Brasil-PP decidiram apoiar o nome de Doorgal Andrada (PP) para suceder o atual presidente, Tadeu Leite (MDB). A movimentação, revelada pelo jornalista Guilherme Peixoto, do portal O Fator, representa um dos primeiros posicionamentos coletivos na corrida pela presidência do Legislativo mineiro no próximo biênio, a partir de fevereiro de 2027. Nos bastidores, a disputa envolve não apenas nomes, mas o equilíbrio de forças entre as bancadas partidárias, especialmente o PL, que conquistou 21 das 77 cadeiras da Assembleia e pretende ampliar sua influência. Enquanto isso, o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) sinaliza que não deseja participar diretamente da escolha.
União Brasil e PP decidem apoiar Doorgal Andrada
O primeiro movimento mais concreto da disputa ocorreu em reunião realizada nesta segunda-feira (19), quando os deputados eleitos pela federação União Brasil-PP fecharam questão em torno da candidatura de Doorgal Andrada.
Segundo a apuração do portal O Fator, o acordo representa uma manifestação de apoio dentro da federação, mas não significa que Doorgal já tenha assegurado os votos necessários para assumir a presidência da Assembleia.
O parlamentar do PP mantém proximidade política com Tadeu Leite, circunstância considerada relevante nas articulações. O atual presidente possui influência entre diferentes bancadas e poderá desempenhar papel importante na construção de um entendimento para a escolha de seu sucessor.
PL elegeu maior bancada e também pretende disputar a presidência
A renovação da Assembleia nas eleições de outubro alterou o peso relativo das forças partidárias. O Partido Liberal conquistou 21 dos 77 assentos para a próxima legislatura e passou a reivindicar maior participação na definição da futura Mesa Diretora.
O crescimento da bancada alimentou, entre parlamentares do partido, a expectativa de disputar a presidência da Casa.
Entretanto, a força numérica do PL não garante a conquista do comando do Legislativo. A eleição depende da articulação com outras bancadas e da formação de maioria entre os deputados estaduais.
Conforme reportagem anterior do O Fator, parte dos parlamentares de outras legendas prefere que a presidência seja ocupada por um nome situado mais ao centro do espectro político, em vez de um representante do PL ou do PT.
Sargento Rodrigues e Gustavo Santana aparecem entre os nomes do PL
Dentro da bancada liberal, Sargento Rodrigues é apontado como um dos parlamentares mais ativos na articulação pela presidência. Ele tem demonstrado interesse na disputa e buscado interlocução com deputados de diferentes grupos.
O primeiro-secretário Gustavo Santana também aparece nas conversas de bastidores. Além deles, levantamento publicado pela Rádio Itatiaia menciona Bruno Engler e Vittorio Medioli entre os nomes ligados ao PL que passaram a ser considerados nas articulações iniciais.
A presença de diferentes nomes não significa que todos tenham lançado candidaturas formalmente. Trata-se de uma disputa ainda em formação, com possibilidades de acordos e retiradas antes da eleição de fevereiro.
PSD também possui três nomes nas articulações
O Partido Social Democrático surge como outra força relevante na negociação pela presidência. João Magalhães, Tito Torres e Gustavo Valadares aparecem entre os possíveis candidatos mencionados por interlocutores da Assembleia. Os três são vistos como alternativas em um cenário no qual parte dos parlamentares busca construir uma candidatura de perfil mais centrista.
A articulação em torno de Doorgal Andrada poderá estimular novas conversas entre integrantes do PSD e de outras legendas, especialmente se a preferência por uma candidatura de consenso se consolidar. Até o momento, não existe indicação de que o partido tenha fechado posição única em torno de um desses nomes.
Tadeu Leite deixará Assembleia para assumir vaga no Tribunal de Contas
A sucessão ocorrerá porque Tadeu Leite, atual presidente da ALMG, não disputou a reeleição para deputado estadual e foi escolhido para ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Em março de 2026, o parlamentar recebeu 69 votos favoráveis e nenhum contrário na Assembleia, durante a votação que aprovou sua indicação ao Tribunal. Depois da escolha, Tadeu informou que pretendia concluir seu mandato no Legislativo antes de assumir suas novas atribuições.
Cleitinho sinaliza que não pretende interferir na disputa
Uma das questões de maior interesse político envolve a posição do governador eleito Cleitinho Azevedo. Por se tratar de um ex-deputado estadual, ele conhece o funcionamento da Assembleia e mantém relações com parlamentares de diferentes partidos. Apesar disso, Cleitinho sinalizou a interlocutores que não pretende interferir diretamente na escolha do próximo presidente. Segundo apuração publicada pelo O Fator em 15 de outubro, ele não pretende pedir votos para nenhum candidato e deverá respeitar o entendimento construído pelos deputados.
A orientação apresentada pelo governador eleito também leva em consideração a posição de Tadeu Leite, com quem mantém interlocução política.
Futuro governador quer evitar conflitos entre Executivo e Legislativo
A relação entre Cleitinho e o próximo presidente da Assembleia terá importância para o início do governo em janeiro de 2027. O Legislativo será responsável por analisar projetos, matérias orçamentárias e propostas de reorganização administrativa encaminhadas pelo Executivo.
Segundo a apuração de Lucas Ragazzi, do O Fator, Cleitinho pretende iniciar seu mandato mantendo uma relação de diálogo com os deputados, evitando os conflitos institucionais que marcaram determinados períodos do governo Romeu Zema. A escolha do presidente da Assembleia poderá influenciar a dinâmica das negociações políticas, embora a atuação da Casa continue dependendo das decisões coletivas de seus 77 integrantes.
Eleição pode representar disputa entre força eleitoral e capacidade de articulação
O PL chega à próxima legislatura com a maior bancada, mas enfrenta um cenário no qual deputados de outras legendas demonstram interesse em preservar a tradição de presidentes escolhidos por entendimento entre diferentes grupos políticos. A candidatura de Doorgal Andrada ganha relevância exatamente por representar uma primeira tentativa organizada de reunir apoios em torno de uma alternativa ao partido mais numeroso.
Por outro lado, a dimensão da bancada liberal oferece ao PL influência nas negociações, inclusive na formação da Mesa Diretora e na ocupação de posições estratégicas. A disputa poderá, portanto, ser definida menos pela força isolada de uma legenda e mais pela capacidade de seus representantes de construir alianças.
Presidência da ALMG envolve muito mais do que comandar as sessões
O presidente da Assembleia Legislativa exerce funções que ultrapassam a condução das reuniões de plenário. Ele representa institucionalmente o Parlamento, dirige os trabalhos legislativos e possui atribuições previstas nos artigos 82 e 83 do Regimento Interno. O cargo também possui relevância na organização dos trabalhos administrativos e na interlocução institucional com os demais Poderes.
Tradição de chapa única poderá ser testada pela disputa entre partidos
Historicamente, a Assembleia mineira tem buscado construir chapas de consenso para a Mesa Diretora. Esse modelo permite acomodar representantes de diferentes grupos políticos e reduzir confrontos diretos na eleição interna. Entretanto, o crescimento do PL e a disposição manifestada por seus integrantes de disputar a presidência poderão tornar as negociações mais complexas.
A decisão antecipada de União Brasil e PP de apoiar Doorgal Andrada representa uma tentativa de organizar um dos polos dessa negociação. Se as articulações não resultarem em acordo, poderá ocorrer uma disputa efetiva entre candidaturas no plenário. Por enquanto, essa possibilidade permanece em aberto.
Disputa pela presidência já começou, mas resultado só virá em fevereiro
A eleição do próximo presidente da ALMG acontecerá no início da legislatura de 2027, quando os deputados eleitos em outubro assumirão seus mandatos. Até lá, reuniões partidárias, manifestações de apoio e negociações entre bancadas deverão definir quais nomes chegarão à votação.
O apoio declarado pela federação União Brasil-PP posiciona Doorgal Andrada entre os protagonistas iniciais da sucessão, mas outras candidaturas continuam sendo discutidas, especialmente dentro do PL e do PSD. A chamada guerra pela sucessão de Tadeu Leite, portanto, está apenas começando. O resultado dependerá da capacidade de cada grupo de formar maioria, enquanto Cleitinho sinaliza que pretende respeitar a escolha interna dos deputados.
Para o futuro governo mineiro, a decisão também terá consequências institucionais. Quem assumir a presidência da Assembleia será um dos principais interlocutores do Executivo a partir de 2027, em um período marcado por desafios fiscais, negociações orçamentárias e expectativas de mudanças na administração estadual.
Os nomes citados na sucessão de Tadeu Leite
| Deputado | Partido | Situação nas articulações |
|---|---|---|
| Doorgal Andrada | PP | Apoio fechado da federação União Brasil-PP |
| Sargento Rodrigues | PL | Articula candidatura |
| Gustavo Santana | PL | Citado entre os possíveis candidatos |
| Bruno Engler | PL | Mencionado em levantamento sobre a disputa |
| Vittorio Medioli | PL | Mencionado em levantamento sobre a disputa |
| João Magalhães | PSD | Nome considerado nas negociações |
| Tito Torres | PSD | Nome considerado nas negociações |
| Gustavo Valadares | PSD | Nome considerado nas negociações |






